vou te confessar, é o meu fim. é o fim de tudo. tem sido mais difícil sem o cigarro. tem sido mais fácil sem esconder tudo que sinto. parei de disfarçar minha tristeza, mas sabe, é o que preciso fazer por mim mesma.
Ir de encontro a isso, quem sabe, ajude.
Juro que estou perdida. voltei a ouvir This charming man, dos Smiths. esqueci como era boa. ainda sinto a solidão em minhas partes, hora mais forte, hora mais amena. quando ele está, geralmente, não sinto tanto. quanto ele não está, juro, vago por todos os universos, galáxias, planetas, luas, cometas, sozinha. à procura de luz.
tem sido difícil sem o cigarro. tem sido difícil. minha mente é um cativeiro, um castigo, um parasita. eu sou o hospedeiro. sou escrava do que sinto. sou escrava dos momentos, dos acontecimentos, dos devaneios.
faz um tempo que não bebo. parei de beber e de sair, não pra economizar, mas porque a cama e o abraço dele ficaram mais atrativos.
Algumas coisas nunca vão mudar. Algumas dores, querido, serão sempre as mesmas.
um dia, talvez, eu me encontre. eu me acerte. eu me caiba, perfeitamente, em algum lugar. dói dizer que, hoje, não me sinto assim.
tem sido difícil sem o cigarro.