“Eu quero estar com você… Mas tudo parece cada vez mais errado. Em todos os lados tudo só… Piora.” Ela disse, com sua testa encostada na dele. Tudo o que ela queria era sair dali, e chorar até o sol nascer novamente, mas ela também sabia que tinha que encarar aquilo como uma adulta. Em uma conversa civilizada, coisa que no geral, os dois não faziam. “Porque parece que eu preciso mais de você do que você de mim?” Ela disse, sendo sincera. Por dentro ela se sentia muito mais dependente dele do que o contrário, e ela tinha certeza que por fora também era assim. Por mais que ela se relacionasse com mais pessoas de fora do que ele, era tudo muito superficial. Nunca havia ficado com ninguém que valesse uma segunda noite. Ninguém, além de Marcel.
A mão que estava na cintura da menor subiu para as costas dela e ele a abraçou. Um abraço apertado, cheio de carinho, que eles não davam fazia tempo. Ouvir as palavras de sua prima o fizeram se sentir mal. Realmente parecia que só ela se esforçava para que tudo ali desse certo e Marcel se sentia culpado por isso, se sentia responsável por todas as coisas que vinham acontecendo. Afagou os fios negros dela, passando os dedos por entre as mechas longas de cabelo e depositou um beijo sobre sua bochecha, que ainda estava molhada pelas lágrimas “Isso vai melhorar, mi bien. Nós vamos dar certo” sussurrou, sentindo seus olhos arderem e as lágrimas começarem a descer sem pudor sobre a sua face, fazendo com que ele escondesse o rosto por entre os cabelos dela. Odiava chorar em público, não por parecer fraqueza, ele não se importava com isso, mas por não gostar das pessoas falando sobre isso. Afastou-se um pouco de Benedicta e pôs as mãos sobre a cintura dela, puxando-a para perto e a afastando da árvore. Olhou para os olhos dela e abriu um sorriso de canto, lembrando da primeira vez que ele os viu. O brilho não estava lá, talvez por causa de toda a situação que eles passavam agora, era compreensível que ela estivesse abalada com isso, afinal, ele também estava. Com uma das mãos, ergueu o rosto da mais velha e encostou seus lábios sobre os dela, iniciando um beijo calmo e lento. O sabor salgado das lágrimas se misturava com o sabor do álcool presente nas duas bocas, mas ele não se importava com a estranheza da mistura, ele só se importava com ela, ali, naquele momento e mais nada.