A neblina condensava-se como fumaça de charuto barato naquela noite de verão. Vento gélido, úmido, soprava de um rio distante pelas ruas desertas até a figura masculina que dobrava esquinas como nada mais que uma soturna aparição de capa. O piscar bruto e fugaz de um céu sem estrelas enunciava um temporal. Um flash de relâmpago — e então, Lorde Lucius Volhard contemplava, fixamente, o letreiro cujo contorno de letras ornamentadas revelava o trajeto final de sua estadia naquela cidade esquecida por Deus; o motivo que o guiara e impulsionara seu apetite e ambição até ali: a presença da necromante. Ele entrou sem aviso. A noite afora pareceu suspirar, e como se soltasse o ar que segurava dos pulmões, trovão ressoou dos céus e os respinguinhos de chuva começaram sua sinfonia cadente nos telhados acima. Lucius avaliou os arredores, a bengala entoando ao chão conforme caminhava com graça polida e imortal. Parou frente a uma prateleira. Mesmo diante da penumbra opaca do interior em sua pouca luz, ele ainda o enxergava com perfeita clareza. Mas, de fato, não precisava enxergar para saber que ela estava ali — não, o vampiro conseguia senti-la com mais lucidez e precisão aguda que qualquer alento sobrenatural que vibrava de cada canto da loja. Era um sussurro de sombras — do profano. De morte e magia. “É uma coleção impressionante, a que tem aqui”, ele diz, a voz grave e firme ali dentro. Não se vira de imediato quando a sente se aproximar. O Lorde abaixa a cabeça para fitar mais de perto o artefato de seu interesse, o chapéu tipo cartola projetando sombras sob seus olhos. “Não me admira que as queira manter escondidas do olho comum.” Só então, ele mira o olhar em @blxndwitch. Não sorri, mas o interesse é um contraste vivo nas íris ônix.
“Não teme que algum dia despertem o interesse de ociosos mal intencionados?”













