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henriquessa:
Uma mania do príncipe era sempre fazer com que a conversa se voltasse para si. Era praticamente impossível para Edward não trazer o foco para sua beleza perfeita, sua personalidade agradável, notas altas — tirando a prova de Bondade porque, ali, ele havia falhado miseravelmente. Então, quando a ruiva comentara que não era acerca de si, o príncipe assustou-se ligeiramente, mas acabara percebendo que, de fato, era compreensível que dissesse isso para o ratinho. Não era ele quem estava assustado para começo de conversa? “Ah, claro, o ratinho… Ele também não está mais ofendido.” Afirmou para trazer conforto à ruiva. O ratinho, de fato, estava mais preocupado com a comida que acabara de pegar do que necessariamente com a conversa de ambos. “Que terrível!” Exclamou com o relato acerca da Ilha, sentindo-se ligeiramente infeliz pela garota ter passado por tanta coisa antes de sua mãe agir com coragem e gentileza para com ela e sua família, retirando-as da Ilha. “Eu não consigo imaginar que vida difícil era por lá.” Mostrou-se verdadeiramente consternado. Recentemente, permitindo-se não ser tão evasivo com os novatos e mostrar um pouco de simpatia, passou a conversar com alguns. Realmente, alguns garotos da Ilha eram realmente terríveis e não mereciam qualquer demonstração de cuidado do príncipe, entretanto, outros eram mais educados, gentis e atenciosos — como Nellie, sua amiga de todas as horas — e não mereciam uma vida tão rum. Octavia também era uma boa pessoa, com uma vida dificílima. “Seu dedo.” Apontou com o questionamento, terminando o seu trabalho de primeiros socorros com um sorriso em sua face. Ora, como assim tirara quatro na prova de bondade? Aquilo não era uma ação bondosa? Desfazer de um dos seus lenços bordados com fios de ouro para cuidar de um ferimento? Se não era bondade, não sabia o que poderia ser aquilo. “Foi o que eu disse… Você está bem, Corinne?” Questionou-a preocupado com o modo como estava se portando. Parecia dopada ou algo assim. “Ou ele pode estar realmente doente. Você está estranha… Vamos, vamos para a enfermaria. Vamos cuidar desse ferimento.” Sorriu para a descendente, segurando o pulso do dedo machucado e, com a mão livre, segurando em seu ombro. Ora, teria de falar sobre essa situação para aumentar a nota de sua prova.
Culpar o pobre ratinho pelos sintomas de sua paixonite não parecia o mais correto a se fazer, no entanto, parecia vantajoso fingir estar mal quando aquilo trazia a atenção de Henri para si. Raramente a filha de Drizella podia contar com aquele privilégio, sentia-se não muito mais importante do que qualquer outra garota de Auradon, uma amiga, talvez nem mesmo isso. Corinne levantou-se ainda hipnotizada pelo toque gentil do lenço em sua mão ferida, deixando o príncipe guiá-la. “Acho que você está certo” concordou, desfazendo-se do sorriso, mas incapaz de disfarçar o olhar apaixonado. Um pouco de drama não faria mal a ninguém, no máximo desperdiçaria uma vaga na enfermaria, mas oras! Corinne estava doente, não apenas pela possível infecção causada pela mordida do rato, estava doente de amor. Todos sabem que algumas loucuras e desvios são permitidos quando o assunto era o amor. E, ah... Henri estava segurando sua mão, tocando seus ombros! O calor da pele dele contagiava o corpo de Corinne, levando um rubor ao seu rosto. Como uma mentirinha que causasse aquela sensação poderia ser errada? “Onde fica a enfermaria?” Apesar de viver em Auradon há anos, era educada em casa, afinal, filhos de vilões não eram autorizados a pisarem no colégio principal até recentemente. Adam havia providenciado um professor particular para ensinar sobre cálculos, história, geografia e outras disciplinas básicas sem que Corinne precisasse se misturar com preciosos filhos de heróis. Com a chegada de novatos da Ilha, no entanto, o natural era ser aceita em Auradon Prep, livrando-se do inferno que vivia com as Tremaine durante o período letivo. Aquele ano seria diferente, sentia isso. Havia sido convencida por Drizella a utilizar o livro de magia para ascender se necessário, contudo, algo no coração de Corinne lhe dizia que o amor finalmente lhe daria uma chance. Talvez alguns truques não mágicos fossem o suficiente para conquistar o príncipe de seus sonhos. “Você é muito atencioso, obrigada, Henri” falou em um tom baixo, vulnerável, tal qual uma donzela em apuros. Heroínas eram corajosas, sim, mas precisavam dar espaço ao interesse romântico para mostrarem bravura e cavalheirismo. Vovó ficaria orgulhosa. Um pouco. Talvez.
Ariel: What is your favorite possession?
Meu livro de feitiços. Sei que o Rei Adam não gosta, mas tem tantas coisas úteis aqui, me salvou tantas vezes.
Atlantis The Lost Empire: Who is the most eccentric or unique person you’ve ever met?
Cruella De Vil, no mau sentido, claro. Acredito que seja a pior pessoa de toda a Ilha. Ela que me inspirou a me tornar vegetariana, mesmo havendo a opção de carnes de caça e outras coisas chiques aqui de Auradon.
"Eu particularmente acho que você fica muito bonita de azul, mas não que eu esteja reparando." / Henri
Você... acha mesmo? De verdade? Vovó sempre disse que ressalta minhas sardas e que pareço suja. Mas confio em você, nos seus olhos... Vou usar mais esse vestido. Muito obrigada, Henri, fico lisonjeada.
"Se você não parar com essa fixação por animais, daqui a pouco tá falando com cabras..."
E por que não? Esmeralda fala com cabras! Além disso, cabras são criaturinhas adoráveis, já viu um filhotinho?
The Little Mermaid: Would you ever change for someone else? For yourself?
Sim, acho que sim. Talvez eu já faça isso e não sei dizer se realmente sou quem eu sou. Isso faz sentido?
ask me!
henriquessa:
“Então está tudo bem!” Porque mamãe sempre o ensinou que guardar rancor dentro de si apenas traria sentimentos ruins em demasia e não sobreviveria com tanta mágoa dentro de seu coração. Assim como não tinha tempo de cuidar do seu cabelo da forma como ele merecia e ficar cultivando sentimentos negativos por ninguém! “Eu não estou mais ofendido. Eu te perdoo.” Porque, de fato, havia ficado ofendido por ter um ratinho tratado daquela forma perante seus olhos. “Eles não são diferentes, mas acho que são um pouco assustados…” Aproximou a cabeça da ruivinha para que seu companheiro roedor não o ouvisse. “Além dos animais de estimação, temos o pessoal do pântano que faz churrasco de rato.” Assentia com a cabeça. Todavia, muito embora falasse com tanta propriedade, não sabia se era realmente verdade. Mas, ao ver que o dedo de Corinne estava sangrando, rapidamente abandonou o assunto. Oh, isso não poderia estar certo! “Nine, seu dedo!” A exclamação ligeiramente assombrada viera junto com a indicação do príncipe, o dedo apontando para o ferimento. “Você não poderia ter feito isso!” O rato, entretanto, não o entenderia se não cantasse, mas não estava inspirado para cantar agora que estava preocupado com o dedo de Corinne. “Hm, por mais que não acredite que ele tenha, realmente, alguma doença, sugiro irmos na enfermaria. Deixe-me ver o que tenho aqui…” Comentou ao procurar em seus bolsos, encontrando um lencinho, pois um príncipe encantado sempre tinha um lenço para ocasiões diversas — nunca sabendo se iria utilizar. “Voilà! Deixe-me enrolar isso aqui para estancar o sangue…” comentou ao colocar o lenço no dedo que sangrava. “Prontinho.”
Os olhos de Corinne piscaram algumas vezes até entenderem em que momento o assunto passara a ser Henri. Claro, na cabeça da filha de Drizella ele sempre fora o destaque, porém vez ou outra ela era capaz de distinguir a vida real de seus devaneios. “Eu estava falando com o ratinho...” explicou, um pouco constrangida. “Mas não queria te ofender também.” E lá estava ela, correndo o risco de parecer mal educada novamente, tropeçando ao pisar em ovos. Como encontrar o equilíbrio entre ser honesta com seu amor verdadeiro e não afastá-lo com sua etiqueta falha de camponesa. “Na Ilha também comem ratos, não tem muito o que comer lá. Mas sou vegetariana.” O sorriso em seu rosto era orgulhoso, no entanto, era difícil manter-se nutrida com as poucas opções de cardápio em sua terra natal. Havia sido uma criança fraca, frequentemente anêmica até se mudar para Auradon e descobrir que existia mais do que roedores fritos e frutas podres. A terra dos heróis era um paraíso. “O quê?” ela perguntou, tendo se esquecido do pequeno confronto com o rato. Com a consciência do machucado retomada, o dedo de Corinne voltou a arder e correr para a enfermaria lhe pareceu uma ótima ideia, mesmo que tivesse de deixar a companhia de Henri. Espera... ferimento? Que ferimento? Henri VI estava segurando sua mão!!! O que era aquilo? O destino havia sorrido para a filha de Drizella mais uma vez? Ele estava sacrificando um de seus lindos lenços de príncipe para ajudá-la! Que cavalheiro! Que... Corinne suspirou, encarando-o com um sorriso bobo no rosto. Passaram-se alguns segundos antes que ela retomasse a capacidade de verbalizar frases coerentes. “Não, não, claro que o ratinho não está doente... Claro que não...”
emileumanoites:
“Achei que você era tipo filha adotiva de Cinderella ou algo assim. Não tem algo sobre princesas fazerem o suficiente para se sentirem melhores consigo mesma?” O sarcasmo era evidente nos dizeres de Emílio, pois, embora existisse a ideia de que as princesas faziam o que faziam pelo bem de todos, o rapaz bem sabia que havia uma questão para aplacar o próprio ego em jogo. Não iria, porém, se manter no assunto para ofender a figura de Ella para Corinne. Ela poderia gostar da outra e ele não estava disposto a lidar com uma uma discussão naquele dia. “E Cinderella, tendo sofrido tudo que sofreu com a sua avó, te deixa morar lá?” Porque todo mundo conhecia a história da gata borralheira, não é? Que era maltratada pela família e blá blá blá. E, então, vai Cinderella e deixa a mulher sair da Ilha? Oh, espere, isso quer dizer que ele poderia tirar sua mãe da Ilha, caso pedisse? Era sua mãe, não é? Poderia conhecê-la! “Como Cinderella conseguiu fazer com que vocês saíssem da Ilha? Com quem ela conversou e o que falou?” O tom era até mais brando, se considerasse o padrão de Emil. Realmente gostaria de saber mais informação para, eventualmente, usar a seu favor. “Ou você deixava seu pai ou ficava morrendo lá na Ilha. O que você ia preferir?”
tw: maus tratos.
Corinne ficou chocada ao ouvir as palavras de Emil. Uma coisa era debochar das cantorias espontâneas de Ariel, outra era acusar princesas de fazerem boas ações apenas em prol da própria consciência. Se fosse ela a agir daquela forma, provavelmente seria mandada de volta para a Ilha dos Perdidos no dia seguinte. “Oh, não, Ella foi gentil o bastante trazendo minha família para Auradon” corrigiu-o, temendo que alguém a ouvisse e espalhasse o boato de que era uma vilãzinha ingrata pela bondade da impecável Cinderella. E Corinne realmente não podia culpá-la por pensar que as Tremaine haviam aprendido a lição após tantos anos na Ilha. Adam, de tempos em tempos, enviava agentes de serviços sociais para fazerem inspeções na casa da família, que fingia viver de modo saudável. Drizella fingia ser a responsável por cozinhar e limpar a casa, enquanto Corinne cobria o máximo de seu corpo para esconder as marcas de punições da avó com um belo sorriso. “É complicado, ela faz o melhor que pode.” E abaixou o olhar, sentindo-se culpada. Talvez Cinderella a ajudasse se soubesse das crueldades de Lady Tremaine, no entanto, entregar a mãe e a avó para as autoridades daquela forma parecia errado. Drizella a chamaria de ingrata apenas por pensar no assunto. “Não sei exatamente como foi, faz dez anos que nos mudamos... Ela fez um acordo com o rei, mamãe e vovó só podem sair de casa acompanhadas por um responsável competente” explicou, lembrando-se que guardas do palácio as acompanhavam sempre que passeavam pela cidade com Anastasia. “Você acha mesmo que me deixariam ficar para trás na Ilha? Não... Na época eu nem tive escolha. Mas eu bem que teria pensado no assunto. Quem sabe. Talvez eu fosse uma pirata hoje em dia.”
henriquessa:
Henri e Corinne se conheciam desde a adolescência e, para sua mãe, ele até nutriu uma paixonite adolescente pela ruiva por alguns anos. Mas, claro, tudo sempre fora veementemente negado por Henri VI e lá estava a prova! Jamais gostaria de uma garota que se aproximava de forma tão bruta dos pequenos ratinhos e ainda os chamava de “bicho idiota”. “Você chamando meus amiguinhos assim até me ofende.” E, com um biquinho, se aproximou, cantarolando para o ratinho que parecia realmente mais interessado na companhia de Edward. Ele até cantou de volta para o príncipe! “Viu? Tem de saber quais são as músicas que eles gostam. Não quero te ofender, mas ele disse que você é assustadora.” Mas mamãe iria ficar extremamente chateada se terminasse a conversa assim, pois Corinne era uma preciosa joia que fazia Ella se sentir bem consigo mesma. “Mas é porque você chegou do nada. Eles se assustam com isso.”
Os olhos de Corinne arregalaram-se ao ouvir o comentário de Henri. Mais do que qualquer príncipe, o filho de Cinderella deveria vê-la com bons olhos, afinal, tudo que fizera desde o primeiro passo para dentro do castelo da princesa havia sido com um objetivo: conquistar o filho dela. Tinha o plano traçado em sua mente, marcado por vovó em sua pele toda vez que a desobedecia, mas também acreditava que haviam sido feitos um para o outro. “Não! Foi da boca para fora, não quis ofendê-lo” explicou, direcionando as últimas palavras para o ratinho. Frustrava-se por não atrair os animais com tanta facilidade quanto Branca de Neve ou Cinderella, tinha um desejo real de transformá-los em seus amigos. Conquistar príncipes como Henri era apenas parte do objetivo. De qualquer modo, a presença de seu interesse amoroso fez com que Corinne se esquecesse do dedo sangrando. “Os ratos daqui são diferentes, creio, os que vivem lá em casa gostam das minhas músicas.” Ela não sabia dizer aquilo com certeza, mas gostava de acreditar que os roedores se interessavam não apenas pela comida.
pandoraquerdormir:
O verdadeiro sentimento que abrangia dentro de si era pena, como uma garota tão bonita - não negaria que possuía uma beleza que lhe atraía, mas não que isso importasse no momento - que precisasse segurar um ratinho, indefeso, para apresentar uma imagem de princesa ou seja lá o que queria apresentar. “Acho que todos os dias estão de mau humor, devem ter medo de nós humanos.” Comentou docilmente enquanto seus olhos analisavam a pequena mordida. “Verdade, não acho que qualquer um deva utilizar magia, pode ter danos caóticos demais.” Recitou uma das frases que lembrava de suas aulas, as poucas que a Fada Madrinha parecia sã, sem nenhum pingo em suas veias. “Eu não tenho nenhum aqui, mas podemos ir até um banheiro cuidar disso, lavar ele e colocar um pouco de papel para até encontrarmos um.”
Corinne concordou veementemente, embora fosse hipocrisia de sua parte. Tinha seu livro de magia bem guardado na bolsa e usava um feitiço ou outro sempre que era conveniente, no entanto, precisava fingir que estava de acordo com toda a balela dita por Adam e Bela. Oras, era muito fácil abdicar da magia quando se tinha centenas de criados a seu dispôr! Aurora e Cinderella haviam usufruído de encantos para ocasiões especiais, o próprio Adam precisara de uma maldição para se tornar um mocinho. Eram injustos, isso sim. “Oh, seria ótimo” respondeu, acreditando que se aproximar de Pandora seria uma excelente forma de chegar ao gêmeo dela. Embora parte de Corinne invejasse e ressentisse as novas princesas, não podia negar que elas eram excelentes aliadas. “Devem ter algo na enfermaria. Você em acompanharia?”
emileumanoites:
Outra coisa que jamais compreenderia acerca do choro das pessoas: por que elas insistiam em negar que estavam chorando quando estavam claramente chorando? “Ata. Esse olho cheio de lágrima é o quê?” Não era merecedora de tamanha rispidez, conquanto, Emílio não era cheio de tato. “Tá, tá, não me importo muito também.” Gesticulou com a própria mão, indicando o quanto aquilo não seria de grandíssima importante para si. Emil estava cada vez mais insuportável e era até mesmo uma grande vitória manter-se em comunicação com o Marinho por mais do que alguns minutos. Corinne era uma vencedora. “Não, princesas não fazem is-”, mas rapidamente se calou, pensando que havia acabado de dar um exemplo perfeito de que princesas falam com animais. “Tá, elas fazem isso, mas você não tem de fazer para não ser mandada para a Ilha. Você não vai voltar pra Ilha só porque não fala com ratos, pelo amor do Criador!” Exclamou um tanto exasperado. Ser parte da nobreza de Auradon, na verdade, era a coisa mais irritante do mundo. Compromissos, comportamentos e, obviamente, todas as Casas possuíam segredos. A Marinho era um exemplo disso. “Você já mora com a Cinderella, não mora? Ela não vai deixar o Rei Adam te mandar de volta.” Estava certo no que dizia, pois, apesar de ser extremamente ácido em seus comentários, no fundinho não queria que a ruiva fosse mandada para a Ilha; e seu desejo era manifestado na certeza. “E a Cinderella te coloca pra fazer faxina?” Aquilo merecia muito da sua atenção.
Involuntariamente, as sobrancelhas de Corinne levantaram-se, satisfeita por não só ter seu vasto conhecimento de princesas reconhecido, mas também ser maior que o de o filho de uma delas. Ainda assim, era complicado explicar de forma clara todos os motivos para querer imitá-las sem expôr planos e traços de sua personalidade que não estava disposta a assumir. Embora fosse genuinamente sensível, romântica e sonhadora como qualquer heroína, também possuía um lado calculista e ambicioso mais característico de vilões e nada apreciado em Auradon. Em resposta, apenas suspirou, julgando melhor não contar ao filho de Eric que estava cedendo às vontades da mãe e da avó em uma caça ao ouro e poder. “Não, eu moro com a Cinderella, ela no máximo tolera minhas visitas ao castelo” explicou. A princesa era gentil, sim, mas não mais do que era com qualquer um que cruzasse seu caminho. “Eu moro com minha mãe e minha avó aqui em Auradon, Cinderella achou que dez anos de punição na Ilha fossem o suficiente. Mas temos que nos comportar, nos ajustarmos à vida aqui.” E isso, é claro, só seria assegurado com alianças vantajosas, especialmente um casamento. “Não é tão fácil quanto parece, sabe? Tivemos que deixar meu pai para trás.” Uma pitada de dor e sacrifício pela esperança de uma vida melhor.
emileumanoites:
Ah, pronto. Garota chorando. Tá aí uma coisa que nunca soube lidar muito bem. Nem quando sua irmã chorava, ele sabia lidar, imagina Corinne? “Você pode parar de fazer isso aí?” Começou, percebendo que não havia sido tão específico. “Chorar, no caso. Por favor?” Praticamente implorou, olhando para os lados como se estivesse esperando que alguém se aproximasse e dissesse que estava sendo cruel com princesinhas. Não precisava de mais isso no seu currículo de problemas. Sem saber muito bem como reagir, esticou a mão, mas depois voltou com a mesma para o lugar. Céus, por que pessoas choravam na frente das outras? “Minha mãe era uma sereia, né. Sereia. Peixe. Falando com… Peixes? Basicamente isso. Não é parâmetro pra nada.” Mesmo que soubesse da verdade, a sua primeira referência materna seria sempre Ariel, associando a fala da ruiva automaticamente a esposa de Eric. Era estranho perceber que não era mais sua referência, mas era explicável o motivo de nunca ser o favorito. “E você não tá em musical pra ficar cantando, né? Eu não quero ser o estraga prazeres, mas” — estalou os dedos duas vezes — “acorde pra vida. Ficar cantando pra falar com animal é coisa de gente pirada. Minha mãe era pirada também, cantando do nada. Canta até hoje.” Mas era curioso o bastante para perguntar: “Por que você quer falar com ratos?”
As mãos de Corinne foram levadas rapidamente aos olhos, enxugando qualquer resquício de lágrimas que pudessem ter se formado. Era uma garota sensível, sim, mas aprendera há muito tempo como engolir o choro na escola Tremaine de boas maneiras. “Não estou chorando” mentiu, forçando ter alguma compostura diante das duras críticas do príncipe. Se quisesse ser vista como uma boa futura esposa, não deveria aborrecê-lo. Quase podia ouvir vovó a corrigindo: levante a cabeça! Sorria! Não o questione! Concorde com ele! O que você está fazendo? Parece uma desmazelada com esse cabelo! Você é uma ingrata, é isso que é, vamos morrer todas nesse barraco por sua causa! E a filha de Drizella de fato acordou com o estalar de dedos de Emil, incapaz de prestar atenção no que ele havia falado antes. Parecia estar a criticando, porém Corinne deixou uma risada escapar ao ouvi-lo debochando do comportamento de Ariel. Aquilo não estava nas histórias, um príncipe que não apreciava cantorias e tentativas de diálogos com animais. Se estava usando a abordagem errada, qual seria a correta? “Bom, é o que princesas fazem. E não quero correr o risco de ser mandada para a Ilha. Além disso, ratos são bons interlocutores lá em casa durante a faxina.”
pandoraquerdormir:
Pandora andava meio perdida pelos corredores de sua escola, procurando alguma coisa ou um lugar para que pudesse dormir, por pelo menos, alguns minutos antes de suas aulas da tarde começarem, quando parou ao escutar uma pequena cantoria vinda do fundo dos corredores. Nada novo, mas a filha de Aurora ficou confusa ao notar as palavras que assemelhavam as canções de Cinderela, mas uma filha perdida dela por aí? “Olá, acho que ele não responderá…” Chegou mais perto da garota ruiva, aparentemente não era filha de quem imaginou. “Só se você fez um feitiço nele ou algo do tipo.” E fácil assim, sua tentativa de dormir foi chutada para fora de sua mente. “Você está bem?” Aproximou-se mais da garota para tentar ajudar com a mordida.
É claro que ele não responderia, animais só eram fofos com princesas de verdade, aquelas destinadas a assumirem tronos e serem felizes para sempre. Havia espaço para apenas uma gata borralheira na corte de Auradon. Corinne levantou-se humilhada e sentiu-se pior ainda ao perceber que a garota oferecendo ajuda era uma das filhas de Aurora, uma princesa de berço. Ugh. Por que não podia ter a vida fácil assim? “Acho que está de mau humor hoje” respondeu, não acreditando realmente no que dizia. Era claro que os animais possuíam um desgosto pessoal contra a filha mais velha de Drizella, porém ela jamais assumiria isso para os colegas de Auradon Prep.
“Oh, magia é uma coisa perigosa, eu não poderia fazer algo assim.” A resposta veio tardiamente. Aquela era, na verdade, uma excelente ideia. A Fada Madrinha, em um de seus vários porres havia a presenteado com um livro de feitiços e, desde então, Corinne vinha apenas fingindo que não o utilizava para problemas triviais. “Eu não sei, acho que precisa de um curativo” palpitou, vendo uma gota de sangue crescer na ponta do indicador.
emileumanoites:
“Você tem algum problema de fala, Corinne? Alguma barata entrou na sua boca pela madrugada e você acordou sem conseguir terminar uma palavra?” O questionamento era válido quando pensava sobre a forma que a ruiva se comunicava com… Espera, ela estava tentando falar com um rato?! “Você só pode tá zoando com a minha cara!” Era usualmente debochado, irônico e sarcástico, portanto, não era realmente nada demais observar que, em verdade, iria debochar da descendente por ela estar tentando falar com um rato. “Você ainda deixou o rato de morder? Você não é burra não, Corinne. Que você quer falando com o rato? Tá drogada? Onde arrumou isso?”
Talvez pela mordida do rato, talvez pelo deboche de um dos príncipes da Auradon Prep, os olhos de Corinne encheram-se de lágrimas. Por que não conseguia fazer nada direito? Nem mesmo cantar para um rato, o que tantas princesas originais faziam parecer tão fácil... Drizella e vovó estavam certas, não passava de uma garota burra com um rostinho bonito, mas ordinário, nada suficiente para conquistar um príncipe à primeira vista. “Eu estava cantando” explicou, levantando-se ao pressionar o dedo indicador ferido. “Sua mãe falava com animais. A Cinderella, a Branca de Neve... Não sei, acho que só parte deles deve ser amigável.” Ela calou o sorriso esperançoso mordendo o lábio inferior, sentindo-se culpada por praticamente entregar a um dos solteiros mais disputados da escola que não era tão digna do afeto de bichinhos quanto uma princesa.
Corinne saltitava pelos corredores mais profundos dos castelo, cantarolando algo sobre a redação de administração pública quando viu um rato cruzar seu caminho. Um amigo! Bem, era isso que ela imaginava que os pequenos animais deveriam ser aos olhos de uma aspirante a heroína. “Rati-nho peque-nino, o que te aflige?” cantou, abaixando-se à altura dele. Cuidadosamente, estendeu uma mão para acariciá-lo, apresentar-se… algo que imaginava Cinderella fazendo. “Vem ser meu amigo, confidente queri-do…” E, na última palavra, o rato avançou para morder seu dedo, logo correndo para longe. “OUCH! BICHO IDIOTA!”