Aqua Utopia|海の底で記憶を紡ぐ
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PUT YOUR BEARD IN MY MOUTH

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@olives-and-grapes
Unfinished business || Olivia & Arthur || POV (5/5)
Olivia pressentiu, sentiu os pêlos da nuca se arrepiar com a premonição, o pior ainda estava por vir. Sim, algo pior do que tudo que havia sentido e um pouco mais. A filha de Dionísio lutou contra aquilo, juntou tudo e guardou numa caixa bem longe da luz de sua visão. “Eu não consigo. Eu não consigo.” Tremendo, ela esperou por aquilo. De joelhos ao lado do corpo frio e sem vida de Arthur, esperando o bote. Ela quase podia sentir a aproximação da fera, das garras afiadas passeando por sua coluna acima, desenhando seus nervos expostos. A fera a alcançou e a destroçou. Eu… eu… eu m-m-mat-.
Culpa. Culta. Tanta culpa.
Sem tempo. Sem tempo. Pelo tempo que passou fora da enfermaria, todos deveriam estar, no mínimo, morrendo de preocupação. E simplesmente pelo fato de que ninguém viera procurá-la era ainda mais preocupante. Significava que estavam ocupados e uma enfermaria ocupada não era o quadro mais promissor. Olivia levantou-se com dificuldade, apoiando na árvore e tentando não ficar enjoada demais. Seus pés vacilaram ao se afastar de Arthur, seus olhos não deixando mais do que um segundo sem se voltar para trás onde tinha ficado. Não podia levar, não podia carregar, não conseguiria explicar. O sangue e os cortes também não eram fáceis de explicar, mas seriam mais fáceis de ‘ignorar’ com o olhar certo em seus castanhos anuviados de dor e pesar -- e culpa. “Olivia…” A primeira pessoa traduziu o assombro de todos os presentes na enfermaria. A garota limitou-se a levantar uma mão e balançar a cabeça lentamente, em negação. Cameron captou o quadro geral mais rápido que os outros. “Voltem aos postos!” E para Olivia, confidenciou. “Tem água nos fundos.” Como se água pudesse lavar o sangue em suas mãos.
Por que parecia que ela tinha sido a amaldiçoada por Marte?
Smaug rugiu ao longe. Glaurung e Ksikam acompanhando o canto terrível de uma vitória sangrenta. Uma vitória sem o nome de vitória e sem os louros de recompensa. Olivia levantou os olhos para o céu, as íris queimando com o fogo estrondoso que iluminava o céu escuro e apático. Ela limpou as mãos no jaleco -- o quarto inutilizado com tanto sangue dos feridos --, desamarrou da cintura, pendurou num canto e saiu. Simplesmente andou para fora com os ombros e posturas rígidos como uma régua. O momento de fuga tinha acabado, a covardia de enfrentar o que fizera não podia ficar mais tempo. Não era uma atitude sua de vida. Não fizera isso quando os tios estavam, roxos e congelados, na maca do necrotério. A filha de Dionísio juntara os dois corpos e deitara entre eles, até que o interior se acalmasse e aceitasse.
Faria isso agora? Atravessando o gramado e vislumbrando o rastro que ambos deixaram um tempo atrás. Uma parte de si esperava não encontrar nada quando chegasse ao topo da elevação. Qualquer semideus podia ter feito aquilo. Qualquer um. O espaço não era exclusivo e isento de brigas. Mas... Mas... Seus pés tropeçaram e se puseram em movimento. Rasgando o ar com a velocidade adquirida de anos e anos fugindo. Olivia se jogou de joelhos no chão, puxando o corpo frio de Arthur para o colo, apoiando o tronco em seu peito, a cabeça em seu ombro. Os braços magros e castigado de feridas fecharam sobre o peito imóvel, prendendo contra si com a necessidade dos pedintes. A cegueira seguida das lágrimas, a dor seguida do golpes. Olivia não era mais Olivia. Alguma coisa expulsara aquela criatura borbulhante e despreocupada para um canto, uma criatura deformada pela perda e pelo peso que agora fazia parte de seu ser.
O peso que a esmagaria mais cedo o mais tarde, achava. Afinal, o que mais podia fazer? Virou o rosto para Arthur, os lábios pressionados contra a têmpora fria. O corpo começou a embalar o do melhor amigo, ninando-o, o acalentando, mesmo que sono algum fosse responsável pelos olhos fechados e a imobilidade de um cansaço exaustivos. “Me desculpa, Arthur. Me desculpa.” A cura chegara nos acréscimos do segundo tempo. Tarde demais. Tarde demais.
Por enquanto ficaria ali até que alguém a encontrasse. Não era de todo... ruim. Só...
I want to teach you a lesson in the worst kind of way || Olivia & Arthur {feat. Red} || POV (4/?)
Olivia perdeu o apoio da terra abaixo dos pés. Os dedos fortes e treinados de Arthur estreitavam a traquéia e enforcavam toda e qualquer passagem de ar. As mãos mais fracas subiram e tentaram encontrar frestas por entre os dedos. Qualquer coisa que pudesse puxar para se libertar. Seus pés chutavam tronco e joelhos, sua boca aberta arquejava em busca de ar. A pele branca perdia terreno para o vermelho e o roxo. Pequenas veias surgindo na superfície maltratada pelas influências de Marte. O Mindinho encontrou o metal quente e familiar de um de seus anéis, e a ironia da situação toda não a fez rir. Aquilo era um presente, algo que mesmo para aquele propósito não significava que seria usado para ele. Por mais que batesse em seu rosto e braços, Arthur estava comprometido em tirar-lhe a vida. Seus pés encontraram a terra de novo, mas o aperto em seus pescoço não afrouxou. “Eu quero ver de perto.” As mãos soltaram dando um tempo para Olivia tomar o último fôlego de ar em uma vida que ela conhecia. Arrancou o Um Anel do dedo, a forma circular perdendo as características e assumindo a verdadeira forma.
“Mas você tem que aprender a superar esse tipo de coisa. Por que as outras pessoas vão fazer isso com você quando estiverem lutando com você. [...] ninguém vai vir, te abraçar e limpar suas lágrimas. Então você precisa fazer isso agora e aprender a parar de chorar sozinha, porque se isso acontecer em outra hora, as coisas podem acabar péssimas.”
As lágrimas, sim, secaram. O tempo, sim, parou. Olivia, sim,... A espada de Arwen fulgurou na meia-luz filtrada pelas folhas das árvores e fez aquele barulhinho de afiada quando cortou o ar para cima. Estava tão afiada, tão aguçada, que Olivia não precisou de força alguma para atravessar o peito do melhor amigo. A lâmina deslizou por toda a sua extensão, parando somente quando a mão que segurava o cabo encostou-se à camisa arruinada. Por um breve segundo eles se encararam, sem emoção ou sentimento algum. Presos num bolha imune às influências externas.
Depois. Depois. Arthur limpou uma lágrima do rosto de Olívia com o polegar.
“Essa é última vez que eu vou ter que limpar suas lágrimas. Estamos entendidos?”
Depois virou caos. Sangue que não era dela a banhou quando o abraçou, amparando sua queda. O golpe certeiro fora bom demais para a clássica andança bêbada de um quase morto. Os dois caíram no chão, um por cima do outro, um mais atrapalhado que o outro. “Arthur. Arthur. ARTHUR.” Olivia o deitou no chão e se ajoelhou ao lado. As mãos não vibravam com o dom concebido por Asclépio e, pelo olhar de Arthur, não seriam requisitadas para mais nada além de segurar as dele entre as suas.
Alguém enfiou algodão em seus ouvidos. Olivia só conseguiu ouvir suas últimas palavras com o ouvido grudado em seus lábios. As palavras ditas e não ditas conflitando no ar entre eles. Os olhos azuis, azuis, AZUIS. Continue a olhar. Continue a testemunhar. O momento agonizante do derradeiro fim. As irises queridas se comprimindo pela pupila negra tomando tudo. O último movimento de peito. A dor que não era dela explodindo em seu próprio coração. Olivia tomou a frente da camiseta de Arthur, cerrando o tecido entre os dedos quando o puxava para si, sacudindo. “Arthur. Acorda. ARTHUR. ARTHUR.” Sacudia, gritava, chorava. Perdia todo o decoro ao tentar trazê-lo de volta a vida com a amplitude de sua tristeza e o poder de sua voz rouca de tanto gritar e chorar. “Não, não. Por favor, não. Por favor. Por favor.” Dava tapinhas em seu rosto, checava os sinais vidas. Colocou as mãos no peito dele e começou a fazer uma massagem cardíaca. 1. 2. 3. 4. Fim do ciclo. Ventilação forçada boca-a-boca. Mais um ciclo. Um soco no peito. “A-a-a-arthur.” Seu corpo, então, sucumbiu ao cansaço das tentativas e deitou-se por cima do dele, o abraçando com força. Olivia escondeu o rosto na curva do pescoço e se pôs a chorar tudo o que ainda lhe restava. Chorou um pouco mais. O calor dele se dissipando com as lágrimas suas.
You came like a wrecking ball || Olivia & Arthur ||POV (3/?)
Aconteceu tão rápido, mas tão rápido, que Olivia só percebeu o que estava acontecendo quando a dor em seu peito a fez gemer e abrir os olhos. A ponta do tridente se aninhou entre duas costelas logo acima do seio esquerdo. E a única coisa que a mantinha em pé era o peito atrás de si e as mãos segurando a arma para que não entrasse mais. Não mais, não. Os dentes trincaram, o maxilar ficou tenso como concreto enquanto as grossas lágrimas desciam por seu rosto. Arthur arrancou o tridente rápido demais, arremessando-o para longe, um silvo agudo e um grito de protesto fazendo Olivia perder o controle de suas pernas. “Você perdeu a cabeça?” A voz estava raivosa, de quem realmente se importava. Braços a envolveram num momento confortável pela primeira vez em horas. Olivia se agarrava àquele momento como se fosse uma tábua salva-vidas, agarrava-se ao momento de lucidez e razão no meio de… De… como poderia colocar em palavras esse encontro? “VOCÊ perdeu a cabeça? Essa é a pergunta certa.” O filho de Netuno rasgou um pedaço da camisa, dobrou bem e pressionou sobre o ferimento, espancando o sangramento incômodo. “Por que, pelas camisas cafonas do meu pai, você quer… quer… fazer isso?” A morte e relacionados ainda não eram familiarizados no vocabulário da garota, nem deixavam gosto agradável algum na língua ao ser pronunciado. “É a única alternativa. Eu preciso fazer isso, Olivia, é a única salvação.” Ela negou, o nariz franzido de indignação. “Claro que não. Você voltou. Você é você, Arthur. Você está de volta, você quebrou o feitiço.” Como ele não podia ver tal façanha? Como ele não podia enxergar que ele era o único romano que não estava tentando aniquilar a raça grega?
A esperança, traiçoeira, se esquivou por entre as defesas mais profundas da garota, permitindo que ela tivesse uma visão tão errônea quanto impossível. Arthur, por outro lado, não estava nem um pouco esperançoso. Parecia ainda mais desesperado do que antes. “Olis… por que você? Por quê?” Ele segurou seu rosto entre os dedos, carinhoso, e o levantou para que se olhassem. Os olhos azuis contra os castanhos esverdeados. “Por que se recusa a ver? Olhe pra mim.” O soluço sacudiu seus ombros e um não desenhou em seus lábios. Olivia negou, fechou os olhos para o óbvio, mas não podia ficar assim mais tempo. Sua pele vibrava com a loucura de Arthur, o poder de seu pai reconhecia a insanidade onde quer que ela esteja -- e na intensidade que estiver. “Vamos encontrar um jeito. Vamos sim. A gente te amarra na enfermaria, Smaug pode…” O tom de inevitabilidade era ainda pior quando era dito em voz alta. “Não. Você sabe do que eu sou capaz, Olivia. Eu não ataquei o acampamento, em não fui atrás de grego. Eu fui atrás de você, da segurança da enfermaria. Marte sabe bem o meu propósito e cordas não conseguirão me deter. A guerra apenas começou.” ‘E você não agüenta o que está por vir de mim’. Completou os olhos azuis entristecidos. Olivia torceu os lábios e mordeu o inferior com força, a mente trabalhando furiosamente. “Tem um jeito. Semideuses sempre encontraram um jeito! Deuses e maldições são nossa especialidade!” Arthur negou e a soltou ao próprio equilíbrio, afastando-se para… “ARTHUR. NÃO. Eu tenho… preciso fazer alguma coisa. Eu posso. Não… “ Ele quase caiu de costas ao perder o compasso dos pés, seu rosto transformou-se em terror. “Eu não vou te pedir uma coisa dessas, Olivia! Pelos deuses, não.”
“E eu não vou ficar assistindo você se matar!”
Matar. Matar. Matar. O impasse e o silêncio ressoaram como um tiro de canhão, seguido de outro e mais um. Olivia fechou as mãos em punho e se posicionou para mais uma rodada de lutas. Não ia deixar barato. Ia lutar com todas as forças até o fim, até um dos dragões o segurarem contra o chão até a maldição tiver passado. Arthur parou de retroceder. Olivia começou a tremer. O filho de Netuno aproximava-se. A filha de Dionísio se virava e começava a correr para a floresta. Para longe. Leve-o para longe dos feridos. A ferida no peito chiava, sangue ensopado o retalho de tecido. Arthur estava silencioso sem a armadura e rápido. Tão rápido. O ar dos pulmões escapou quando seu corpo fora pressionado contra o tronco de uma árvore grosso. “Arthur?” Harvey Duas-caras dava-a o sorriso ambíguo de duas faces opostas em sentimentos e desejos. Um lado enlouquecido, ensandecido, apertando seu ombro; o outro… o outro… O rosto de Jon no corpo do semideus de plumas. O reconhecimento de algo terrível. A casca era áspera e arranhava suas costas. A tensão crescia tanto que dor nenhuma era sentida. “Eu te amo, Olivia” A respiração se tornou superficial, o coração batendo tão rápido e leve quanto um beija-flor. “Eu também te amo, Arthur.” Mais lágrimas arderam em seus olhos. Não, por favor, não. “Eu amo você, tanto que até dói. E dói mais ainda por saber que só machuquei você. Não tem o que eu diga que vá melhorar a situação, mas.. desculpa. Me desculpa. Apenas me desculpa.” A garota era arrastada numa espiral de realidade. O mundo ideal e imaginário sendo destruído em sua frente da pior maneira possível. O rosto dele se aproximou, hesitante, e os lábios se encostaram no mais breve dos toques. “Me desculpe.” Murmurou contra sua boca. PELO QUÊ? Chase era um espelho quebrado, a boneca presa a fios nas mãos de alguém muito ruim, muito maldoso. O Arthur que conhecia desapareceu como a uma chama de uma vela assoprada. Suas mãos subiram por seus braços, a respiração misturava com a sua, os dedos contornaram seus ombros e se fecharam ao redor do pescoço.
Hopelessly hopeful || Olivia & Arthur || POV (2/?)
“Arthur, por favor. Arthur.” Colocou a mão sobre a restritiva dele, cavando os dedos dele para fora -- em vão. O tridente forçou seu caminho para cima e abriu um pequeno corte, um filete de sangue desceu pelo metal quente, se juntando ao muitos outros respingos dela própria. O bronze limpo de seu tirso era o contrário da arma sangrenta de Arthur. Ele era bem melhor que ela em batalha, bem melhor, mas os treinamentos da garota faziam com que não fosse assim tão diferente. A defesa impedira de perder algum membro e a vida no momento que se encontraram. Olivia jogou a cabeça para trás, escapando da navalha mortal, e lançou o joelho para cima, entre as pernas meio abertas de Arthur. A risada dele era previsível, a proteção inutilizava a pretensão original, mas não era isso que ela queria. Distração. A filha de Dionísio se soltou do aperto, afastou um passo e se jogou para cima, as mãos agarrando a alça do tridente ao lado das dele firmemente postas. “Você nunca vai ganhar esse cabo-de-guerra.” O tom era tão frio que um arrepio percorreu a espinha de cima abaixo. De brincadeira, ele lançou o corpo para trás. Olivia acompanhou com um pulo, quase caindo por cima dele. De um lado para o outro, nas diagonais. Arthur conduzia aquela dança desengonçada de um integrante e a letal do outro. Sangue e suor escorriam por suas pernas, por seus braços, ensopava as roupas e as deixavam pesadas. Tão pesadas.
Uma hora cansa. Até a atividade mais inspiradora cansa. Arthur torceu o tridente e o soltou, deixando-o nas mãos de uma Olivia atônita e confusa. Não podia ter conseguido a posse assim tão fácil. “O que... Como... OLIVIA.” De confuso, passou para incrédulo, terminando com um clamor desesperado. As mãos que antes a maltratavam estavam em seu rosto, os olhos frios estavam em maremoto, agitados pelas visões que a mente liberta dava. “Arthu-u-u-ur.” A garota chorou aliviada, fungando e sorrindo para o rosto do amigo devolvido. “O efeito passou! O efeito passou!” Oh, Alicia tinha sido rápida. Jaime, Annabelle, Babs, Piper, todos tinham sido tão rápidos. Tão rápidos. Os romanos estavam de volta! Arthur estava preso em sua própria espiral de atualização. Os olhos passando pelo corpo de Chase e parando na arma ainda presa em suas mãos. O padrão dos cortes, o padrões de seus cortes, as peças se encaixavam enquanto Olivia ainda se perdia na pior das ilusões possíveis.
Os gritos da batalha ainda podiam ser ouvidos. Os rugidos dos dragões em respostas dos golpes recebidos reverberavam no ar parado. Smaug não alçou vôo lançando chamas negras e escarlates para indicar o fim. Nenhum sinal. Nenhum sinal. Ao erguer os olhos para os céus, Olivia parou de respirar, ansiosa pelo combinado. “Eu fiz isso.” A voz de Arthur estava quebrada, entrecortada, falha. Seu rosto contorcia da mesma maneira que o dela tinha contorcido quando ele se aproximara para atacá-la.
Ela balançou a cabeça veemente "Não foi você quem fiz isso, Arthur. Nós sabemos quem foi. Marte..." E o discurso continuou para quem quisesse ouvir porque o garoto não tinha ouvidos para as palavras da filha de Dionísio. Seu olhar estava perdido no rosto dela, no corte sobre a sobrancelha que fazia uma continha de sangue lamber o rosto sujo. Olivia não parava de falar, estava agarrada naquele poder e dom que tinha para se defender -- porque armas nunca o seriam. As mãos de Arthur soltaram seu rosto e pousaram na armadura, os dedos soltando fivelas e laços, correias e encaixes. "O que você está fazendo?" Tentou segurar uma das mãos para logo ser empurrada para longe. "Eu... Eu... Fui eu." Repetiu em mantra, antes baixo demais para ser ouvido, agora uma voz poderosa porque ela entendia os sussurros. Olivia se perturbou com o brilho nos olhos azuis inconstantes, indo das peças que caíam no chão para seu rosto. "Arthur! Para!" Segurou com mais firmeza o antebraço, mas não pode evitar o barulho final da maior peça caindo entre os dois. Ele estava exposto, desarmado. Um romano, uma ameaça declarada para qualquer grego. Se tivesse energia, se tivesse um pingo do que quer que fosse Olivia ergueria as vinhas e o prenderia no chão. Isso, isso, Arthur seria o menino mais frio de Coldtown e Olivia o guardaria no porão até que o Resfriado passasse. Uma história que seria bem diferente de Aiden do livro.
It was always you || Olivia & Arthur || POV (1/?)
Eu pensei que tivesse sentido dor suficiente, sofrido demais com as perdas que não pude evitar. Pensei que a morte estivesse longe de me pegar de jeito de novo, de me fazer encolher embaixo dos cobertores e nunca mais ver a luz do dia. Eu acho que já morri quatro vezes nesses últimos anos. Minha mãe foi a primeira vez. Meus tios foram a segunda e a terceira. E a quarta, talvez, porque além de perdê-los, perdi minha família. A quarta... A quarta foi devastadora, foi errada, foi antes do tempo. Jon... Jon... Jon..
Mas a quinta - essa quinta - Eu não acredito que vá me recuperar.
A grama ao redor não tinha recuperado o viço de antigamente, nem tinha o verde brilhante e convidativo que um dia a fizera deitar e abrir os braços. Nem sequer estava completamente viva, não se recuperaria se a filha de Dionísio fizesse anjos em sua superfície como se fosse neve. Estava seca e quebradiça. E estava sendo alimentada de maneira errada. Água? Vinho? Nenhum dos semideuses em luta jogava esses líquidos para as plantas famintas. Eram sangue e suor que salpicavam as folhinhas e os corpos em frenesi de batalha. Mais sangue do que suor, mais dela do que dele. Olivia não tinha se vestido para enfrentar ninguém, nenhuma armadura ou escudo. As roupas mais grossas que trajava eram simplesmente para acalmar o namorado. Ela recordava as exatas palavras que falara para ele quando se... Se... Falaram mais cedo. Smaug vai ficar protegendo. Essa coisa só vai me fazer suar como uma taça de vinho gelado no verão. E estava a fazendo suar, claro, e não tinha nenhuma resistência contra o tridente. As pequenas pontas farpadas pareciam se aproveitar do tecido quando se enroscavam no tecido e beliscavam a pele pálida por baixo.
O tirso girou no ar e pegou a lateral do tridente, onipresente em sua fúria e velocidade. A pinha no topo prendeu-se em algum canto e o punho fechado encontrou seu ventre mais uma vez. O ar se perdeu, o diafragma travou no alto, tão alto que ar nenhum estava em seus pulmões, nem ousava entrar. Olivia se curvou para frente, a boca aberta em desespero por oxigênio, quando o punho encontrou sua barriga mais uma vez. Estrelas toldaram sua visão e ela quase pensou que estava voando porque seus pés deixaram o chão por alguns segundos. Algo se rompeu lá dentro. Algo se desfez numa dolorosa sensação de rasgar, ardente e dispersa. Seu corpo tremia em espasmos, o ser inteiro entrando em colapso por falta de tudo, tudo. A visão escureceu o rosto assemelhando-se a um peixe fora d’água. A salvação, contudo, veio tão dolorosa contra os outros golpes. As armas estavam na mão dele, bem protegidas, e aquela mão. Aquela mão. Veio novamente em suas costas, na altura dos rins. O diafragma se soltou, as pernas ficaram molhadas e os joelhos fraquejaram, tremendo como gelatina em busca do chão. O semideus a pegou pelo braço com crueldade, os dedos se enterrando na tenra pele e deixando marcas roxas. Roxas. Roxas e verdes. Não tinha ar para gritar de dor, só o gemido sem fôlego e a batida fraca de sua mão no peito encoberto pela armadura.
Seus olhos voaram para o bastão de bronze, seu tirso, sendo arremessado longe. Longe demais para se jogar atrás e recuperar o ritmo. “Não...” Choramingou. O chicote estava despedaçado, as vinhas partidas enfeitando um pedaço da armadura do garoto. O golpe perfeito, a sorte de principiando. O braço que a segurava tinha pequenas cobras avermelhadas contornando, pequenos furinhos vermelho mostrando onde os espinhos tinham penetrado e tirado sangue. Ele a manteve em pé, sacudindo-a e obrigando-a a mover a cabeça para cima. Para cima. Olivia sacudiu a cabeça, se recusando a obedecer. Fechava os olhos ao máximo, mas as lágrimas conseguiam sair e escorrer pelo rosto, manchando e diluindo o sangue grosso de suas bochechas. Sangue dela. Sangue dele. Sangue sangue sangue. Os dedos ficaram mais forte, o tridente encostou-se à parte debaixo do queixo, o beijo afiado a obrigando, forçando a erguer a cabeça. Sansa, sou Sansa. Preciso olhar sem ver. E ela não era mais Sansa Stark vislumbrando a cabeça empalada do pai sob o olhar maligno de Joffrey Lannister. O que viu não podia ser seu melhor amigo. Não podia ser aquele que ela amava e se preocupava. E, ao mesmo tempo em que negava, era ele. Era ele. Aqueles olhos azuis como mar, aquele boca cujo sorriso era contagiante, aquele rosto que gritavam família. Família. Amor. E mais um pouco. E mais de tudo.
“Arthur, por favor. Arthur.”
One More Last Time... Please || Olivia & Arthur
“VAI. VAI. VAI.” As ordens gritadas estavam carregadas de um desespero oco e sem vida. Olivia sentiu o silêncio da enfermaria como um manto sendo assaltado por uma chuva incessante. Gritos, armas, mais gritos. Seu corpo mantinha-se ereto no meio do corredor, o tirso de bronze celestial emitindo a luz fraca azulada que indicavam monstros. Tinha que ficar, Glaurung estava a postos ao seu lado, observando junta a irmã mais nova da ninhada se juntar a semideusa de quem tinha feito amizade. O rosto pálido se contorceu numa careta de enjôo, esverdeado pela imaginação do que seria os gramados mal-cuidados depois que as tropas passarem e a guerra fosse travada. Por que ela existia para começo de conversa? Como aqueles que chamavam de amigos e irmãos podiam se virar assim tão contra depois de um desentendido? A flecha era de Marte, queria sair gritando por entre os combatentes, parem de lutar! Queria por um fim nisso tão logo havia começado. Mas era tarde. O ódio entre gregos e romanos era mais forte do que o ano que passaram juntos.
Os primeiros semideuses foram chegando e logo cuidados. De posse de instrumentos médicos rudimentares, Olivia e Cameron bolavam soluções rápidas e eficazes e usavam o dragão para escondê-los em um refúgio improvisado guardado pelo enorme dragão negro. A filha de Dionísio acenou com a cabeça e Smaug respondeu com uma chama fraca coberta de fumaça – ainda estão escondidos, ainda estão em segredo. Uma ninfa veio correndo atrás deles, mais vítimas chegaram à enfermaria e precisavam de ajuda. “Está feio. Maeve. Ela. Por quê?” O pobre semideus estava perdido pela ex-pretora e, assim como Chase, não entendia o motivo secreto por trás de tudo. “Eu não sei, Hector, eu não sei.” Em nenhum momento parara de correr de volta até que um movimento lhe chamara a atenção. “Continuem, eu alcanço vocês. ” Os tranquilizou com um sorriso e esperou se afastarem o suficiente para sair a investigar.
Grego ou romano, não importava a origem, não poderia estar ali. Não devia estar aí pelos mesmos motivos que a guerra se mantinha num canto. O plano de Red, Felicia e Leo estavam abençoados pelos filhos da deusa da sabedoria que só os gregos tinham. Olivia apertou o tirso nas mãos, a longa arma se assemelhando a um taco de beisebol pelo modo que a semideusa segurava. Pé ante pé contornou o canto de lona da enfermaria. Com cuidado. Devagar. Uma gota de suor se juntou as demais no topo da testa. “ Você! Não se mexa! Ou- ARTHUR?” Maeve ou qualquer outro romano não tinham uma ligação tão forte quanto aqueles dois e se tinha alguém que poderia esclarecer isso era ele. Arthur Cury. Olivia baixou o bastão e soltou os ombros contraídos de tensão. “Arthur, por Zeus, Arthur. Eu fiquei tão preocupada, tão preocupada. Os romanos… Por que os romanos estão assim?” Era difícil de acreditar em toda a história de feitiço e de Marte quando olhava para Arthur, sozinho, ao lado da enfermaria. Se não estava consciente, por que iria procurá-la?
『★』Came in two, leave knowing that we are three -- Jollies || POV {P3} FB
Não era de se supreender que quando o dia se encerrava e o jantar era consumido, os dois semideuses caissem no sono imediatamente. O dia era tão extenuante, tão explorado ao máximo, que ficar acordado assistindo TV ou jogando conversa fora era desnecessário. Ok, não desnecessário, mas sem propósito? Conversavam enquanto andavam e curtiam o parque, não inha mais o que ser dito quando chegava além de um muito obrigada, eu te amo e eu tomo banho primeiro.
Até um dia.
『★』Olivia as Agnes from Despicable Me - oh, and Jrun -- Jollies || POV {P2} FB
Por incrível e estranho que pudesse ser, Olivia estava tranqüila com a escolhas que fizera. Com a chegada de Ksikam, com sua personalidade meio... Incompatível com a dona, a filha de Dionísio precisa de mais alguém para cuidar dos dragões. Felicia seria perfeita além de servir como meio de ganhar a amizade da garota -- e amaciar aquela raiva constante.
Esses pensamentos, no entanto, evaporaram como uma poça no sol escaldante do deserto. Agarrada a Jon, os olhos bem fechados, Olivia esperava ansiosa o momento que colocaria os pés na Disney. Sentiria a diferença? O ar teria cheiro diferente? Os sons? As sensações? Algo gritaria DISNEY DISNEY DISNEY no seu ouvido? Em pouco tempo, frações de milésimos de segundo, se viu desejando a turma toda a recebendo. Pluto, pateta e Donald de mãos dados e girando ao redor. A verdadeira reação, no entanto, foi completamente diferente. O baque nos pés a fez abrir os olhos arregalados. Cada detalhe atropelou os cinco/seis sentidos numa avalanche. Os olhos chegaram a marejar, lágrima escorrendo pelas bochechas comprimidas pelo sorriso de criança no natal. O aperto na mão de Jin começou a doer em si própria de tão forte segurava os dedos. "É um sonho. É um sonho." Murmurava, incrédula. Mas era mentira. O namorado estava junto e não num carro alegórico de torre escalando as pedras para a janela vazia. E ela não estava vestida de Rapunzel. Deu uma olhadinha básica para as próprias roupas, confirmando que o sonho recorrente não estava acontecendo.
dancelikeawind:
Não… - Ele se afasta ao virar o rosto. -… Não adianta me fazer acreditar em tudo isso, sendo que não vai acontecer. Beleza, pode acontecer por um curto período de tempo. Mas, enquanto vocês estão se preocupando em reconstruir tudo isso, tem um acampamento inteiro se preparando pra vir com tudo pra cima da gente. Você sabe como os romanos são. Quando colocam algo na cabeça, nem os Deuses tiram. Você acha mesmo que Quíron vai conseguir tirar essa luta da cabeça deles? Você não viu a raiva e o ódio da Lupa antes d sair daqui. Ela está decidida que aquela flecha grega foi disparada por um de nós. Eu não quero ter que lutar contra eles, Olives. Eu não quero ter que reconstruir esse lugar pra ser destruído de novo. Isso vai ser atacado de novo, e de novo, e de novo. O Acampamento Meio-Sangue não é mais seguro. Eu não quero ter que lutar contra Wolfgang, porque não será ele a morrer.
Então não acredite, então faça o que bem entender, só não sai espalhando esse tipo de pensamento por aí. Não somos todos nós que queremos reconstruir para viver e sobreviver, outros estão bolando planos e se preparando para o combate. Você pode vê-los andando e dando ordens. Nós, gregos, estamos comprometidos a defender essa esperança que repousa no acampamento, seja ela tão grande quando a Terra ou tão pequena quanto uma chama. Se tiver que lutar, lutaremos. Se tiver que sofrer, sofreremos Sai do caminho, se aposente, vá encontrar um emprego no mundo dos mortais. Deixe que Wolfgang seja lidado por outros campistas. Ficar no acampamento sempre foi uma escolha de cada um e, se não quiser, não tem obrigação de ficar entre nós. Eu não estou te expulsando, que fique bem claro, mas, desse jeito, você não será de muita ajuda.
dancelikeawind:
E de que tudo isso importa? Os romanos foram embora. Quem estará todos machucados serão nós mesmos, precisando de ajuda, lugar pra dormir depois de tudo isso. Os romanos… Ele… Não tenho que falar sobre isso com você.
Mais um motivo para nos esforçamos e transformar esse acampamento em uma casa. Não sabemos quanto vai durar, não sabemos se algum ataque vira amanhã, pelo menos temos um momento de paz e lugar para chamar de casa. Troy, eu só quero ajudar. Eu viajei durante o ataque, fui para a Disney enquanto Lupa e os monstros fizeram a festa. Eu preciso, eu tenho. Esse acampamento foi minha casa por três anos. Você não tem que falar do Wolf comigo, é verdade, mas se precisar pode vir conversa comigo. -- levanta a mão e, com cuidado, limpa a lagriminha --
dancelikeawind:
Não sabemos, Olives? Não sabemos? Acho que você tem que refletir se não sabemos ou não queremos enxergar. Eu não quero reconstruir nada, não vou reconstruir nada. Isso aqui vai ir pro chão de novo e você sabe disso. Eu não quero lutar. Não quero ter que matar cada romando que possa vir aparecer aqui a qualquer momento, que foi meu aluno. Em particular… Enfim, eu não quero me importar com tudo isso, com esse lugar.
Eu estou enxergando. Eu vejo semideuses machucados, indefesos e perdidos. Que precisam de ajuda, um lugar para dormir, um lugar para se proteger dos monstros que os perseguirão. Enquanto eles estiverem aqui, eu vou ajudar no que for. A enfermaria está funcionando a plano vapor, por que? Hein? Wolf não vai vir atrás de você, ele não liga pra política. Os romanos... Troy, pelas camisas estampadas de Dionísio, não desista de tudo assim tão fácil.
dancelikeawind:
Reconstruir isso tudo aqui pra que? Pra daqui a pouco um exercito marchar por cima como se fossem casinhas de baralho? Começar tudo de novo e tocar uma vida como se nada tivesse acontecido? Ou melhor, ignorar todas as perdas que tivemos, vivas e mortas? Não. Não pra mim.
Nós não sabemos disso ainda. Maeve é uma excelente romana e amiga minha. Ela sabe que não foi um grego quem atirou, não pode ter sido. E o que podemos fazer? Fugir? Nos render? Não ignoramos! Cada grego e romano caído será lembrado por todos que ficamos. Nós precisamos continuar, Troy, seguir em frente, transformar isso em um novo lar. Quíron vai conseguir conversar com Lupa e tudo ficará bem. Você vai ver....
dancelikeawind:
Refúgio? Outros semideuses? Com todo respeito, Olives, mas isso me faria rir se eu me importasse com todo o resto. Não posso me importar.
Troy, por favor, nós precisamos de toda a ajuda possível. Você é nosso professor, uma figura de respeito e exemplo. Por favor. Por favor. E você também não tem lugar para dormir se não ajudar.
dancelikeawind:
Já era. Já era tudo. Não tem mais pelo que reconstruir.
Não fale uma coisa dessas, Troy. Se não reconstruirmos o acampamento Meio-sangue, não haverá refúgio para outros semideuses. Nem uma casa para nós que restamos.
n-ramsey:
Todos temos que fazer sacrífico. Okay, pode sair e fazer o que você quiser, seja lá o que for.
Agora não sei se saio ou se fico. Você fez uma carinha muito suspeita.
n-ramsey:
Realmente tenho que fazer isso?
Eu estou pedindo duas horas assumindo a enfermaria, Noah. Duas horas. E você ainda pode ser o chefe.