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Gosto de pensar nos recomeços que a vida nos proporciona, você já parou para pensar o quanto era diferente da sua versão de hoje e ao mesmo tempo tão semelhante, sinto falta de quando eu não tinha nenhuma ferida ou cicatriz marcando cada situação horrível que passei, mas eu tenho. E o que seria de mim sem elas? Talvez uma pessoa sem traumas mas sem nenhuma esperteza para ler os sinais, ou quem sabe alguém melhor. Bom, o que sei, e como sei, é que não serei mais a mesma e que haverá várias outras versões para me mostrar o quanto minha existência por mais que seja irrelevante diante do universo também é por si só extraordinária.
Oi
Oi banana
“Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã. Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ou quando alguém ou algo não deixa que esse amor siga, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter. Saudade é basicamente não saber. Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio. Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia. Não saber se ela ainda usa aquela saia. Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada; se ele tem assistido às aulas de inglês, se aprendeu a entrar na Internet e encontrar a página do Diário Oficial; se ela aprendeu a estacionar entre dois carros; se ele continua preferindo Malzebier; se ela continua preferindo suco; se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados; se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor; se ele continua cantando tão bem; se ela continua detestando o MC Donald’s; se ele continua amando; se ela continua a chorar até nas comédias. Saudade é não saber mesmo! Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos; não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento; não saber como frear as lágrimas diante de uma música; não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer. É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso… É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer. Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler.”
— Tati Bernardi.
“Em que bar será que você fica rindo daquele amor que eu achava lindo?”
— Cazuza.
“O que você não sabe é que eu chorei um pranto desesperador quando soube que íamos nos partir em dois. É como se seguíssemos o mesmo caminho e, de repente, tivéssemos sido obrigados a tomar direções opostas. Regredir nunca foi uma opção, só que eu olho para trás querendo te puxar para mim como um ímã, porque sei que ainda somos atraídos um pelo outro, mas você não vem. Maldito orgulho. As palavras cheias de sensatez que proferi foram todas mentirosas, na verdade dentro de mim tudo se corrói. Naquele dia eu quis gritar, suplicar para que você não fosse embora mas, por alguma razão, fiz o contrário; reprimi meus sentimentos, afirmando que tudo estava bem. Te disse pra ir, pedi pra que fosse feliz, que não deixasse a vida te roubar as melhores chances. Mas não estava tudo bem. Ainda não está. Você nem imagina o quanto é difícil domar as batidas frenéticas dentro do peito quando esbarro com você na rua. Posso até estar enganada e criando ilusões, mas algo me diz que você sente o mesmo que eu. O seu olhar quando é pra mim, não é um olhar normal. Ainda sinto seus olhos ferverem ao se encontrarem com os meus, sinto de longe que seu coração acelera e que as borboletas voam enlouquecidamente no seu estômago. Não consigo aceitar isso de ser um só, cada um na sua. Quero que sejamos dois novamente. Sei que eu sou o seu encaixe - tenho certeza que você é o meu -, e por mais que nenhum de nós dê o braço a torcer, existe um sentimento mútuo escondido em nossos corações. Não sei se você percebeu, mas a felicidade mais verdadeira que tive na vida, quando eu fui mais feliz, foi quando estávamos juntos e isso tinha tanto a ver contigo… Está sendo difícil reaprender a ser só. Rezo todo santo dia para que possamos nos entender, para que as coisas voltem a ser como antes, pra que possamos dividir uma vida e nosso amor juntos, que voltemos a sonhar com um futuro a dois, depois a três, quem sabe quatro. Agora eu te peço: volta, vem ser feliz comigo, não deixa a vida nos roubar a nossa chance, porque ela é a melhor e eu não acho justo desperdiça-la só por causa de contratempos.”
— Escrito por Juliana, Camila, Andreza e Paula em Julietário.