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que linda essa
Brittany Hoffner
And if you’re thinking of me,
I’m probably thinking of you.
-Arctic Monkeys
Essa playlist é para mim?
Você escuta ela quando está dirigindo só de volta para casa a noite?
Outro dia fui a um show sozinha. Conhecia poucas músicas da banda mas era o suficiente para me tocar o bastante. Tem uma faixa específica que me pega muito, e comecei a escutá-la quando nossas crises iniciaram.
O fato é que a decisão de encarar aquele show sozinha, partiu de um lugar muito solitário, sabe. Eu e meu medo de estar só, de aproveitar a minha própria companhia. Sendo essa pessoa que sou, e você conhece.
Eu queria ter a sensação da solitude, entendendo isso e sentindo cada parte.
A música que canta sobre nós, para mim.
Chorei durante o show. Chorei de soluçar; Parecia que estava lavando a alma. Botando para fora uma angustia que me tomava a garganta.
Pensei sobre você, mas pensei muito e especialmente sobre a garota que fui ao seu lado, em como aquilo tudo para mim soava como uma despedida para ela.
Eu odeio despedidas. Todas me doem. Eu sou tão apegada...
Mas ali, estava só eu e ela, e eu precisava deixá-la ir.
Não sei em que momento me desencontrei. Ou se de repente percebi que olho demais para trás e ao olhar as comparações e análises são inevitáveis.
Eu sinto falta de algo, ou sempre senti? Eu sempre estive com esse sentimento de vazio e não reparei?
Costumo pensar tanto em você. Mas, porque alguém que participou apenas de um período de tempo da minha vida deixou essa lacuna aqui como se sua presença tivesse sempre existido?
Já perdi alguns amores, já tive algumas decepções. Acho que você teve o maior poder de me ferir, e você me feriu. Você quis. Fez toda questão. E parecia gostar disso.
Confesso que suas mensagens mexem comigo. E talvez você saiba. Talvez esse seja seu intuito principal com tudo isso.
Meu silêncio te corrói, e para você ele é uma resposta. Eu sinto tanta vontade de te dizer que é duro permanecer calada... mas não posso.
Sinto sua falta.
Sinto falta até do barulho insuportável do seu carro. Da sua risada, do seu olhar profundo que me intrigava tanto e eu nunca sabia se o que se passava por de trás era bom ou ruim.
Eu acreditava que tínhamos a química perfeita. Coisa de pele e toque mesmo. Que de algum modo nossas almas eram predestinadas. Nossos corpos eram biologicamente compatíveis. Isso explicaria o poder do seu toque em mim. Ou o choque que suas mãos tinham em minhas pernas enquanto você dirigia esse seu carro, em intervalos de risadas e olhares para o banco do passageiro, aonde eu sempre estava, aonde eu sempre estive, aonde eu sempre desejei estar.
Ao seu lado.
Quanto esforço eu fiz para permanecer ali, mesmo que horas e por muitas horas, parecesse que toda minha vida e existência se resumia a esse papel de coadjuvante na vida de outro alguém.
Me contentei com isso. Afinal, era ao seu lado. Você me colocou ali. Eu aceitei, mais do que isso, eu quis. Mesmo sabendo que era só o que me restava. Era pouco, eram migalhas, para frente daquela estrada existia muita história e eu jamais pensei sobre isso.
Você viajaria e faria paradas e eu continuaria ali, no banco do passageiro. sem sair daquele carro. aquele maldito carro barulhento.
Que direito tinha eu de reclamar? Era o que você ditava que eu merecia. E eu quis assim.
Aprendi muito, a que custo? Não sei. Dizem que a vida é assim. Se você se recusar a tomar as lições da vida, ela o fará assim mesmo, mas de um jeito que vai doer. Vai estilhaçar seu corpo e alma e você vai precisar aceitar. Quanto mais remediamos, mais prolongamos a dor. E eu remediei. Adiei incessantemente essa partida. Preferi sangrar, deixei sangrando... Esperando que fosse você estancar essas feridas, imaginando que era você o autor de todas elas.
Demorei a descobrir, ou demorei a aceitar? Será que agora já aceitei? É normal que não doa mais mas uma parte de mim deseje voltar?
Você ainda está por aí?
i just wish someone told me
Shaun Leane, Silver Thorn Arm-Vine and Earring, made for Alexander McQueen ‘Dante’ runway show A/W 1996
INLOVE
Sans Soleil (Chris Marker, 1983)
The moon during total eclipse,Red Hill Station, Pennant Hills, New South Wales, Australia, August 1904