ENTREVISTA
MELO, Hercília. Impactos da pandemia na sua vida. Hanna Castilho. Quarentena estudantil, três laudas, primeiro exemplar, agosto de 2020.
Impactos da pandemia na sua vida
Nesta entrevista, a professora Hercília, que trabalha no Colégio Magister, conta como sua rotina e a de sua família foi alterada devido à pandemia de Covid-19. Ela conversou com Hanna, aluna do 8º ano, do Ensino Fundamental II, do Magister.
Hanna: Quais impactos a pandemia de coronavírus trouxe para sua vida?
Hercília: Durante a minha vida toda nunca passei por uma situação como essa. Logo no início tive uma série de conflitos e desentendimentos em relação ao meu trabalho, pois sou professora. Eu não sabia como iria ficar o ano letivo dos meus alunos e dos meus filhos. O primeiro embate que eu tive em relação aos novos hábitos durante a quarentena foi me adaptar as aulas virtuais. Como as aulas são totalmente feitas pela internet, eu como uma “desatualizada” em relações virtuais, tive vários momentos de indecisão e divergências na realização de atividades, e lições mais interativas, propondo uma aula mais interessante para minha classe. Hoje, com sistema remoto, nós professores trabalhamos três vezes mais. Além das questões de ofício, tive que me adequar e restringir as visitas aos meus familiares. Com o vírus lá fora, devemos nos proteger e proteger o outro.
Hanna: Em relação aos dados de óbitos do nosso país, o que você acha das pessoas que desrespeitam o isolamento social?
Hercília: A orientação para todo mundo é clara: fique em casa! Essa medida é para diminuir o contágio por Covid-19. Porém algumas pessoas desrespeitam a quarentena e demonstram que não têm nenhum tipo de afeição pelo próximo, que não se importam com as mais de 100 mil vidas perdidas por causa do vírus, e não se compadecem com as famílias que perderam parentes e amigos para o coronavírus. Se ficarmos em casa, nos protegeremos e protegeremos o outro indivíduo. Mas sabemos também que tem gente que precisa fielmente trabalhar dia a dia para manter seu sustento, de modo que devem utilizar todas as proteções necessárias para que o vírus não se alastre.
Hanna: O que você acha da reabertura das escolas?
Hercília: Nós professores e alunos queremos voltar a trabalhar e estudar, porém precisamos fazer isso com responsabilidade e os devidos cuidados. Bom, por mais que haja um protocolo de segurança, não enviarei meus filhos para a escola. Isso é mais por causa das crianças, por não saberem a situação crítica do nosso país.
Hanna: O que você espera para o final da pandemia?
Hercília: A minha primeira constatação sobre o que vem por aí depois da pandemia é simples: não dá para saber. São tantas coisas que vão ser mudadas, que não dá para saber como a vida vai continuar. Escolas, shows, academias, universidades, todos vão mudar seu jeito de pensar e agir. Até mesmo nosso governo pode mudar, porque o descaso do presidente afetou o Brasil inteiro, deixando-o em segundo lugar com mais mortos pela Covid-19, perdendo apenas para os Estados Unidos. A minha preocupação com a saúde e o bem estar da minha família irá redobrar. Devemos nos cuidar, até mesmo para que outra onda de Covid-19 não volte.











