Desde que chegou ali e começou a fazer aquela coisa, sempre que dormia era confrontado por sonhos. As vezes, ele estava sendo perseguido por multidões de pessoas aterrorizadas. Outras vezes, ele estava em uma jaula, em todas as vezes as pessoas gritavam que ele era uma aberração, repetidas vezes enquanto tentavam mata-lo, era por isso que queria sair dali, ele não era nenhuma aberração, ou as pessoas estavam certas e ele era tudo aquilo que seus sonhos lhe mostravam? Quando ele finalmente voltou a sua realidade abandonando seus pensamentos, ficou agradavelmente surpreso do outro não estar surtado, e sim normal como antes, qualquer um que percebesse o que ele estava fazendo e as consequências que isso resultaria teria se afastado mas ele havia continuado ali, talvez estivesse apenas esperando o risco passar para ir embora. “ Desculpa, mas você está brincando né?” ele perguntou hesitante, em seguida se levantando já que o risco havia passado, tentou abrir uma das gavetas mas ela estava trancada, era óbvio que estariam. “ Eu acordei aqui sem saber o por que e fazendo uma coisa estranha, não sei se foi o mesmo que você mas eu não acho isso normal não.” ele murmurou num tom que o outro conseguia ouvir. Ele se endireitou e olhou para Haru. “ Eu não sei de tratamento nenhum, eu nem estava doente, eu estou agitado por fazer aquela coisa. Você não faz nada de diferente?” ele perguntou, parecia que essa seria a pergunta habitual por ali.
Estava bastante desconfortável com a situação na qual os dois se encontravam; não iria esconder esse fato. Até mesmo porque, pelo seu ponto de vista além de estar sendo tremendamente ingrato por tudo o que ja lhe fizeram ficar indo contra as regras do ambiente apenas significava que teria que passar mais tempo ali. Caso não colaborassem com o que os funcionários lhe pedissem nunca que concluiriam os exames necessários para dispensa-los dizendo que estava tudo em ordem, ou ocasionalmente escrever sobre algum efeito colateral possível do novo tratamento. Qualquer coisa era possível por se tratar de um experimento nunca visto antes. Franziu ligeiramente o cenho diante do questionamento alheio, estranhando um pouco a maneira como o mesmo parecia excessivamente cauteloso; como se estivesse fugindo de guardas de uma prisão particularmente hostil. — Claro que não. Não lhe explicaram o procedimento quando veio pra ca ? — perguntou, cada vez mais agitado ao observar o outro tentando olhar em gavetas que estavam trancadas. Primeiro sinal de que nem deveriam estar mexendo ali para começo de conversa. — Olha, acho que não deveria estar olhando nessas gavetas... — começou a lhe dizer, mas se interrompendo quase que imediatamente. Ele não parecia remotamente interessado em lhe escutar de qualquer maneira. — Como não estava doente ? É o que eles fazem aqui; eles curam pessoas. E se não estava doente, porque estaria aqui..? — perguntou se aproximando um pouco mais do outro temendo ter escutado passos do outro lado da porta, provavelmente apenas ilusão fruto do seu medo. — Eu consigo andar. — respondeu, como se o fato de ele não ter percebido isso fosse algo estranho; mas ai lembrou-se que ele não o conhecia a tanto tempo assim. — O que não fazia antes, desculpe. Foi isso que quis dizer ?