O ciclo vicioso da baixa auto-estima
Me peguei vendo fotos antigas, e quase que automaticamente sou levada para aquele momento; aquelas lembranças e sentimentos todos voltam. E então eu fico me perguntando: porque eu me sentia tão mal comigo mesma? Em cada uma das fotos, lembro perfeitamente bem de sempre me sentir mal com o meu corpo, ter vergonha das minhas curvas, querer sempre me esconder o máximo possível pensando que eu era imensa de gorda, e tão fora do que as minhas amigas eram. Estranha, esquisita, fora de lugar.
Sendo que hoje revendo essas fotos vejo como não havia motivo nenhum para isso. Sim, eu era meio diferente, me vestia de forma meio esquisita, mas em questões de porte físico, eu era perfeitamente normal, e uma menina até que bonita. Mas porque eu não consigo transmitir esse sentimento para a menina que eu vejo hoje no espelho e em fotos recentes? Porque nunca parece possível eu estar OK com o que eu vejo, e com a pele em que eu vivo?
Eu sempre me importei muito com o que os outros acham, como os outros me veem, mas de uns tempos pra cá eu fui me desligando disso, o que me ajudou muito. Mas o fantasma da minha própria mente é o que ainda fica aqui martelando, me limitando, me fechando numa bolha de auto destruição, de comparação com outros.
E aí daqui alguns anos ao rever fotos de agora, vou pensar: “nossa, mas eu era tão bonita!”, e provavelmente vou estar insatisfeita com o meu “eu do futuro”.
Ciclo.
Acredito tanto na força de amar a si mesmo, na luta por aquilo que acreditamos e pela mudança em busca da felicidade. Mas eu só consigo ir até certo ponto. Aprendi a me aceitar, mas empaquei num determinado nível. E nesse nível, eu descobri na minha viagem no tempo das fotos antigas, eu estou me enganando. O ciclo continua ativo, e eu ainda não aprendi a quebra-lo.


















