E então, deixo de ser carne para ser poesia.
Não daquelas de amor, mas, certamente que amou demais e também odiou.
Mas daquelas que lhe faz pensar que cada segundo é um momento que não voltará e que a cada instante o futuro se torna passado.
Repouso a caneta, sopro a tinta para que seque rápido e não manche as folhas em branco que, posteriormente, escreverei.
Mas, as vezes, uma palavra ou um verso invade a outra folha, como borrões que não deveriam fazer parte daquele verso.
As vezes um pássaro canta antes do Sol nascer por conta das luzes da rua.
As vezes uma borboleta se prende ao entrar por uma fresta e precisa ser guiada para saída.
As vezes una lágrima pode ser apenas algo se despedindo de você.
E as vezes tudo pode não significar.. "nada".
Mas nada é um nada absoluto.
Momentos não nascem do nada e antes do nada algo ja havia. Mas, nenhum astrólogo ainda soube provar isso, quiçá eu, poeta de fundo de garagem, que sopra a tinta com cuidado, sem sequer saber se novamente escreverei.







