Open AU: Solveig’s gone.
O olhar vazio ainda mirava a sepultura recentemente construída e tão carinhosamente adornada. Estava ali há horas, havendo encontrado, ainda que contra todas as suas perspectivas de vida, um novo local para frequentar. O rosto estava manchado por lágrimas já secas e os olhos, por sua vez, ainda inchados e aparentemente desgastados. O clima tipicamente nublado da região trazia ainda mais desconforto ao rapaz que permanecia agora sentado diante do túmulo. Ainda custava a crer. Havia algo errado. Os deuses haviam errado… E nada mais fazia o menor sentido. Nada.
— O que eu faço…? Eu… Eu não sei. — A voz fraca e vacilante carregava toda a confusão que assolava Eiríkur naquele dia. — Num momento você estava aqui e agora…
Uma pausa foi necessária, visto que aquilo já estava pesado demais para seu peito dolorido, para seu corpo e principalmente para a alma. Fitar aquele memorial era como ter diante de seus olhos a constatação de que pelo menos metade de si ali repousava. Era inacreditável.
— Você realmente fez isso comigo…?
Em sua longa vida, Solveig viu diversas mortes e causou metade delas. Chegou perto da sua muitas vezes também. Tanto foram as vezes que provável que chegou a um ponto onde se achava uma verdadeira imortal.
Então, os deuses devem tê-la castigado por crer em algo tão tolo causando que achava impossível. E fazê-la assistir tudo sem poder intervir para provar aos outros, sua amada família, que no fim não estava tão morta assim, mas qualquer magia que tinha se foi e eles não conseguiam a ver.
Entre todos, Solveig permaneceu ao lado de Eiríkur, entre todos, o mais jovem e que insistia em permanecer sozinho em seu luto. Era o que mais preocupava a norueguesa, ele sempre foi o mais especial no coração dela, ela o considerava como um irmão de verdade e com isso também acreditava ter o dever de protegê-lo, mas agora, era ela que causava tanta dor ao menor.
Ela olhava de frente para o islandês, sentada em cima de sua sepultura, tentou mais uma vez tocar o outro, estendendo sua mão, mas como assim em todas as vezes anteriores, passou direto como se ali fosse apenas ar, ou se como ela fosse.
“Fui uma tola... Tantos anos devem ter me feito muito confiante e... fizeram-me então falhar contigo...” Solveig que nunca era conhecida por falar ou ainda mais falar de seus sentimentos, começou a fazer o que nunca fizera quando viva, não seria como se agora fosse fazer alguma diferença – mesmo que o aperto em seu peito quisesse diferente. “Escolhi você como meu irmão, sendo isso por todo esse tempo... E muito mais... Talvez a melhor coisa que tive por todo esse tempo... Mas falhei, não? Você está quebrando tão rápido... E tudo por minha c-culpa...”
Lamurias não paravam de sair da boca da norueguesa e logo então, com uma primeira gota, lágrimas também começavam a descer por seu rosto. Talvez todas aquelas lágrimas continham mais do que culpa de sua falha com Eiríkur, anos sem chorar para então explodir daquela culpa, mas o aperto em seu peito que a trazia dificuldade para respirar era somente por aquilo. Suas palavras não alcançariam o outro, estava sozinha agora, completamente, mas queria tanto, pelo menos Eiríkur, pelo menos seu irmãozinho.











