Dizem que cada ato desenha um destino,
e que as respostas do tempo vêm sem pressa,
mas sempre chegam.
Não temo as consequências,
mas me parte ao meio
quando as ondas dos meus passos
afogam quem eu amo.
Hoje, um eco antigo, nascido na minha infância,
se entrelaçou aos rastros do presente
e desfez, para sempre,
algo que um dia foi lar no coração de alguém.
Eu nunca soube bem o que fazer com a dor,
com os sentimentos que queimam por dentro,
muito menos como encará-los sem desviar o olhar.
E agora, neste tempo que me engole,
não basta que eu aprenda —
é preciso ensinar.
Mas tudo que eu sei ensinar
é que o caminho mais fácil para o silêncio
é a morte.
Esse pensamento tem me rondado há dias,
e confesso, estou perdida.
Hoje, depois de tanto tempo em falsa calmaria,
se pudesse, me dissolveria no ar,
até ser apenas um número,
um dado sem rosto.
Talvez o único fio que me prende à terra
seja essa vida que pulsa dentro de mim,
mas não prometo estar aqui
quando ela abrir os olhos para o mundo.
Sempre fui menos do que esperavam,
um erro, um engano, um fardo.
E hoje, todas as mentiras que tentei sufocar
se ergueram contra mim,
gritando que são verdade.
A quem amo, a quem um dia chamará meu nome:
eu sinto muito.
Sinto por cada dor que causei,
e por essa que talvez esteja prestes a causar.
Espero que um dia entendam
que, apesar de tudo,
eu sempre amei.
Mas agora, eu desisti de mim.
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