O simples ‘vamos’ dele fez seu coração palpitar mais rápido. Apesar de seu pai dizer que ela podia reconquista-lo facilmente ela não acreditava naquilo, ela havia deixado ele louco, havia dito que eles não eram nada, que não estavam juntos, mas agia completamente diferente, ela o queria mas era orgulhosa, medrosa demais para admitir qualquer coisa. Tinha medo de perdê-lo e por isso se afastava tanto, não quero sentir aquilo, não queria chorar por ele, foi tentando se afastar, foi negando o que sentia, foi por não querer amar que ela amava ele. Sim, Florance Wayne estava apaixonada por Noah Morissett, mas fora covarde demais, cega demais, para ver aquilo até aquele momento. Balançou a cabeça por um momento, não queria falar nada e arriscar estragar tudo, por isso apenas andou para fora da casa, sendo seguida por ele. O carro já esperava por eles, e bastou uma rápida olhada no banco de traz para ver tudo o que havia pedido ali. “Não faça perguntas difíceis, ele não me deu detalhes.” - Correu entrando no banco do motorista. Geralmente quando estavam juntos ela o deixava dirigir, mas não poderia hoje. Dirigiram em silêncio por 10 minutos até uma das praias mais bonitas que ela já havia visto na ilha. Com palmeiras, água cristalina e areia branquinha. Estava feliz com o fato de o por do sol na ilha ser por voltadas sete e quarenta e cinco da noite, pois eles não haviam perdido ainda. Ela contava com mais aquela cartada. Estacionou próximo a praia e saiu do carro. Pegou a mochila no banco de trás e começou a caminhar, na esperança dele a seguir. Tirou as sandálias e pisou à areia tentando se acalmar, mas a verdade era que ela tremia dos pés a cabeça. “Okay, acho que estamos no lugar certo. Ele nos mandou esperar. Disse que nos encontraria aqui.” - Abriu a mochila e tirou um cobertor de lá, estendeu no chão sentando-se e quando ele se sentou ao seu lado, ela entrou em pânico. Não sabia por onde começar, não sabia o que dizer. “Meu pai me ligou mis cedo.” - Começou, olhando o horizonte, não conseguia encará-lo. “Ele disse que queria me contar que ele é minha me estarão oficialmente separados na semana que vem e que ele finalmente contou para meu avós que ele é gay.” - Seu tom era simples, baixo, como se estivesse contando aquilo a um amigo. “Ele queria me contar pois ele viu a gente cantando na noite do karaokê, disse que nós dois fomos a fonte de coragem dele.” - Ela deixou um riso sem humor escapar por seus lábios. “Eu descobri que o casamento dos meus pais sempre foi uma farsa quando eu tinha 15 anos. Eles sempre foram amigos e minha mãe se casou com meu pai para ajudá-lo a enganar meus avós, e conseguiram, até que meus avós começaram a pedir por netos, e então meus pais procuraram os melhores médicos para uma inseminação artificial, e foi assim que eu nasci.” - Seu olhar estava preso no por do sol, enquanto ela abraçava os joelhos. Foi preciso reunir toda sua coragem para virar a cabeça dele e encontrar os olhos de Noah. “Eu não sei o que é o amor, eu não sei o que é amar, nem ser amada.” - Mordeu o lábio inferior, apoiando o queixo em seu joelho. “Você me assusta, Noah. Eu tenho medo de me envolver, de sentir tudo isso, de te perder.” - Confessou ainda olhando em seus olhos. “Eu sei que a culpa é toda minha e que ninguém merece alguém que não sabe o que quer. Mas eu sei o que eu quero, eu só tenho medo de querer.” - Engoliu em seco, sentindo seu celular vibrar em sua mão, estava na hora. “Eu não tinha percebido até hoje o quão assumir que estamos juntos parece significar pra você, então…” - Ela apontou para o céu parcialmente escuro, um avião passava carregando uma faixa grande, na qual podia-se ler: NOAH + FLOR = ❤️, escrito em tinta neon. Ela revirou os olhos, como aquilo era brega, nada a ver com ela. Logo em seguida os fogos de artifícios estouraram, preenchendo o céu, agora ainda mais escuro, com luzes, forma do um grande coração. “Você aceita namorar com essa pessoa medrosa e cheia de defeitos?” - Ela perguntou, mordendo o lábio e fazendo um grande esforço pra não revirar os olhos e rir.
Notou o balançar de cabeça da loira, parecia que ela queria espantar algo de seus pensamentos, talvez o fato de um dia terem estado juntos? ou ela ter se deixado envolver com um colega de trabalho? Suspirou quando notou que ela conferia se a seguia, ela achava que ele era criança, por acaso? Claro que a seguiria… Ao menos por enquanto. Saíram da mansão entrando no carro, bateu a porta com força, mais força do que esperava, contudo não estava sabendo distinguir muito o que fazia, só agia. — Me ouviu perguntar algo? — indagou-a em um tom nada educado, seguido por uma bufada. Decidiu encarar a paisagem e não dizer nada durante o trajeto, chegaram àquela ilha: — Uma bela vista… — falou quando viu a paisagem. Florence estacionou o carro em silêncio e puxou a mochila começando a caminhas: mas que merda era aquela? que palhaçada tinham armado agora? Seus pensamentos rosnavam uns contra os outros, enquanto ele tirava o sapato deixando-o no carro e se colocando a segui-la. Se sentou no cobertor que Florence depositou na areia, claramente, incomodado com a situação toda: estava de saco cheio das breguices que acompanhavam aquele trabalho! a discussão e a ideia de retomar suas atividades tinham vindo na hora certa! — Eu ouvi… — falou fingindo não prestar atenção encarando as ondas quebrando. — Bom para ele… Assumindo seus sentimentos. — a cutucou. FLorence não falava da vida privada, assim ouvi-la contar aquilo fez seu coração disparar, mas lutava contra aquilo, eles não estavam juntos!I — Aquela noite foi divertida. — rosnou. Deixando-a prosseguir em silêncio, para então encará-la quando a loira começou a dar detalhes sobre sua concepção, não evitando o tombar de cabeça e a preocupação que cortou sua expressão. Lutava contra toda e qualquer vontade de abraçá-la e dizer que tudo ficaria bem, pois não ficaria. Ele não era o cara que ela estava dizendo, sim podia e queria dar seu amor a ela, mas… Em um gesto involuntário, seguiu para onde ela apontava e viu a faixa, começou a gargalhar sem parar vendo aquela faixa neon cortando o céu escuro. — Florence Wayne! Como você pode ser tão coração gelado e tão brega ao mesmo tempo! — falou alto em um tom descontraído entre gargalhadas altas. Tomou o rosto dela em suas mãos se ajoelhando na sua frente: — Minha mandona… — beijou sua testa: — Minha medrosa… — depositou um beijo em seu queixo: — Minha problemática… — outro beijo na bochecha direita:— Minha chata… — na esquerda: — Minha flor e namorada! — falou beijando, passou os dedos pelos cabelo dela para que a deixasse o mais próxima de si, se afastou apoiando a testa na dela: — Não posso prometer que serei perfeito, mas posso prometer tentar ser o melhor cara você, flor! Saiba que sou cheio de defeitos, não se engane, eu tenho pena dessa loira que vai ter que me aguentar… — sorriu-lhe.