
Jar Jar Binks Fan Club
đ©” avery cochrane đ©”

No title available
Today's Document

@theartofmadeline

titsay

Kiana Khansmith
Fai_Ryy
h
â
YOU ARE THE REASON
Sade Olutola

Origami Around
NASA

PR's Tumblrdome
Aqua Utopiaïœæ”·ăźćșă§èšæ¶ă玥ă
No title available
No title available

Discoholic đȘ©
Game of Thrones Daily

seen from United Kingdom

seen from Singapore

seen from Thailand

seen from United States
seen from United States

seen from United States

seen from United States

seen from Indonesia
seen from United States
seen from United States

seen from Albania
seen from Vietnam
seen from France

seen from United States

seen from Sweden
seen from TĂŒrkiye
seen from Singapore
seen from Bangladesh

seen from Singapore

seen from Greece
@prettierandmorenuts
Si estamos de acuerdo en la teorĂa del dolor y la locura, es decir, si el dolor provoca locura y la locura - no pocas veces - el suicĂdio, y si no pedĂ otra cosa que no fuera un poco de cariño que mitigue el dolor, que a su vez espanta los acechos del suicĂdio⊠estaremos de acuerdo entonces en que de este asunto y de otro parejamente tristes somos todos culpables un poco.
Jorge CedrĂłn.
Fazia tempo que nĂŁo escrevia esse nome, mas lembro como se fosse ontem os caminhos que meus dedos percorriam no teclado do computador ao dirigitar C-e-d-r-Ăł-n.
Todos, absolutamente todos os meus livros e filmes favoritos de juventude, quando lidos e revistos, me passavam um grande descontentamento. Percebia o quanto eu tinha mudado e que o significado daquelas obras nĂŁo tinham o mesmo valor para mim, e isso me deixava profundamente frustrada. Quando eu revisitava aquela arte, queria sentir aquela grande e intensa emoção da primeira vez, que me fez perder as estribeiras, que me fez sentir viva de verdade. Mas nĂŁo funcionava assim, e sĂł servia pra me sentir tonta e fĂștil por um dia ter acreditado que aquela era a melhor obra de todas. Eu nunca aprendi minha lição, atĂ© hoje caio nessas. Ainda custo rever alguns filmes favoritos de 10 anos atrĂĄs, porque temo que eles percam a magia que tinham.
Mas teve uma história que nunca mudou pra mim até hoje, acredito que nunca hå de mudar. à a história de vida de uma pessoa que eu admiro muito e relembro todos os dias.
Escrevendo isso agora, vĂĄrias lembranças surgem e eu nĂŁo consigo muito bem colocĂĄ-las em ordem. Primeiro veio Rodolfo Walsh, quem contou a histĂłria do massacre e me deu a ideia de escrever a monografia; aĂ terminou-se um ciclo, a graduação, e eu fiquei totalmente perdida, mas logo surgiu CedrĂłn, que fez o filme da histĂłria, e me despertou tantas novas experiĂȘncias que sĂł de lembrar me arrepia.
CedrĂłn sempre foi artista. Desde sempre gostava de tango, de cinema, teatro. Trabalhou desde cedo, com seus vĂĄrios irmĂŁos, mas sabia qual era sua paixĂŁo. Nunca se importou com polĂtica atĂ© entender que tudo era polĂtica, atĂ© entender que ele jĂĄ estava de um lado, mesmo nĂŁo sabendo.
Sabia que nĂŁo era hĂĄbil em pegar em armas, entĂŁo fez sua militĂąncia artĂstica, ajudando como pode. CedrĂłn, queria que vocĂȘ soubesse o quanto me ajudou. CedrĂłn sempre foi uma pessoa muito enĂ©rgica, ansiosa, apaixonada. Se eu pudesse definir CedrĂłn em uma palavra seria essa: apaixonado.
E foi exatamente essa palavra que me cativou e me fez continuar mesmo nas minhas piores crises existenciais, nos meus momentos mais sombrios de solidĂŁo, que sĂł quem foi bolsista no mestrado sabe do que estou falando. CedrĂłn me fez continuar porque me lembrou demais de mim mesma.Â
Ele me lembrou de mim mesma quando fez um filminho para um fascista porque precisava pagar as contas, quando casou com sua esposa, mesmo sendo filha de um banqueiro, porque estava apaixonado. Quando passava noites no bar do irmĂŁo com os amigos porque sentia que aquelas pessoas estavam tirando sua vida da misĂ©ria. Quando decidiu fazer um filme clandestino no meio de um lixĂŁo, com a mesma atitude de âuma cĂąmera na mĂŁo e uma ideia na cabeçaâ porque precisava romper limites. Ou quando precisou partiu para o exĂlio porque pensou nos filhos e na esposa. Ou mesmo quando chegou no exĂlio e se sentiu um lixo, porque nĂŁo achava justo seus amigos estarem mortos e ele estar vivo.
CedrĂłn, eu sinto muito. Sinto muito por vocĂȘ ter ido embora do jeito que foi. Queria muito que vocĂȘ soubesse que eu sinto muito. Eles te mataram, nĂ©? Eu sei. De um jeito ou de outro, eles te mataram. VocĂȘ nunca conseguiu aprender francĂȘs, porque a Argentina ocupava espaço demais no seu coração. E quem podia te culpar? VocĂȘ nunca realmente saiu de lĂĄ.Â
Entrei em contato com a sua filha, LucĂa, ela sabia que eu estava fazendo um trabalho sobre vocĂȘ, mas acabamos perdendo o contato. Ela foi muito simpĂĄtica e agradĂĄvel, vocĂȘ ficaria orgulhoso.
Eu guardo cada anotação que fiz dos dois anos de pesquisa do mestrado, das viagens, lembro de todos os momentos que quis desistir e que preguei seu discurso no meu guarda roupa.Â
Eu tambĂ©m sou uma pessoa apaixonada, sabe? Ainda nĂŁo sei qual Ă© a minha maior paixĂŁo. JĂĄ tive vĂĄrios relacionamentos malucos (assim como vocĂȘ), jĂĄ quis entrar pra militĂąncia e pegar em armas (mas saĂ a tempo), jĂĄ quis ser economista sem saber matemĂĄtica, jĂĄ quis vender minha arte na praia (quem nunca?) e jĂĄ quis me matar inĂșmeras vezes. JĂĄ me perdi tanto, CedrĂłn. Mas Ă© incrĂvel que sempre me encontro no mesmo lugar.Â
A vida inteira eu fui rotulada como uma pessoa intensa demais, 8 ou 80, que nĂŁo sabe dosar, que nĂŁo consegue encontrar equilĂbrio na vida. NĂŁo estavam errados, mas eu aprendi a nĂŁo ver isso como um defeito mais. Me custou cerca de 28 anos, mas aprendi. Uma vez alguĂ©m disse que eu era frĂĄgil, dramĂĄtica e podre por dentro (risos) para outra, querendo me difamar. Mas essa pessoa me disse uma vez que eu via as coisas com amor. No começo eu achei besta, mas depois fui me acostumando com a ideia, me pareceu bonito, sonoro e encaixou bem. Senti que eu merecia esse tĂtulo. Sou uma pessoa que vĂȘ as coisas com amor, por isso que Ă s vezes a vida Ă© tĂŁo pesada pra mim. Pra vocĂȘ tambĂ©m foi, nĂ©?
VocĂȘ mudou tudo, CedrĂłn. VocĂȘ me permitiu ser. SĂł por te admirar tanto, vocĂȘ me permitiu. Devo a vocĂȘ um grande capĂtulo da minha vida. E, por sua causa, vai ser realmente sĂł um capĂtulo, porque eu tenho muita coisa ainda para fazer por aqui.
NĂŁo colocamos um nome ainda
Eu quero conhecer vocĂȘ Quero te levar para sair Em vez disso, estou escrevendo uma mensagem Que provavelmente nunca enviarei
Quando vejo vocĂȘ, o mundo inteiro se reduz Ă quele quarto E entĂŁo me lembro o quanto sou tĂmida De repente estou presa, pensando demais Provavelmente duvidando de mim mesma Mas vocĂȘ continua falando e eu fico hipnotizada
Eu quero contar ao mundo inteiro sobre vocĂȘ Quero falar sobre como vocĂȘ Ă© extraordinĂĄrio E que eu realmente acredito que o universo te guardou pra mim E eu gosto de vocĂȘ, mas jĂĄ pensei em nunca demonstrar E entĂŁo vocĂȘ nĂŁo me esperaria e talvez eu nĂŁo me importasse Porque provavelmente eu fico melhor sozinha A eterna Frances Ha
Mas eu olho para a sua foto e eu sorrio VĂĄrias vezes jĂĄ me peguei fazendo isso e Ă© constrangedor Passaram-se alguns dias desde a Ășltima vez que te vi E vocĂȘ tomou meus pensamentos Estou recontando piadas que vocĂȘ contou que me fizeram rir Fingindo que sĂŁo minhas
Percebi nos Ășltimos dias coisas sobre mim Que dizem sobre vocĂȘ Sinto uma melhora genuĂna, um avanço Talvez seja uma fase, talvez passe Mas espero que nĂŁo, espero que vocĂȘ fique.
Scream
Eu quero gritar, mas não posso. Nem se pudesse, acho que não faria diferença. As pessoas não escutam, elas não ouvem o que eu realmente tenho pra dizer.
Eu digo que não sou uma boa profissional. Elas dizem que eu sou insegura. Elas não estão me escutando. Não consigo mais dar aula. Não consigo mais estar nesse ambiente. Não me sinto respeitada, bem-vinda. Pode ser que esteja com mania de perseguição, mas eu não quero mais ser curada.
Eu sĂł quero deixar de existir. Antes eu sabia como fazer isso, mas jĂĄ nĂŁo sei mais.
I feel so fucking alone. But this is what I wanted, right? So what the hell is going on? What does everything feel so cold? What does everyone seem like hating me? Why am I so annoying? Why am I acting like I'm 15? I thought it had stayed in the past.
Hoje a gente terminou, e eu consegui limpar os mĂłveis do meu quarto, depois de 3 ou 4 semanas na poeira.
TrĂȘs ĂĄlcoois-gĂ©is, nenhuma lembrança de vocĂȘ.
sinto medo, sou covarde
Nessas horas lembro de todas as vezes em que errei e quis voltar no tempo. Lembro das vezes em que quis que essas pessoas a minha volta nunca tivessem presenciado certas atitudes minhas, certas falas. Nessas horas eu lembro de todas as vezes que apontei o dedo pra qualquer pessoa e qualquer erro. NĂŁo tanto quanto todo mundo, eu sei - sempre tomei um certo cuidado - mas mesmo assim, ainda podia ter tido mais cuidado. Porque todo mundo erra. Porque ninguĂ©m Ă© perfeito. Porque todo mundo tem seu lado mocinho e seu lado selvagem. Porque todo mundo faz a sua cagada e nĂŁo quer admitir ou sĂł assume um tempo depois, em silĂȘncio, pra si mesmo.
Hoje eu assumi um erro pra mim mesma e pra minha pessoa favorita. Essa pessoa favorita nĂŁo me julgaria pra mim, mas nĂŁo sei o que ela ta pensando de mim agora. Como ela Ă© bem melhor do que eu, talvez eu nunca vĂĄ saber. Mas eu to me achando uma criança que acabou de ser parida. To envergonhada. E quero desistir, porque sinto minhas forças se esvaindo, e sinto vergonha disso, porque lembro da minha mĂŁe dizendo âo que a vida quer da gente Ă© coragemâ. E espero que ela nunca saiba disso, porque ela morreria de vergonha de mim e sentiria que ela falhou comigo. Enfim, sinto tudo isso ao mesmo tempo.
Se eu pudesse voltar no tempo, eu ficaria desesperada frente a oportunidade de ter que viver parte da minha vida de novo. Provavelmente eu me mataria. Acho que por isso nĂŁo Ă© me dada a chance.
20h42
Eu to hå uma hora tentando entender a diferença entre aculturação e assimilação. To começando a achar que nem a apostila tem certeza se os dois conceitos são usuais ainda e realmente diferentes entre si. E quanto mais penso, mais tenho raiva do meu diretor por ter me indicado essa disciplina, porque não tem nada a ver com História.
Mas a realidade Ă© que nada produtivo sai daqui desde 12h15 e eu nĂŁo sei porquĂȘ. Era pra ser um dia normal, um dia bom. Eu sĂł tinha 1 aula hoje e podia fazer o que eu mais gostava no resto do dia: papelada e preparar aula. Mas eu tive uma crise que nĂŁo passava e absorvi cada milĂmetro de besteira ao meu redor.
Um aluno idiota disse que ano passado ele me via como alguém que não era preparada. Na verdade não lembro direito o que ele disse, mas isso foi o suficiente pra eu ficar pensando que é essa a imagem que eu passo. E eu me esforço tanto pra passar a imagem de esforçada rs. E eu vou ter que ficar olhando pra esse otårio sempre na tutoria.
To cansada de me odiar. Eu não fiz nada de errado. Eu sou digna de amor, de respeito, de empatia. Mas também to cansada de ter pena de mim.
Foda-se, o dia ta acabando. SĂŁo 20h42.
Du
VocĂȘ me chamava de estranha, mas vocĂȘ era a pessoa mais estranha que eu jĂĄ tinha conhecido, e a gente sabia disso. Ăramos um belo par.
Eu era triste, vocĂȘ era triste. Quando vocĂȘ me convidou pra ir Ă cachoeira, achei que era pra me ajudar a fazer amizade, porque minhas competĂȘncias sociais sempre foram inĂșteis. Mas nĂŁo era, seu interesse era outro, e quando eu entendi, vocĂȘ jĂĄ estava investido demais. A partir do momento em que tive que contar que eu jĂĄ tinha um compromisso com outra pessoa, vocĂȘ se afastou, depois se demitiu.
Mas atĂ© isso acontecer, vocĂȘ me encontrou em todos os cantos isolados da escola e contou o podre de todos os alunos. VocĂȘ me consolou dizendo que ia comprar droga pra gente usar na cachoeira, e esquecer o quanto o mundo Ă© inimigo dos esquisitos. VocĂȘ me lembrou por vĂĄrias vezes o que eu tava fazendo ali, e que eventualmente aqueles alunos iam acabar gostando de mim. Ou nĂŁo e foda-se. VocĂȘ foi minha companhia, quando ninguĂ©m mais foi, ninguĂ©m mais podia ser, porque vocĂȘ era igual a mim.
E no dia que vocĂȘ se foi, eu lembrei daquela vez em que a gente contemplou a ideia do suicĂdio coletivo na cachoeira. E sabe o que eu senti, Du? Raiva. Senti raiva de vocĂȘ, porque vocĂȘ foi sem mim. Por que vocĂȘ decidiu isso? Por que nĂŁo me esperou? Olha como eu sou uma filha da puta egoĂsta, Du! Olha do que vocĂȘ se livrou rs. Eu me odeio, mas nĂŁo consigo evitar sentir raiva de vocĂȘ.
Eu sinto muito por tudo. Sinto muito pela sua vida sofrida, por termos nos afastado. Sinto muito por nĂŁo ter sido quem vocĂȘ quisesse que eu fosse. VocĂȘ foi quem eu quis que vocĂȘ fosse, quem eu precisei que vocĂȘ fosse.
A Ășltima vez que te vi foi no primeiro turno das eleiçÔes, de longe. Sei que vocĂȘ me viu tambĂ©m. Sei o que vocĂȘ pensou. Sei em quem vocĂȘ votou.
Nunca vou deixar de ser estranha, Du. Te amo.
sinais
Eu sempre venho aqui quando nĂŁo hĂĄ mais nada a se fazer.
Não é que esteja tudo uma bosta, não me leve a mal, as coisas estão caminhando bem. To até otimista esses dias, com fé na vida.
Se bem que toda vez que penso que nĂŁo tenho nada do que reclamar, acontece alguma coisa que explode minha mente e me faz pensar que eu vivo uma mentira.
Sabe de uma coisa que odeio mais do que minha vida? Mais do que conversar, socializar? Ser subestimada, ser menosprezada. Tenho vontade de voar no pescoço da pessoa, seja ela quem for.
As pessoas tendem a puxar o saco dos chefes e rirem de tudo o que eles falam, até as coisas mais absurdas e escrotas, até os bullying! Eu sou incapaz... por mais que eu tente.
I miss you like we both died
Our time together, a star-crossed endeavor
(...)
I'll miss you in the next life
whatâs left of me
VocĂȘ Ă© minha rocha. E a culpa Ă© toda minha. VocĂȘ era perfeito, perfeito demais pra mim, e isso me enganou. Esse pensamento me ludibriou.
VocĂȘ me enganou como todos eles.
Só que dessa vez não só meu coração foi esfacelado, foi meu futuro, minha esperança. Foi o que restou de mim, que era seu.
O que te fez pensar que existia algo mais de mim?
Meu Deus, quantas vezes eu me enganei!
O que vou fazer agora presa aqui dentro de mim?
Aquela sensação
Tenho medo de não conseguir me conter, ao mesmo tempo que tenho medo de deixar a oportunidade passar sem sentir aquela sensação. Serå que eu gosto de ser doente? Serå que essa sou eu realmente? Porque não consigo lembrar de mim em uma época em que eu não fosse, mas não quer dizer que quero continuar sendo. Eu quero ter paz. Aqui vou ter paz?
sozinha
Sabe, eu tava pensando aqui sobre toda essa montanha de problema que no final ta tudo conectado: o bloqueio da escrita, o pensando do que vocĂȘ vai achar, ou do que todos eles jĂĄ pensam sobre mim, de tudo o que eu carrego de insegurança desde criança, todos os mesmos gatilhos, todas as mesmas falhas, meu mesmo jeito de ser, esse meu jeito que nunca muda.
Eu sei que to errada. Sei que eu vivo errado. HĂĄ 28 anos eu to aqui cambaleando, renascendo das cinzas, tomando coquetĂ©is de remĂ©dios 3 vezes ao dia e eu nĂŁo mudo. E se eu tento, parece que meu corpo rejeita, tenho vontade de vomitar, de me jogar da ponte. Sei que as pessoas olham e julgam. Elam veem e dizem âvocĂȘ nĂŁo pode ser assim, vai te fazer malâ. Eu sei.
Desde semana passada to sentindo muita dor no corpo. Daquelas, sabe? Tento nĂŁo pensar, nĂŁo focar na dor, porque se eu pensar, nĂŁo levanto mais. Eu tenho um momento bosta aqui e ali, mas eu me seguro, sabe? O remĂ©dio nĂŁo me deixa cair muito. Eu volto rĂĄpido. SĂł que esse fim de semana vocĂȘ me mandou mensagem. Foi uma coisa besta, sobre um edital de JacareĂ, e foi sĂł isso mesmo, porque vocĂȘ deixou bem claro que nĂŁo queria conversar. Mas vocĂȘ me desbloqueou e eu vi sua foto e vi o Raul.
NĂŁo doeu menos. Doeu como se tivesse acontecido ontem. E quanto mais o tempo passa, menos eu consigo falar sobre isso. Porque eu sei que cansa, que Ă© chato, que Ă© atĂ© vergonhoso. Sei que nĂŁo consigo nunca expressar de nenhum jeito crĂvel o que vocĂȘ representa pra mim. O que vocĂȘ foi e o que vocĂȘ nĂŁo consegue deixar de ser. O lugar que vocĂȘ nĂŁo consegue deixar de ocupar dentro de mim.
Lealdade sempre foi uma coisa muito importante pra mim. Eu dou um valor pra amizade que talvez ninguĂ©m mais dĂȘ. Talvez seja isso. Talvez seja mais uma parte da minha vida sendo vivida errado. Eu sei que separaçÔes acontecem e que pessoas se afastam. JĂĄ me afastei de vĂĄrias sem nem olhar pra trĂĄs, vocĂȘ sabe disso melhor do que ninguĂ©m... Mas me afastar de vocĂȘ me faz mal.
NĂŁo me entenda mal... NĂŁo quero nada de vocĂȘ. NĂŁo quero que as coisas voltem a ser como eram, nĂŁo quero conversar sobre a briga. Quero que saiba que vocĂȘ estava errada todas as vezes em que pensou que eu nĂŁo me importei com vocĂȘ, que nĂŁo pensei em vocĂȘ, que nĂŁo valorizei sua amizade. VocĂȘ foi a amiga que mais apoiei, admirei, enalteci e estimei. VocĂȘ me levantou do fundo do poço, me tirou da melancolia, me trouxe de volta a vida incontĂĄveis vezes. Sei que eu nĂŁo fui tudo isso pra vocĂȘ e nĂŁo tenho o direito de te cobrar nada, mas essa nunca foi a questĂŁo. Eu nunca esperei 100% de retorno, eu sĂł queria sua amizade. E vocĂȘ me arrancou o coração.
E aqui estou eu, decepcionada comigo mesma, porque nĂŁo doeu menos, porque nĂŁo consegui conversar com ninguĂ©m e porque vocĂȘ tinha razĂŁo em quase tudo. Muito sensĂvel, muito dramĂĄtica. Mas podre por dentro ainda nĂŁo. Se eu fosse, nĂŁo te amaria tanto.