Peter Amherst | Former Gryffindor | Pureblood
"I didn’t mean to grow up. It was an accident."
Nacionalidade: Inglesa.
Varinha: Corda de coração de dragão, figueira, 32cm. Varinhas feitas dessa madeira normalmente pertencem a bruxos curiosos e aventureiros, já que elas mesmo são ávidas por novas experiências, e podem até mesmo queimar quando o bruxo chega à meia-idade, por conta do excesso de atividades mundanas.
Patrono: Pavão.
Ocupação: Vendedor da Zonko’s.
History
Alzheimer. Enfermidade degenerativa cerebral que afeta as capacidades mentais, a memória e a orientação, podendo atingir a demência.
Foi isso que o jovem Peter encontrou em um dicionário na sessão de livros trouxas da biblioteca em Hogwarts, no auge de seus trezes anos, após ler em uma carta de seu pai dizendo, com uma escrita corrida e levemente borrada, que sua mãe tinha sido diagnosticada com a doença. Como não tinha mentalidade ou conhecimento suficiente para compreender, Peter transformou a doença em um monstro. Um pequeno, que entrou pela orelha de sua mãe e alcançou seu cérebro, e que iria, pouco a pouco, demorar as memórias. As memórias de coisas que aconteceram e as memórias que a permitiam agir como um ser humano. Ele nunca gostara de monstros, e nunca gostara de ver as coisas como realmente eram. Amherst não era bom em Transfiguração, muito menos em Poções. Não jogava Quadribol, não viria a ser monitor, não era o preferido de nenhum professor. Ele era bom em uma coisa. Evitar. Evitava conversas sérias, evitava seus deveres, evitava qualquer indício de compromisso. E o futuro.
Ele era completamente aterrorizado com a perspectiva do futuro. De crescer, de envelhecer, do monstro que mastigava sua mãe o pegasse. No ano de N.O.M.’s, se não fosse por seus amigos, não teria feito os testes, se escondendo na orla da floresta proibida, porque não estava interessado em algo que o ajudaria em arranjar um bom emprego. O que você quer ser quando crescer?, perguntariam. Eu não quero crescer, era sua resposta. Odiava seus aniversários, odiava como depois da meia noite do dia 31 de dezembro de todo ano, ele tinha que mudar a terminação da data de suas redações e provas. 1970. 1971. Ou 2, ou 3 ou 4. Enquanto os outros já escreviam quase que automaticamente, era quase no final do ano escolar que ele precisava parar de rabiscar um três improvisado por cima do dois. Depois, ele não precisou mais se preocupar. Estava formado. A ficha demorou a cair. Como acontecia com a maior parte das pessoas, Peter não percebeu o que havia acontecido até meados de julho, quando sua carta não chegou. Quase pode ouvir o barulho que a percepção de que teria que arranjar um emprego causou ao cair dentro de sua mente. Queria voltar a ir para Hogwarts, voltar às aulas e as detenções.
A vida humana parecia muito com a construção de uma redação. Introdução, o nascimento. Desenvolvimento, todo o resto de sua vida. Conclusão, sua morte. A vida de Francis Amherst parecia uma redação ruim, com um desenvolvimento pequeno e uma conclusão que não fazia sentido. Peter conhecia a rotina dele bem o suficiente para saber que as 7h15 de toda manhã ele saia de casa, e entrava em seu carro. Chegava no trabalho perto das 7h45. O tráfico de Londres é um inferno, podia ouvir sua voz dizendo. Saia 12h30 para o almoço, e voltava 1h00. Na terça feira da primeira semana de agosto de 1974, ele não voltou. Ele estava com pressa, atrasado, ia entrar 1h05 e não no horário que deveria – ele tinha um problema com números – e não olhou para os dois lados antes de atravessar a rua. O carro não parou, mas seu coração o fez.
Ele e o filho nunca foram melhores amigos; nunca atravessaram a linha de relacionamento pai e filho, e brigavam mais vezes do que ele admitiria para os vizinhos. A maioria das vezes por conta da inabilidade de aceitar a vida real do mais novo. Por mais que amasse o pai, tinha pavor da ideia de se tornar como ele quando crescesse. Quando crescesse. As duas palavras causavam um calafrio por sua espinha. Não foi no funeral, não conseguiu. Seu único consolo foi que sua mãe não parecia afetada pela morte do marido. Não porque não o amava. Ela amava, amava mais do que qualquer outra pessoa na face da terra. Apenas não conseguia se lembrar do acontecimento. Ele não mencionou nada para ela, não nos primeiros dias. Até ela começar a errar seu nome. Peter segurava sua mão, e murmurava sobre a morte do pai, e como seu nome era Peter, e não Francis. Peter, mom. My name is Peter. I’m your son. Francis died. Ela sempre chorava, e esquecia no dia seguinte, na hora seguinte. Eventualmente, ele desistiu. Fingia ser Francis, por mais que doesse ver sua mãe o olhando com o amor que antes era direcionado a seu pai. Por mais que sentisse vontade gritar que seu nome era Peter toda vez que ela o chamava de Francis. Por mais que doesse mais do que palavras poderiam expressar toda vez que percebia que a mãe não sabia que ele existia. Fechou-se mais para a piadas, para a recusa de crescer, e o desejo de ir para a Terra do Nunca tornou-se ainda maior do que era quando ele tinha apenas sete anos. Não iria ser aceito, é claro. Já era adulto demais, quebrado demais.
Arranjou um emprego na Zonkos. Era o único lugar do mundo que o fazia se sentir mais jovem do que realmente era, já que Hogwarts não era uma opção. O dono ofereceu um quarto no andar da loja, caso pudesse retirar parte de seu salário todo mês. Peter concordou imediatamente, usando a outra parte de seu dinheiro para pagar o tratamento, embora a palavra mais correta seria aluguel, de sua mãe em uma clínica. Escondia sua situação de todos, não querendo ver aqueles olhares cheios de pena, mas a visita toda semana. E toda semana, ela o chamava de Francis.
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