O que eu vivi durante esses anos de existência?
Um dia desses minha mãe me chamou pra comer um brigadeiro e assistir um filme, mas eu neguei, argumentando que tinha planos de estudar. Era um domingo, dia que a maioria das pessoas tiram para descansar e repor as energias. No entanto, a minha mente não queria saber disso, porque ela me cobrava cada vez mais. Mais empenho, mais bons resultados, mais.
É incrível como o poder da cobrança mental nos domina facilmente. Mas sabe por que? Porque somos de uma geração que não se permite errar. Exigimos a perfeição e fazemos de tudo para alcança-la, inclusive, abrindo mão do descanso mental.
Minha mãe, por sua vez, questionou o porque da minha decisão de estudar em um domingo, argumentando que muitas vezes nós nos dedicamos tanto a algo, que quando paramos para analisar o que aproveitamos da vida durante esse tempo, às vezes não vale a pena.
Tal frase me deixou reflexiva, o que me fez, ainda com culpa, baixar a guarda e ir descansar.
Coincidentemente, ao longo da semana vi muitas noticias de pessoas relativamente jovens, mas que haviam morrido. Imediatamente questionei o que esses indivíduos teriam aproveitado da vida em tão pouco tempo. Porém, a duvida retornou para mim. Foi então que eu me perguntei: o que eu vivi durante esses anos de existência?
Nos dedicamos tanto a estudar, trabalhar, mudar de vida, mas esquecemos que não existe tempo certo para viver. Você pode morrer amanhã e não ter conquistado nada, como também nem ter vivido. Que sentido a vida teria se isso acontecesse? Você estaria satisfeito? Passei o dia inteiro me cobrando, incomodada porque estava sem fazer nada “útil”. Mas um pensamento logo veio. Descansar não é inútil. É essencial.
Estudem e trabalhem no tempo certo, mas não se esqueçam de viver e descansar. Dar boas gargalhadas com a família traz tão boa sensação quanto tirar notas boas.
















