Lorraine: O meu time está sendo um caos, mas eu já esperava. Eu só aceitei participar porque estou fazendo pequenas coisas pra sair da minha zona de conforto.
Tommy: O teu time tá um caos? E o grumpy cat Murdock que tá tendo que jogar com a ex dele e vários esquisitinhos do instituto?!
— Quem você acha que vai receber mais cartas esse mês? — Nadya perguntou para Zin, assim que elas tomaram seus lugares na mesa. Mariya já estava com uma pilha de cartas na mão, lendo seus nomes e entregando-as para seus respectivos donos. — Aposto no Luka.
A golden retriever inclinou a cabeça para um lado, depois para outro, encarando Nadya com uma carinha engraçada.
— Você sempre torce por ele. É porque gosta dele. — Zin disse dentro de sua cabeça, como se fosse um fato.
A Rasputin sentiu o rosto corar, e desviou o olhar.
— Para. — a mutante disse, rapidamente trocando de assunto. — Não respondeu minha pergunta.
Se cachorros pudessem rir, Nadya sabia que Zin estaria gargalhando. Ela entĂŁo apontou o focinho para Mariya.
— Acho que Mariya vai receber mais cartas. Por causa da última missão.
Nadya tomou um gole de seu chá de hortelã, sorrindo.
— Bom, veremos.
Nadya se recostou na cadeira, e segurou sua caneca com uma mĂŁo, enquanto a outra fazia carinho no pelo de Zinaida, as duas observando a competição que estava ficando cada vez mais acalorada, com Lukyan falando por cima de Mariya, Arkadiy tentando roubar algumas cartas para irritá-la, enquanto Lana tentava colocar ordem em tudo, e Jackie observava todos eles, com um sorriso em seu rosto.Â
Era quase sempre a mesma coisa, uma manhã leve, divertida e cheia de risadas. Uma pausa muito bem vinda nas responsabilidades diárias que eles tinham.
Assim que ela disse isso, todos olharam para ela, os sorrisos se transformando em expressões confusas. E pela primeira vez em muito tempo, tudo o que Nadya queria era desaparecer, sumir como um montinho de fumaça sĂł pra escapar de ser o centro das atenções.Â
Um silêncio desconfortável se seguiu por um breve segundo, que para Nadya, pareceu muito mais.
— Será que pode ser de algum de seus amigos? — Lana arriscou no momento em que Nadya pegou a carta das mãos de Mariya. — Talvez estejam querendo te apoiar.
A Rasputin fez que não com a cabeça. Ela ainda tinha contato com seus velhos amigos, mas nenhum deles, mutantes ou não, sabiam que ela estava com a Guarda.
Ela analisou o envelope e sentiu o estômago afundar. O envelope era bonito, e não tinha nada ali a não ser seu nome, escrito com uma letra cursiva muito caprichada e que ela não reconhecia. A outra única coisa que se destacava era que a carta era selada com um selo de cera real, que trazia um brasão de um pássaro de duas cabeças, que ela achava que já havia visto antes, mas não conseguia se lembrar onde.
Estava nervosa e confusa demais com tudo aquilo para reparar em detalhes.
Ela sabia o que ele estava pensando, que poderia ser uma carta de Irina Kravinoff, mas Nadya imaginou que ela não se rebaixaria ao ponto de intimidá-la com uma carta, simplesmente não fazia o estilo de uma caçadora como ela, então descartou a ideia tão rápido quanto ela surgiu. A Rasputin tentou comunicar isso pelo olhar para Lukyan.
— Pode deixar. É sĂł uma carta.Â
Assim que disse isso, puxou o selo com cuidado para não estragá-lo e passou os olhos pelo conteúdo da carta, lendo-a em silêncio.
Um silĂŞncio que se alongou mais do que deveria.
— O que está dizendo aĂ? — Arkadiy perguntou de onde estava sentado, parecendo receoso.Â
Nadya levantou o olhar assim que terminou de reler a carta duas vezes, e olhou para seus colegas de equipe.
— É um … convite.Â
— Um convite? — Svetlana perguntou, franzindo a testa em confusão. — Convite para o que!?
— Já tentamos entrar em contato com ele, mas nunca conseguimos rastrear seu paradeiro. — Arkadiy continuou, olhando para Nadya como se ela soubesse de algo que não estava compartilhando com eles.
Ela sustentou seu olhar, indignada.
— E o que diabos essa pessoa quer comigo?! Eu não sou usuária de magia!
— Ou pode ser só um mal entendido. — Zin se colocou na conversa, tentando acalmar Nadya, mas a mutante sabia que ela só estava falando aquilo por falar.
Ela voltou a se sentar, e cobriu o rosto com as mĂŁos por um momento.
— As coordenadas do local exato estão aqui, posso dar uma checada mais apurada.
— Ótimo, faça isso. — Jackie deu a ordem. — Quanto mais preparados estivermos, melhor.
Luka bufou.
— NĂŁo gosto muito disso. — ele comentou, visivelmente desconfortável. — Mas meio que concordo com vocĂŞ. Se ele entrou em contato…. poderĂamos aproveitar a chance.
Jackie se aproximou um pouco mais dela, e a olhou com paciĂŞncia.
— Arkadiy tem razão. Então, o que você acha, Rasputin? Devemos investigar ou não?
Todo o ar pareceu escapar dos pulmões de Nadya, e ela detestou sentir o peso da escolha em seus ombros. Parte dela só queria jogar fora aquela carta, queimá-la, e esquecer que ela existia. Mas outra parte estava curiosa. Ela queria entender como aquele tal guardião sabia sobre ela, e o que exatamente queria com ela.
Então, depois de considerar todas as possibilidades internamente, ela suspirou, e encarou o restante da Guarda, deixando a insegurança de lado por um momento.
— Eu acho.... que devemos investigar. — ela disse, com uma convicção que antes não estava ali. — Porque, por mais estranho que tudo isso seja, eu quero aceitar o convite.
Tommy apoiou as mĂŁos na pia, os dedos ainda tremendo levemente com a frustração. A missĂŁo tinha terminado há quase uma hora, mas a sensação de fracasso, de atraso, ainda pesava em seus ombros.Â
E ele nĂŁo estava acostumado com isso.
Encarou seu prĂłprio reflexo no espelho, por um momento. O cabelo bagunçado, ainda vestindo seu uniforme, mas com a máscara que cobria parte de seu rosto agora pendurada como um capuz em suas costas. Os pequenos cortes e hematomas já nĂŁo estariam mais ali em algumas horas.Â
O velocista suspirou, e baixou o olhar. Â
Abriu a torneira, jogou água fria no rosto e respirou fundo, mas quando levantou o olhar outra vez, não viu mais o próprio reflexo.
— Pode tentar o quanto quiser, Thomas, mas chatossauro nunca vai ser um dinossauro de verdade. — o jovem feiticeiro debochou, antes de olhar nos olhos do irmão. — Você ainda está chateado.
Tommy bufou e gesticulou com a mĂŁo.
— Eu? Chateado? Por que?
— Tommy, eu sou seu irmĂŁo. — Billy declarou o Ăłbvio. — VocĂŞ nĂŁo precisa usar essa máscara de durĂŁo debochado comigo o tempo todo. Sei que está chateado porque a missĂŁo nĂŁo foi exatamente como querĂamos.Â
Tommy revirou os olhos, nĂŁo querendo realmente falar sobre aquilo.Â
— Para. — Billy pediu, levantando a mão. — Não faz isso com você mesmo. Não vale a pena, e você sabe disso.
Ao ouvir aquilo, Tommy franziu a sobrancelha. Sabia que Billy estava certo, mas não sabia se estava pronto para aceitar esse fato ainda. Ele suspirou, cansado, e foi sincero por um momento.
— É claro que eu tenho. Então, por favor, não fique se culpando, ok? A missão pode não ter sido um sucesso completo, mas isso não está na sua conta. Nós como uma equipe podemos aprender com isso e melhorar.
O sentimento de não ser tão bom quanto seu tio Pietro ainda estava ali, mas depois de ouvir Billy, Tommy se sentiu bem melhor. Ele puxou o irmão para um abraço, como sempre faziam quando estavam a sós, tendo uma conversa franca de verdade, e se permitiu relaxar.
Pela primeira vez naquela tarde, Tommy riu de verdade. E assim que Billy desapareceu no corredor, respirou fundo, encarando o prĂłprio reflexo mais uma vez. Pietro Maximoff havia desaparecido, restando apenas seu prĂłprio reflexo de sempre.
Ele apagou as luzes e deixou o banheiro, fechando a porta ao sair.
NOTAS: Confesso que esse aqui demorou bastante pra sair e aà acabou me atrasando com os outros, mas finalmente consegui deixar ele aceitável :)
Eu preciso dar mais atenção pros ND, esqueci eles no churrasco depois que fiz o blog da Guarda, mas eu amo a galerinha aqui então vou pensar em mais coisas pra fazer com eles!
Para mayday existe alguma terra aonde os vilões são heróis e os heróis são vilões
Mayday: Eu tenho quase certeza de que existe sim, claro. Mas eu acho que nĂŁo cheguei a me encontrar com nenhum aranha de uma dimensĂŁo como essa. Ou se me encontrei, nem percebi.