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Carta aberta
Essa foi a minha parte. A parte que muitos não conhecem mas pensam em conhecer, a parte em que eu não mostro pra ninguém, a parte que o sorriso no rosto consegue esconder. São tantos pedaços de mim por aí que fica difícil saber quem eu sou de verdade; amigo? filho? namorado? amante? Quem eu realmente sou? O sorriso estampado no rosto é uma marca de sobrevivência que eu aprendi a ter, é um escudo que quase ninguém consegue quebrar, a não ser você... Qual foi o feitiço? Como eu fui me prender a isso? Coração enganoso, me fez amar alguém que não existe. Mente enganosa, me fez criar um mundo perfeito onde você estava comigo. Realidade dolorida, me fez entender que a solidão é um lugar confortável para estar. Entre mágoas e solidões, a vida vai se encaixando, vivendo todos os momentos de cada vez, sem ter a pressa de vive-los, envelhecendo num mundo sombrio e solitário, cercado por pessoas egoístas e solitárias, assim como eu, mas são poucos os que reconhecem. Então você veio, transformou meu mundo cinza em azul, um azul com muita paz, como olhar para o céu num dia de verão, e contemplar a grandeza do azul acima. Mas como todo mundo, você foi... Deixando o azul se transformar em cinza novamente, como um dia de verão chuvoso, a tempestade chega de repente, deixando o céu acinzentado e perigoso. Aliás, como você está? Por onde você anda? Eu me sinto responsável pela cova que você mesmo criou, e afundou nela como uma criança recém nascida, que foi entregue ao mundo sem saber como sobreviver... Mas você sobreviveu, não é mesmo? Até quando? Impossível saber... Eu acabo por aqui, numa madrugada fria e sozinha, pensando no motivo de eu ter escrito tudo isso, sabendo que você jamais irá ler. Mas me ajudou a pensar, a esclarecer. Eu consegui sobreviver sem você, eu achei conforto, estabilidade e segurança. E desejo que um dia, você também possa achar. - The happy end.
DesisSlava Iliyanova