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Visita ao Museu Anchieta
No último dia 17 de maio, durante a aula de História dos Museus e Processos Museológicos eu e meus colegas fomos a escola Anchieta em Porto Alegre para conhecer o museu escolar.
É um espaço distribuído em 2 salas principais expositivas, 2 espaços destinados a reserva técnica, uma estufa, uma sala de apresentações e é disposto de um acervo farto, no qual inclui animais taxidermizados, insetos, minérios, fósseis, quadros parientais, etc. O interessante deste museu é a variedade de espécies de fauna passadas pelo processo de taxidermia, a variedade de pedras, fósseis e também a estufa bem rica em folhagens de variadas origens. Alguns objetos raros como um meteoro, uma carta de Albert Einstein para os alunos do colégio como também um mini planetário.
Mesmo com certas dificuldades com umas das reservas técnicas, devido a falta de climatização, umidade e gerenciamento de espaço, é um lugar que vale a pena conhecer e ter certo contato. O acesso é restrito pois o museu fica dentro do campus da escola, visitas são realizadas apenas por agendamentos prévios e mediadas em casos de turmas de anos iniciais.
Museus escolares Os quadros parientais nas paredes e os armários museus característicos.
Museus Escolares
Em meados do final do século XIX, há uma construção de identidade nacional que se baseava em língua nacional, símbolos, imagens, museus patrimônio e educação pública. Há também a difusão de ideias racionais vindas do Iluminismo que se entrelaçavam á esta nova educação pública, com o foco nas ciências, novos métodos de ensino pedagógicos e novos materiais para ajudar nestes novos métodos. Deveria servir a professor e alunos para a realização de estudos pautados no concreto, tornando a aprendizagem intuitiva, também conhecido como método intuitivo ou ensino intuitivo, consistia em educar por imagens e toques nos objetos. O aluno aqui não é apenas um ser passivo, mas sim participante ativo do processo de aprendizado que é baseado na experiência com os objetos. Foram impulsionados pelos museus pedagógicos (consequentes das exposições universais e era para fins da formação de professores). As primeiras instituições no Brasil: - Museu Escolar Nacional (RJ - 1883) - Pedagogium (1890): no qual tinha o objetivo de dissimular o modelo e a organização de museus escolares nas escolas brasileiras. Essas influências para essa especialidade de museus veio diretamente do Museé Scolairei Deyrolle, com a uma coleção de quadro parientais produzidos na França, como também peças de anatomia humana, flores e frutos como também eram utilizados os Armários-museus.
Museus e a Revolução Francesa
A Revolução Francesa foi um movimento de suma importância para a transição para a sociedade moderna, tanto nos aspectos políticos, sociais, culturais como também para o patrimônio e o cenário museal.
Apontam o século XIX como o percursor movimento daquele presente, a construção de uma memória, pela valorização da História, e do museu como um lugar de legitimação da Nação, e que se constitui com o desenvolvimento científico e mudanças em relações as instituições e o desafio de como fazer a comunicação do acervo para o público, até também como receber este público. Museu como lugar neutro, de guarda dos bens pertencentes à nação. Surgem divididos por áreas de História, Artes, Ciências Naturais e Técnicas.
Destaco aqui a origem do primeiro museu público, que ainda num regime monárquico teve seu projeto feito, mas que só saiu do papel depois da Revolução Francesa, no qual é o Museu do Louvre na França, criado em 1793. Entre essas atribuições ressalto também que esse movimento não só gerou a criação de instituições oriundas desse objetivo, mas também importantes museus surgiram de coleções que foram abertas ao público, como exemplo o Museu do Prado na Espanha.
Museu do Louvre, Paris, 1957. Foto: John Gutmann
Aux Morts d Órient Monument, Marseille, France
Monumento e Monumento Histórico
Pode parecer redundante a expressão, mas desde a Revolução Francesa e as novas atribuições dadas ao patrimônio e os consequentes estudos, essas duas classificações apresentam singularidades dentro desta tipologia:
O monumento é delimitado a uma função memorial, traz uma relação com a memória e o tempo vivido, e tem a característica de poder ser destruído, substituído ou descartado. Exemplos: arcos, colunas, obeliscos.
Já o monumento histórico também possui a relação com a memória, mas diferente do anterior este é selecionado entre estruturas pré existentes, submetidos a olhar de especialistas e o principal: este é conservado, e não pode ser destruído.
Estes estudos foram de extrema importância para a história, e foi um impacto para o desenvolvimento tanto do campo museal, mas também para a história.
Museus e suas origens
A primeira interpretação de museu, foi dada pelos gregos, o termo “Museion” significa “templo das musas”, com esta reprentação ele tinha inicialmente o propósito de um templo de contemplação, ligado a conhecimentos teológicos e filosóficos, de caráter enciclopédico e muitas vezes eram misturados comas bibliotecas e arquivos, no qual como maior exemplo é a Biblioteca de Alexandria.
Já ao longo da história as coleções de entidades da elite passaram a ter certa relevância, como por exemplo os Romanos, na Idade Média a Igreja e também com o passar dos séculos as grandes coleções principescas. Neste formato também foram surgindo os conhecidos Gabinetes de Curiosidade que também eram símbolo de poder econômico, no séc. XV esses gabinetes objetos extraídos das navegações e explorações e eram visitados exclusivamente por estudiosos e convidados. Os museus públicos só tiveram abertura ao público após a Revolução Francesa.
Coleções
Desde os tempos antigos, as coleções fazem parte de uma possibilidade de hábito, sejam elas de objetos de riqueza e simbolo de posição social ou de uma necessidade de guardar para obter um significado pessoal. A diferença existente entre o objeto de memória e a coleção é que na cuja o conjunto desses objetos é que consiste o seu conceito integro. Segundo Krzystof Pomiam:
“(…) uma coleção, isto é, qualquer conjunto de objetos naturais ou artificiais, mantidos temporária ou definitivamente fora do circuito das atividades económicas, sujeitos a uma proteção especial num local fechado preparado para esse fim, e expostos ao olhar do público.”
Objetos de coleções perdem sua função utilitária, mas também não estão expostos como itens de decoração, são expostos ao olhar. São sujeitos a uma proteção especial, relativa aos fatores físico-químicos de conservação e de segurança ao caráter precioso dos objetos.
Estes objetos são inalienáveis, não podem ser vendidos ou cedidos a não ser que seja para adquirir novos objetos, por esse motivo estão temporária ou definitivamente fora dos circuitos econômicos, tanto em museus quanto em coleções particulares, portanto, diz-se que “possuem valor de troca sem ter valor de uso”.
Esse fenômeno tem sua importância real sobre os processos museais, pois um acervo se dá muitas vezes de várias coleções, como uma coleção pode gerar até a criação de um museu. É evidente também que dentro das artes existe um mercado por esse ato instituído no meio. Assim como algo comum pode também virar uma coleção como os objetos representados na imagem.
Seja a característica em comum ou o objeto, toda coleção tem seu símbolo e consequentemente um valor.
Prólogo
Sou Alícia, intensamente e inquietamente curiosa, a minha inclinação foi sempre em tomar rumos fora dos habituais, escolhi a Museologia por no fim, ser o abre-caminhos mais compatível com a minha vontade de trabalhar no meio cultural. Acredito que essa vertente nos dá a capacidade de vivenciar um mundo muito lindo e complexo. Arte, comunicação, patrimônio, espaço e o infinito desse meio tão diverso sempre me fascinou desde seu conhecimento.
Museália é uma palavra da Museologia na qual sempre me encantou por ser tão bonita, usei-a no plural pra trazer o seu significado, derivado do ato de musealizar que no caso é fazer daquele suposto objeto um portal de significado de acordo com seu contexto cultural e criar o conceito deste blog, que une o ato de trazer o significado para o factual que são minhas vivências dentro da área, e meu olhar sobre elas.
Museálias. Sinta, observe, seja, olhe e museali-se.