Por mais que outros digam o contrário. Por mais que outras pessoas se aproximem de mim. Acho que só sendo eu mesma pra entender a batalha que passo todos os dias. De madrugada, quando a cidade dorme ou festeja, e após ir ao banheiro lavar as mãos eu me deparo com uma imagem. É o meu reflexo que eu vejo, mas não sou eu. Eu estico meus músculos faciais, olho a imagem de perfil, de todos os ângulos. Algumas lágrimas escorrem pelos meus olhos, deslizam pelas minhas maçãs do rosto e eu as sinto salgadas em meus lábios. Eu baixo minha cabeça e choro baixinho. Como eu pude deixar isso acontecer comigo. Eu vou para o minha suíte e antes de ir para cama, me deparo com um espelho. Minha mãe que colocou lá, como um troféu. Mas eu não ganhei nenhum prêmio. Eu me vejo gorda. Que de nada adianta ter uma coleção de lingeries com minhas cores preferidas, se eu não sou mais atraente para vesti-las. Eu emagreci 12 kg em 2 meses. Mas eu me sinto ainda tão longe de quem eu fui, de quem eu era. Para piorar, o cirurgião disse que ficaria uma pequena cicatriz no mei pescoço. Mas ela é horrível. Sinto que provavelmente as pessoas sentirão nojo de mim. As lágrimas aumentam e eu consigo ouvir meu soluço. É horrível você perder a confiança em si. Eu tiro fotos para mostrar a mim mesma que eu posso me amar, mas não demora muito e eu as apago. Tenho repúdio por mim. Meu rosto. Meu corpo. Meu espírito. Eu durmo grande parte das vezes com meu rosto molhado. Mas, de amanhã, eu acordo com ele seco, mas minha alma não.












