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@nessiesnotes
"Well, I guess there's only one question left."
Nobody ever talks about how selfless it is to choose, over and over again, to not commit suicide. Nobody ever acknowledges the tremendous sacrifice suicidal people make every time we choose not to kill ourselves. When a person who is suffering so horribly that death seems like their best option decides not to take their one way out, and to instead remain in hell, day after day, month after month, year after year, because they don’t want to hurt the people they love, they are doing something extraordinary. Not killing yourself when it’s all you want to do is the purest act of love I can imagine. Dying for someone is easy - you don’t have to deal with any of the consequences, you have your moment of nobility and then it’s all over. But living for someone, when the simple fact of consciousness is literal torture for you? Every single suicidal person who ever made a choice to not kill themselves in a moment of misery is a goddamn hero in my eyes. Wanting to die and still surviving is an act of titanic courage and self-sacrifice. We deserve more credit for it.
12 mil fotos? 12 mil cortes.
Você me prometeu que iria procurar ajuda e que mudaria. Eu acreditei em suas palavras, mesmo que suas atitudes tenham dilacerado minha pouca confiança e destruido minha auto estima.
Eu confiei em você, depositando o pouco de amor próprio que eu tinha dentro de uma caixa de Pandora e jogando-a no fundo da minha alma para poder te perdoar e recomeçar.
Eu não esperava que em menos de um ano, você me mostrasse que não valeu a pena ter passado por cima dos meus limites e da minha força de vontade. Não valeu a pena ter disperdiçado meses existindo, quando eu poderia ter desistido bem antes. Quando eu poderia ter acabado com meu sofrimento antecipadamente.
Me sinto humilhada. Nojenta. Podre.
Achar mais de doze mil fotos de mulheres variadas - nenhuma que realmente se parecesse comigo - não doeu mais do que achar vídeos e fotos da sua ex. Fotos comprometedoras, com cenas de sexo entre vocês.
Isso me causou tanta ânsia que por um breve momento, um momento de neurose, sonhei que meu ex poderia ter todas minhas nudes e vídeos nossos salvos em seu Drive para poder se masturbar quando quisesse. Até porque, era isso que você fazia com sua ex... Certo?
Minha vontade era poder te fazer doer na mesma medida que eu estou doendo. Poder contar para sua ex sobre essa merda toda e poder te assistir sendo excomungado por ela e por seu atual namorado, te socando até você não ter um sopro se quer de vida.
Eu queria poder me matar na sua frente sem te dar a chance de poder fazer algo para me impedir. E de certo jeito, você me fez morrer um pouco mais, desde então. Todos os dias eu estou me definhando lentamente, esperando por algum momento que eu possa me reerguer ou acabar logo com tudo isso.
Não consigo apagar da memória o que vi e muito menos apagar da memória do meu celular. Essas imagens são eternos lembretes de que talvez eu não possa mais confiar em você, ou que talvez algum dia você irá me trair. Apesar que pra mim, tudo o que você guardou é uma forma de traição.
Queria ter algum vídeo pornografico antigo para jogar na sua cara, mas não tenho e ainda bem que tive a noção de apagar toda a minha história com meu ex da nuvem e do meu celular. O mínimo que se espera, é que você faça o mesmo, independente se trocou de celular ou não.
Nenhuma desculpa será suficiente. Nada do que você me falar irá remover toda a decepção, dor e ódio que estou sentido. Eu preciso que você me mostre por atitudes, por correr atrás da merda que fez.
Eu posso ser extremamente apaixonada por você, mas não sou mais aquela garotinha que deixaria qualquer coisa negativa acontecer e fingiria que estava tudo bem. Eu prefiro morrer e padecer no inferno, do que ter que viver com esse desgosto.
O pior é pensar que tive uma crise por conta de insegurança. Eu te falei que me sentia trouxa e estúpida por ter te esperado, enquanto vcê curtiu sua vida e fez tudo o que queria. Os pensamentos que revoam em minha mente são de quantas pessoas você já pegou, até quantas mulheres já transaram com você.
Detalhe: você nunca transou de camisinha. Isso também me dói porque infelizmente sou uma idiota que se preparou, se preservou e se sentiu no direito de não fazer sexo com qualquer um que aparecesse na minha vida.
Meu primeiro beijo foi com meu primeiro namorado. Minha virgindade foi perdida com ele. Passei 6 anos com a mesma pessoa, tendo uma vida quase de casada, até você aparecer.
É injusto pensar que você teve tudo o que quis, porque esqueceu de mim na primeira oportunidade. E não é nada além disso. Você não pensava em mim como eu pensava em você e eu entendo que isso é minha culpa.
EU fui a idiota por ter criado uma história de amor e ter rejeitado tantas oportunidades que apareceram na minha vida. Eu poderia ter encontrado alguém diferente, sem ser o Bruno (quem sabe?), eu poderia ter saído mais, ter pensado muito mais em mim do que tentar esperar você aparecer na minha porta.
Eu me odeio por isso e me odeio ainda mais sabendo que eu não posso mudar o passado. Hoje, eu estou completamente insegura, triste, decepcionada e puta.
Eu fecho os olhos e vejo você comendo outro alguém. Eu tento dormir e sonho com você me largando. Eu reflito e penso em quantas porras de bocas você beijou até chegar na minha, quantas mulheres você apresentou pra família, quantas você levou pra sua cama.
Enquanto isso, só me serve de consolo que algum dia eu não irei aguentar mais isso e irei me matar.
21 de novembro, 23
Aqui estou mais uma vez. Acessando esse diário desconfigurado, sem atualizações, sem histórias e sem vida.
Aparentemente, só encontro utilidade quando a dor é maior que as palavras que podem ser proferidas pela minha boca. E é isto que me impede de soltar tudo aquilo que está preso na garganta.
A vontade é desarmar meu espiríto, rasgar a carne e queimar o corpo que me carrega por tantos anos a fio. A dor é lascinante e muitas vezes me pergunto se algum dia essa sensação irá embora, e se sentirei falta dela. Chega a ser algo grutal, animalesco. Uma mistura de raiva, desespero e tristeza.
Sometimes I feel that my way of living is disturbing you.
You teach me how to be more pessimistic and critical, which is something that I should work to dismiss from my life.
I do feel lonely and not included in your personal life when I think about my last experience, where my ex tried to include me in everything that was related to him and created a bond between his friends and me.
I try to make you feel good and important to the people I care about, and I always try to make you feel that my friends are yours too, but you don't seem to care or to give a fuck about it.
I don't care if your life experiences are different than mine, however, I do not allow you treat my way of living as shit just because you don't agree or understand how it works.
I'm tired of trying to be inclusive or empathetic when you are hard as a rock to open up to new experiences.
I'm sick of how you disrespect my emotions, how you just turn into a different person when you're with your friends (which you don't even know too well and still calling them friends) and when it's about MY friends (those who I choose to call friends or not, BECAUSE ITS MY CHOICE) you often treat like shit.
How it's okay I travel to someone's house just because they're your friends and when it's about idealising travelling to my friends house, it's not fine? Can you please stop to being such individualistic guy?
Just wait and you'll see how I can change my actions drastically. I'll stop being so stupid, I'll say NO more often and you'll have to deal with this by yourself.
Do you want to stay with your friends? Ok, that's not a problem to me, but you'll go alone. I'm not going to spend my time in places that I not feel comfortable with.
I'm done with this shit
20 set. 21
Eu odeio viver.
É isso, não tem grandes mistérios.
Todos os textos desse meu site dizem a mesma coisa, repetidas vezes. Isso me cansa e deve cansar você, caro leitor fantasma.
Tem dias que respirar é um sufoco, que saber que estou viva é uma maldição e que sentir meu coração batendo é como um lembrete de como sou uma covarde por não acabar com esse sofrimento logo. Vivo cansada de estar no meu corpo, de compartilhar minhas memórias, de saber quem eu sou e quem eu nunca poderei ser. Já me perdi diversas vezes e em nenhuma consegui me encontrar de novo, se é que um dia eu soube quem eu realmente era. Estar acordada dói assim como estar dormindo, pois minha mente me faz sofrer até durante os sonhos. Aparentemente meu próprio corpo quer me expulsar e faz isso de todos os jeitos possíveis. Cada novo dia é um novo sofrimento, é uma nova batalha contra mim mesma e com minha realidade. O mundo vive uma bagunça e nem posso contar com ele para fugir dessa merda de situação. Não tem lugar para correr, não tem onde se esconder, não tem o que ser feito. Quanto tempo mais irei aguentar toda essa pressão? Quanto tempo irei conseguir ficar nesse inferno sem perder de vez a cabeça?
03 set. 21
Querido setembro amarelo, Gostaria que você não fosse tão amargo como sempre é. Infelizmente ainda não tenho cabeça suficiente para lidar com a sua chegada e com todo processo que vem a partir disso.
Superar traumas não é algo fácil e rápido de se fazer, isso é um fato, mas revive-los para poder alertar os outros é no mínimo, agridoce. O rio de hipocrisia que cerca meu porto seguro me deixa instável, com medo de que suas águas batam em minha fortaleza e as derrubem.
A inspiração larga a minha mão nessas horas, me deixando a mercê de pensamentos negativos que não podem ser colocados no papel - ou na tela do computador - porque não conseguem atravessar o caminho até meus dedos, os impossibilitando de transmitir minha mensagem.
Seria errado eu lutar pela vida dos outros enquanto quero acabar com a minha? Talvez eu seja tão hipocrita quanto aqueles que julgo, até porque eu não teria anseios de fazer algo caso eu tivesse uma arma na minha frente.
Qual seria o sentido de continuar com minha existencia, tão patética e insignificante, quando todos sabemos que sou simplesmente substituivel? Me forço a entender essa necessidade das pessoas de me terem viva e isso é frustrante.
27 ago. 21
O vento frio faz os pelos do meu pescoço se ourissarem enquanto caminha livremente pelo meu rosto, num singelo carinho. Apesar do tempo fechado, sinto que posso virar uma chama acessa, quase como um maçarico, pegando fogo.
Queria sentir seus lábios colados no meu, encaixando-se da melhor forma possível enquanto lutamos contra a falta de ar. Poderia correr toda a distância possível somente para sentir suas mãos quentes escorregando pelo meu corpo, deixando um rastro em minha pele.
Você cria novos caminhos com a língua, como se estivesse descobrindo algo novo, mesmo que você já saiba de cor e salteado todas os pequenos detalhes da minha pessoa. É como se cada parte do meu corpo fosse exclusivo para você.
Seu peso trás um conforto ao me colocar prenssada com seu abdômen, onde posso sentir cada batida do teu coração. A cada arfar, é uma batida mais rápida, ansiando por mais contato, mais pele, mais folêgo e força.
Puxo seus cabelos como se pudesse te trazer mais para perto e sei que você não vê a hora de nos tornarmos um só, mais uma vez. Olhar para seus olhos é pedir para ser comida lentamente, graças a luxuria presente neles.
Tudo o que eu mais quero agora, é sentir você dentro de mim.
9 ago., 21
Há tantas partes de mim perdidas em inúmeros fragmentos, voando por todos os locais que já passei e talvez até aqueles que ainda não fui. Cada dia eu sinto que mais um pouco de mim foi embora e não resolveu voltar. É como se eu estivesse perdida dentro da minha consciência, cheia de labirintos escuros que me fazem dar voltas e voltas sem nenhuma resposta.
Lágrimas escorrem dos meus olhos, procurando algum refúgio. Sinto o oceano sendo criado aos poucos, dia após dia, depois de chorar sem parar. Me afogo na mesma água que criei, me deixo levar para o fundo como se fosse parte dele e me entrego a escuridão. Não há peixes, sereias ou barcos... Só eu estou lá. Parada. Afogando em sufoco, sentindo minhas lágrimas atravessarem cada célula, cada veia e cada átomo.
Uma parte minha acha que devo sofrer, enquanto a outra tenta iluminar o borrão que se formou em mim. Será que eu realmente mereço ser feliz? Não seria mais rápido se eu resolvesse terminar com essa tristeza?
No final do dia a pergunta que fica é "quem está no controle? Sou eu ou o parasita que habita em mim?".
Nesse momento estou tentando não surtar. Muitos pensamentos invadem minha cabeça ansiosa, correndo e perturbando meu fluxo normal de ideias. Ultimamente tenho me sentido como um furacão, onde tudo está sendo jogado ao ar e eu não sei o que devo fazer para esse sufoco acabar. São tantos medos, inseguranças, expectativas, frustrações e sensações que não consigo me decidir se quero continuar ou não nessa caminhada. Sigo decepcionando aos outros e a mim mesma, mesmo que não seja minha intenção. Antes todos os meus planos estavam concretos e eu me sentia segura, mas agora... Nada está certo, nada está caminhando como eu gostaria, nada está sendo bom o suficiente e isso é frustrante. Disse uma vez que tudo era mais fácil quando eu só obedecia e tentava alcançar as expectativas dos outros, pois pelo menos eu saberia para qual caminho devo ir, já que hoje tudo se encontra numa bela bola de neve, pronta para cair em cima de mim com toda a força possível. É difícil seguir a vida por si só, principalmente quando você foi induzida desde pequena a ser uma sombra dos outros. Eu nunca tenho certeza se estou fazendo algo que os outros querem ou que eu queira. Crescer é péssimo e ganhar novas responsabilidades também. Não me sinto segura de absolutamente nada e ainda tenho que correr atrás de tantas obrigações porque é isso que um adulto deve fazer. Infelizmente o medo me paralisa, me corrompe e me faz querer morrer, porque eu sei que eu não posso falhar e isso não é uma opção. Aparentemente eu não tenho nenhum talento, não sirvo para ser jornalista, não sei como vou me virar sendo artista e ainda não consigo me ver trabalhando em uma empresa. Será que eu estou sendo muito idiota em não querer passar pelo estresse de trabalhar para alguém? Mas será que eu tenho a capacidade de me virar sozinha e conseguir algum dinheiro? Tudo na minha vida sempre se resumiu a dinheiro e a falta dele. E eu sei que criei uma aversão e que eu coloco uma responsabilidade que não é minha nos meus ombros, jurando que a culpa da má administração dos meus pais é por conta do meu existir. Estou ficando cada dia mais cansada e desanimada para continuar vivendo...
devaneios de uma terça
Na maioria das vezes que venho escrever passo por bons momentos pensando em como eu posso colocar minha dor em palavras. Acredito que nunca vai ter um jeito certo para retratar as coisas que acontecem na minha cabeça e não sei dizer se isso seria algum tipo de bloqueio.
Falar sobre morte é muito difícil para a maioria das pessoas. Quase ninguém quer ou sabe lidar com temas tão sensíveis assim, o que acaba me atrapalhando muito quando quero me abrir para os outros. Não posso simplesmente chegar para a minha mãe e dizer na paz que se eu estivesse morta, todos os meus problemas seriam resolvidos. Ela nunca levaria isso como uma reclamação normal. E talvez nem seja.
Eu não meço palavras quando digo que queria estar morta, e isso se dá por diversas razões. O mundo é caótico e eu não sei se quero viver para ver como iremos lidar com toda desgraça que andamos jogando pro universo, meus traumas nunca serão resolvidos mesmo que eu faça terapia até o final dos meus dias, eu não precisaria pensar em revelar meu abusador para a minha família e muito menos pensar nas consequências que podem vir com isso... Eu não iria precisar me preocupar em ser alguém melhor para os outros, não teriam expectativas para serem colocadas na minha vida, eu não precisaria arranjar coragem e motivação para arranjar um emprego como qualquer um porque não posso ser uma vagabunda.
Eu não precisaria ter medo de encontrar meu abusador em casa, eu não precisaria viver com a vontade constante de me machucar ou conviver com pensamentos intrusivos me dizendo que não mereço ser feliz. Eu não precisaria manter amizades, ser sociavelmente aceita e muito menos gastaria energia tentando provar para eu mesma que eu tenho valor.
Todos os dias é uma batalha sendo travada dentro de mim. Uma parte minha se rói em agonia querendo que tudo volte a ser escuro como antes, enquanto a outra tenta segurar todas as minhas cargas nas costas e se esforça para não cair. Um tropeço e eu posso estar de novo no inferno que era antes. Um passo em falso e eu posso acabar me cortando só para matar a necessidade de me machucar quando tudo dá errado.
Eu odeio quando me falam que sou forte por conta dos meus problemas. Eu nunca pedi para ser forte, nunca quis saber de ser um exemplo pra alguém. Eu só queria ter vivido uma infância que me foi tirada de maneiras tão cruéis. Eu só queria ter o controle da minha vida, de poder viver sem ter flashes do abuso passando pela minha cabeça ou me assustando por meio de pesadelos.
Eu não merecia passar por nada do que passei. Eu não merecia ter meu corpo violado, minha cabeça corrompida, meus olhos cheios de lágrimas e tudo o que ainda vive dentro de mim.
Eu não precisaria pensar no meu futuro, principalmente porque eu não teria o peso na consciência de não poder me matar por conta de como meus familiares e amigos iriam reagir.
Por muitas vezes, eu gostaria de estar morta.
Morta porque, em tese, seria mais fácil do que ter que lidar com todos os problemas que me cercam desde que me conheço por gente. Se eu não estivesse viva nesse presente, eu não teria que acordar desesperada de um pesadelo onde meu abusador - que ainda tem contato comigo e que poucos sabem que é meu abusador - me sequestra e me estupra de inúmeros jeitos traumatizantes. Eu não teria que lidar com a confusão, medo e desespero e de outras consequências que todo o abuso me causou. Eu não teria que me questionar todos os dias se sou a vítima ou a culpada, mesmo que eu só fosse uma criança indefesa na época. Eu não teria que viver com a culpa de querer ter uma vida minimamente normal, de querer ter relações intimas com meu namorado e me sentir uma vadia porque eu não ajo como uma vítima deveria agir. Eu não teria que viver com o peso nos ombros de nunca ter aberto a boca para pedir ajuda, por nunca ter denunciado ou por não ter feito ainda, por falta de coragem e porquê já se passaram anos. Eu não teria medo de ser julgada, como sempre fui, de ter dedos apontando na minha cara me mostrando o quanto sou insignificante, mentirosa e má influência. Nem mesmo estaria pensando constantemente se meus primos mais novos também são abusados por quem me usou quando pequena. Eu não teria receio de gritar aos quatro ventos quem destruiu minha vida, sem medo de ser criticada porque ninguém acreditaria em mim. Eu não teria medo de contar pra minha avó que seu filho caçula é um pedófilo nojento que acabou com cada parte do meu ser, da minha dignidade e da vontade de viver que ainda me restava. Eu não teria que me preocupar em não ficar no mesmo ambiente que ele, estando acompanhada ou sozinha. Eu não teria que ter medo de acordar um dia e ter que viver tudo de novo. Ter medo de como eu posso voltar a ser a mesma criança que não conseguiu se defender, mesmo que agora eu tenha 20 anos. Eu não teria que me podar, não teria que desconfiar de qualquer homem que aparece no meu caminho e não precisaria desconfiar nem do meu próprio pai por medo de que alguém me abuse de novo. Eu não teria que ter medo do meu namorado levantando a mão mesmo que fosse pra coçar a cabeça, eu não teria que ter medo dele me achar uma vagabunda porque fui violentada e ainda estou num relacionamento depois disso. Eu não teria que sentir ódio de mim mesma por ter deixado tudo acontecer, muito menos me cobrar todos os dias da minha vida para me suicidar logo. Eu não teria que ouvir coisas ruins da boca de mais ninguém, não teria que olhar para a minha mãe e ter quase certeza que ela ficaria do lado do irmão, invés de apoiar a própria filha. Eu não precisaria ter medo de enfrentar a justiça desse país machista pra jogar meu abusador na cadeia, não precisaria chorar todos os momentos que alguma memória aparece na minha cabeça e muito menos ter medo das coisas que eu não consigo lembrar. Eu não precisaria enfiar minha cabeça no travesseiro para assustar os fantasmas que me seguem. Eu não iria me martirizar por não saber reagir, por entrar num estado de choque tão grande, que não consigo chorar de tanto medo e desespero por conta de tudo o que aconteceu. Eu não sentiria raiva de mim mesma e muito menos nojo. Eu não me sentiria uma idiota e covarde por não ter força suficiente para revelar esse segredo pra todos a minha volta. Eu não me culparia por saber que muitas coisas que aconteceram comigo, estão acontecendo com meus primos também. Talvez, se eu estivesse morta, tudo teria sido melhor. Não haveria dor, decepção, medo e nem receio. Não haveria uma alma destruída dentro de mim, não haveria uma vanessa que não consegue conversar sobre esse assunto com a psicóloga sem querer desmaiar pra não ter que abrir a boca. Eu não precisaria ter tanto medo de falar tudo em voz alta, porque nas palavras digitadas nada disso parece ser real de verdade. Eu não precisaria aceitar o fato que isso aconteceu comigo sim, e que pode acontecer de novo. Eu poderia estar feliz em algum lugar melhor.
Não, viver não é agradável. Eu só queria estar morta.
você
Queria me perder dentro de seus olhos, dentro do teu coração. Fundir não só meu corpo com o teu, mas entrelaçar nossas almas para sempre. Amaria sentir seu cheio completando o meu enquanto beijo seu pescoço, percebendo que você se arrepia com o toque dos meus lábios.
Mais do que um sobrenome, eu preciso da sua conexão, do palpitar do teu coração quando fica ansioso, da doce melodia que sai da sua boca e das risadas que melhoram meu dia. Queria poder me abrigar em teus braços todas as noites, me sentindo segura e amada.
Poderia segurar sua mão todos os dias, recebendo teu calor e sabendo que nosso laço é mais forte do que o aperto do nosso abraço. Seria mais realizada se teu sorriso estivesse presente todas as manhãs, se teus beijos sempre achassem o caminho do meu corpo e terminando em meus lábios.
Saber que o dançar de nossos corpos são ritmados, cheios de amor e outros sentimentos, algo que nunca tive a oportunidade de ter antes. Ouvir nossas respirações em sintonia, em nossa própria bolha onde nada pode abalar nossos emocionais, poder tocar em sua pele e saber que você sempre estará ao meu lado me faz torcer por um futuro somente nosso.
fear
Tenho medo de fracassar nas coisas que acreditava ser boa. Tenho medo de fracassar naquilo que nunca fiz. Tenho medo de fracassar em algo que nem imaginaria ter que fazer.
O medo de me sentir insuficiente me toma após mais uma rasteira que levo da vida, me desestabilizando e me deixando sensível demais as criticas. Eu sei que as pessoas sempre irão julgar independente do que eu faça, mas o gosto da derrota é muito mais amargo quando você se dedica muito a algo e é criticado sem chance de replica.
Muitas vezes me pergunto se sou realmente boa em algo e consigo perder horas pensando em como minha vida seria diferente se eu me dedicasse mais, apesar de muitas vezes eu me jogar de cabeça nas situações que me são oferecidas.
Eu entendo que a vida não é um mar de rosas e que não são todos que passarem no meu caminho que vão ser gentis, mas não deixa de ser dolorido ou sofrível. Talvez gastar minhas lagrimas em situações que não posso controlar seja perder meu tempo mesmo, apesar de saber que sou um ser humano com sentimentos e expectativas.
Cheguei num ponto onde não sei mais quais passos dar. Estou completamente perdida.