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Na história periodicamente eclodem renovações espirituais. Movimentos religiosos surgem, ordens são fundadas, velhas igrejas se reerguem: Santo Agostinho, Francisco de Assis, São Benedito, os reformadores, Wesley e tantos outros. O Espírito sopra, a caridade se expande. Descobre-se a grandeza de Deus e do seu amor, que afasta todas as mesquinharias humanas. Redescobre-se, de repente, a dimensão ilimitada das exigências de Deus e a dimensão ilimitada da sua graça. Proclamamo-la. As pessoas sentem-se chamadas, acolhidas, não julgadas. Elas se convertem, mudam de conduta e de atitude, tornam-se fervorosas na comunhão cristã.
Mais tarde, pouco a pouco, inevitavelmente, nesse meio mais virtuoso e mais austero, instala-se um novo conformismo. A graça se torna condicional. Começa-se a julgar. Quem não corresponde a certas normas torna-se suspeito de infidelidade. É isso que suscita a hipocrisia, porque cada qual, para honrar a sua fé, procura parecer melhor do que é, começa a esconder suas faltas em vez de confessá-las. Obriga os filhos a darem um bom exemplo, como convém a uma família religiosa.
O moralismo ressurge, apagando o sopro do Espírito Santo. Para assegurar-se do tesouro perdido de certos “princípios” herdados no período heroico, nós nos apegamos um pouco mais a uma nova moral limitada. O que era um impulso espontâneo, livre, uma alegre obediência a Deus em resposta à sua maravilhosa graça torna-se uma atitude forçada, uma obrigação legalista. Reaparece o medo de ser julgado e a angústia patológica dos tabus. Principalmente, começa-se a mostrar-se mais virtuoso do que se é. Essa é a falta de Ananias e Safira, que o apóstolo Paulo repreende severamente (At 5.1-11).
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— Paul Tournier, Culpa & Graça
















