Participantes: Grand Master e Lunatic Psyker;
Descrição: Fazendeiros estão tendo problemas com guaxinins e galinhas.
Status: Em Andamento.
Observações: Missão sem intervenção de boss.
Classificação: Livre.
Depois de procurar por ovos em Ruben, Elesis e Add descobriram que a pequena vila estava com problema no fornecimento de alguns suprimentos por conta da intervenção de algumas pestinhas nas fazendas. Elesis, como uma boa cavaleira vermelha, não deixaria aquilo passar em branco: arrastou o albino para os campos de Ruben, e lá foram os dois, vasculhar os campos em busca das pestinhas problemáticas – e os motivos para estarem causando algazarra.
Quando estava andando pelo segundo pasto do dia é que a ruiva veio sentir falta de algo bem importante… A Great-Claymore. Já estavam tão longe do QG que seria uma perda de tempo ir atrás daquela espadona, ainda mais depois de terem se infiltrado por dentro das fazendas mais do interior.
Mais um pouco e nós chegamos lá na casa que eu, papai e o Faísca morávamos.
Fez um biquinho discreto, não queria acabar dando de cara com aquela casa. Era nostalgia demais, e bagunça demais. A última coisa que queria era levar o brutamontes pra lá. - Bem… Galinhas são ativas durante o dia todo, mas guaxinins… Eles não costumam andar de dia… - Parecia pensar em algum plano mais conveniente para procurar pelas pestinhas. - Mas pelo que falaram… São os guaxinins que estão perturbando as galinhas…
… Acho que teria sido melhor esperar até a noite…
Ele estava bastante incomodado, e não por causa da presença de Elesis. Tinham saído só para pegar ovos para os biscoitos, sendo que Rena já preparava um almoço para todos, e agora estava indo caçar guaxinins no meio do dia.
Não reparou o quanto andou e nem nas caras de Elesis enquanto ela se lembrava da cidade natal. Só queria terminar logo.
- Hah, sério?…. Isso complica bastante. Vamos ter que ir atrás de suas tocas e cavar, por acaso? Não estou nem um pouco a fim de me sujar com esses bichos insignificantes!
Add estava sempre com seus Dynamos, e entediado os fez girar lentamente em círculo do lado esquerdo, o oposto da Elesis.
- Eu precisaria de um sensor de infravermelho, ou detector sonoro pra captar as nuâncias nos caminhos pra encontrar esses animaisinhos… mas o que fazer com eles depois? Não gostaria de matá-los por coisa assim. - começou a falar, pensando no que ele poderia ter preparado.
Essas coisinhas… Elas me dão arrepios!
Pior que estar andando sob o sol do meio-dia, sem pista nenhuma, era ficar desarmada perto das coisinhas do albino maluco. Elesis deu um passo para o lado, distanciando-se do albino. Na cabeça dela, aquela era distância suficiente para reagir e dar um chute bem dado na bunda do maromba.
- Heeeeeeh? Infraoquê? Sonoro o quê? - A ruiva tombou a cabeça, confusa diante das coisas estranhas que o albino começou a falar. - É só procurar pelas cercas, ver de onde eles estão vindo e procurar o motivo da algazarra. Essas coisas devem ser reflexo do inverno, tipo as galinhas estarem com problemas. - Era óbvio, e o ambiente era bem propício para ela, que conhecia bem as terras. - Nós podemos passar o dia procurando rastros nas cercas e esperar a noite pra ir atrás dos guaxinins. Podemos usar cachorros pra farejar…
Ele deu uma olhada para Elesis quando a viu se afastar de novo.
“Ela ainda está incomodada com eles? Achei que tivesse quebrado esse medo lá naquele refeitório quando eu… ngh… não quero lembrar daquele meu estado deplorável e minúsculo…”
- Infravermelho - disse com a intenção de explicar, mas desistiu no meio do caminho quando ela veio falando de um plano. Add se sentiu levemente incomodado de novo por ela ter pensado nisso antes (ou seria bem antes?) dele, e um ainda mais pois teria uma possibilidade de esperarem até a noite pra terminar isso.
- Ora, os cães não podem farejar de dia? Vamos encontrar suas tocas e acabar com o problema de uma vez! - deu a solução lógica, na cabeça dele, para a situação. - quanto as galinhas, vamos procurar seus ninhos e arranjar seus ovos. - Posicionou seus dynamos em seu modo habitual, olhando ao redor para ver se avistava alguma das aves.
E os pontinhos roxos não são nada discretos em uma paisagem esverdeada. era possível ver algumas logo à frente, um grupo pequeno.
- Devemos eliminar essas aí, então? Não acredito que esses bichos atrapalhem tanto assim.
Ele falou em infravermelho e ela ergueu a mão que estava entre os dois, balançando-a em um gesto de “tanto faz”. Se não pudessem usar, aquilo não teria o interesse da espadachim.
… Esse cara viveu em que toca pra pensar assim?
Add se dizia inteligente mas, para uma matuta como a Elesis, que era acostumada a lidar com aqueles probleminhas, ele era um belo de um tapado burro.
… Talvez só não seja muito bom em pensar nessas coisas, eu não sou muito boa na cozinha…
Fez um biquinho discreto ao lembrar desse fato infeliz, mas essa faceta não durou mais que parcos segundos. Logo ela estava com a típica faceta séria, apesar de estar com uma das sobrancelhas levemente arqueadas. - Você só vai acabar com um dos reflexos do problema. Se sairmos atacando todas que aparecerem, nunca terminaríamos e acabaríamos causando mais problemas pra cá, galinhas não dão só ovos. - Aquilo não era óbvio? - Se fossem tão poucas assim, os fazendeiros estariam dando conta do recado.
- Nós temos que saber o que é que está fazendo tantas galinhas e guaxinins virem pra cá, é normal aparecer alguns mas essa quantia… - E, por fim, deu um belo de um tapa no braço do albino. - Não precisa eliminar, é só espantar! Precisamos saber de onde elas estão vindo. - Falando isso, a ruiva deu uma breve corrida para alcançar os pontinhos roxos. Correndo para lá, a ruiva sentiu a sensação de deja-vú, como se estivesse esquecendo de algo…
- Chô! Saiam daqui! Vaza! - Agitando os braços e fazendo barulho na grama alta, começou a espantar as galinhas que, aos poucos, iam fazendo seu caminho de volta, um pouco atropeladas.
Ele ainda estava convencido de que seria mais simples fazer uma canificina (e churrasco), embora não estivesse muito afim, mas as respostas de Elesis fizeram sentido.
E ele pensaria brevemente nisso mas receber o tapa no braço o fez conter um gemido e colocar a mão oposta pra massagear a área. - Guha..! … Ok, ok!
Deixou que a jovem de longos cabelos vermelhos corresse na frente, subindo em seus dynamos para acelerar logo depois, seguindo-a não muito perto, e deu um leve sorriso ao vê-la espantando os animais de uma maneira meio engraçada.
Mas o sorriso sumiu quando viu que algumas galinhas dispersaram, e estas começavam a voltar por trás de Elesis, querendo atacar. Add pisou no chão e apontando deu um tiro de partícula no chão entre Elesis e os animais, fazendo-os recuarem.
- Bichinhos corajosos esses, querendo te atacar. - comentou enquanto se aproximava mais, dessa vez a passos largos, pra ajudar a chotar os bichos, mais pisando forte do que com os braços.
Entretida na tarefa de espantar aquelas galinhas, acabou, por puro impulso, recolhendo os braços para junto do tronco enquanto dava um grito abafado – que não gostaria de dar – ao ouvir aquela coisa com o chiado estranho atrás de si.
Olhou de rabo de olho para o albino, semicerrando os olhos; aquele diabo, esperava mesmo que ele não desse um piu sequer. - … Uhuum… - Ela respondeu, meio cismada ainda, mas seguiu o albino, terminando de espantar aquelas coisinhas teimosas. Assim que o horizonte ficou sem sinal de pontinhos roxos, Elesis pulou por cima da cerca e se abaixou diante do chão, dando uma olhada nas marquinhas que jaziam na terra, na grama…
Isso aqui é quase um rastro…
Deu uma olhadela mais adiante, talvez pudessem seguir o rastro das galinhas procurando só por mato amassado. - Vamos explorar a floresta. - Olhando novamente para o albino, deu-se ao luxo de abrir um sorrisinho presunçoso. - Espero que você não seja muito fresco.
Add chegou a engasgar um riso mas disfarçou. Não era sábio caçoá-la, então fez o possível pra fingir que nada aconteceu.
E foi seguindo a ruiva pelo caminho. Ela parecia entender os rastros bagunçados daqueles animais, então foi confiando nela.
Caminhava se preocupando se iria pisar em algum tipo de coisa, e de repente Elesis falou em ir para a floresta.
- Hah…. Fresco? Não mesmo. Vamos logo.
Não estava a fim de demonstar que estava incomodado, afinal pra que dar mais um motivo pra ser caçoado?
“Vamos só encontrar esses animais e ir embora” - pensava ele, caminhando. O ambiente mais fechado fez com que Add prestasse mais atenção aos arredores.
Bruta e caipira do jeito que era, não ligava muito para os galhos que, vez ou outra, raspavam nas roupas, prendendo-se nas meias ou qualquer outra coisa. Incomodava-se mesmo é com eles prendendo no cabelo, o que a fez parar umas diversas vezes só para desenroscar o cabelo dos galhos.
Se eu tivesse alguma lâmina aqui…
Com um bico sutil, virou-se para o albino. - Oe, você tem alguma lâmina aí? - Com ambas as mãos, envolveu o cabelo de modo que unisse tudo aquilo de qualquer jeito. - Ou alguma coisa pra amarrar isso… - Lá no fundo, arrependia-se de não andar com o cabelo preso.
Andando atrás, ficava de olho no couro cabeludo vermelho à frente. Apesar de não ver muito do corpo dela, acabava parando com ela nos momentos que ela prendia o cabelo. Pensava em alguma maneira de ajudar…
- Lâmina? Você diz uma espada ou algo do tipo… não tenho.
“Algo para amarrar o cabelo…”
Ele chegou a colocar os dedos no acessório de pescoço. Era muito largo para usar no cabelo… e pensou em um dynamo usado como palito de cabelo. Não servia, era muito grande também.
- Não ando com laços e fitas… não tenho nada pra te ajudar com isso, suponho - se aproximou momentaneamente pra tirar uma folha perdida no cabelo dela - Não daria pra dar um nó, ou trançar?
Esqueci que ele é o maromba das coisinhas estranhas. Não ia mesmo carregar uma lâmina.
Coçou a cabeça, pensativa. Não tinha muita coisa em mente para usar como prendedor. Levou o olhar para o pescoço do marmanjo quando ele levou a própria mão para lá e, como impulso, também levou a própria, por um breve momento lembrando-se de que o lenço servia para quebrar o galho.
Breve momento mesmo. Acabou esquecendo por completo por conta da aproximação do lunático.
Homens não se aproximam da ruiva, ao menos com boas intensões, sem pedir permissão. Quando o albino se aproximou, ela tensionou levemente os ombros, um reflexo para que desse, no mínimo, uma bela cotovelada no ventre dele. No fim, tudo o que ele fez foi tirar uma folha, e comentar sobre nós e tranças. - … Um nó não vai segurar, e tranças se desfazem se não tiver alguma coisa pra prender. - Falou, resignada. O cabelo era liso demais para algo assim.
Sentiu uma aura levemente perigosa enquanto tirava a folha, mas felizmente não aconteceu nada. E então ela lhe explicou um pouco de dinâmica capilar, que fazia sentido em seus cálculos mentais.
Mas no meio do caminho acabou lembrando de algumas mulheres que usavam uma vareta pra prender o cabelo. Deduziu que era a peça que faltava para o nó segurar, mas… Onde teria uma vareta? Um galho de árvore?
“Não… do jeito que ela está tomando conta do cabelo ela não vai querer um galho sujo e áspero no meio deles… então…”
- Acho que eu tenho o que você precisa.
Com a ajuda de outro Dynamo, começou a desmontar um deles. Desprendeu a ponta, e com ela saiu uma haste de metal. Estendeu a peça pra ela - Deve dar pra prender seu cabelo com isso.
“Por que eu fico fazendo essas coisas?… Desmontei um braço dos dynamos pra prender o cabelo da ruiva?”
Virou o rosto, tentando fazer pouco caso da peça - É só uma antena, não faz nada sem o resto. E eu posso me virar com os outros cinco.
Já que ela tem medo dos dynamos, melhor não confundir a cabeça dela falando que a ponta tem um indutor multipolar e isso não é um presente pra ficar com ela depois da missão.
Na verdade, ela nem ligaria de pegar um graveto, desde que o pobre graveto aguentasse o peso do cabelo. Por ali, não parecia ter algum bom candidato. Quando estava para lembrar da fitinha do pescoço… O albino começou a mexer naquelas coisinhas estranhas dele.
Aquilo era uma coisa estranha. Elesis teria negado até mesmo tocar naquilo, se ele não tivesse oferecido de tão boa vontade – e, ainda por cima, ficar vulnerável, apesar de ter músculos de sobra pra se defender. - … Obrigada. - Meio receosa, pegou a peça, manipulando-a.
… Isso não vai fazer nada mesmo?
Leiga do jeito que era, até mesmo tocar aquela coisinha dava calafrios, mas… Já que era só um pedacinho de metal… Bem, que mal faria? Terminou de enrolar o cabelo com aquilo e prendeu-o da melhor forma possível, pigarreando. - A trilha, pela quantia de mato baixo e chão ciscado, deve levar para ali. - Apontou, praticamente continuariam a andar o mesmo caminho que estavam tomando.
Se prestassem atenção, era possível ouvir o barulho de água. Estavam perto de um fluxo de água.
Reencaixou as partes soltas do restante do dynamo que desmontou e guardou-o em um bolso, enquanto Elesis analisava a peça inofensiva. Deu um leve sorriso quando ela finalmente resolveu usar, de certa forma satisfeito que ela confiou nele, e também por não ter ficado ruim.
Afinal, ele também estava confiando nela nesse caminho no meio da mata, e saber que ainda estavam na trilha o acalmou um pouco, apesar de não terem terminado. - Ótimo… mais chão. Conto com você.
Chegou a escutar o som de águas, com seus ouvidos sensíveis, mas não saberia dizer qual a relevância. - Esses animaizinhos vão longe, hein?…
Virou-se assim que terminou de arrumar o cabelo apropriadamente, preferindo não dar muita bola para o que o albino havia falado. Pelo barulho que ouvia mais adiante, deviam estar bem perto mesmo de um rio.
Talvez isso tenha alguma relação? As galinhas aparentemente vieram daqui…
- São galinhas, elas são bem curiosas e andam o dia inteiro. - Comentou, sem parar de andar. - Vão longe, mas não acho que elas ficariam perturbando tanto se não tivesse algo de errado. - E… à partir de um caminho, a terra começou a ficar úmida, meio molenga, como se tivesse passado um longo tempo exposta a água.
Como ficou mais difícil de andar com aqueles sapatos, a ruiva retirou-os sem ter muita pena de andar com os pés diretamente na terra – seria melhor assim do que levar uma queda. Mais adiante, puderam ver o rio e, pela área que ele estava engolindo – que envolvia árvores que não deveriam estar no meio de um rio –, era perceptível que ele não deveria ser tão extenso assim. Elesis estalou a língua, meio contrariada. Achava que fosse alguma outra coisa. - O rio deve ter muita coisa encalhada mais pra baixo…
Até ali, estava tudo bem. O terreno tinha grama, dava pra caminhar tranquilamente… mas assim que Add pisou na terra um pouco mais úmida, sentiu seu pé se afundar um pouco mais que o normal, e apenas fez uma careta de desgosto.
“Vai ser mais complicado equilibrar-me em menos Dynamos… a não ser que eu use outra formação para cinco ou quatro.”
Recusou-se a tirar o sapato e foi caminhando com cuidado, só parando pra perceber o ambiente quando Elesis disse algo sobre o rio.
- Ou será que fizeram algum tipo de represa? Não se descarta a possibilidade. Vou seguir o rio pra checar a situação.
Com os dynamos restantes levantou voo para flutuar sobre o rio, olhando adiante. Deu uma olhada para Elesis, pra saber se estaria tudo bem antes de ir.
Não era algo a desconsiderar. Talvez até fosse isso, se considerassem que os guaxinins também estavam causando problemas por ali. A ruiva assentiu quando viu o albino olhando-a, como se esperasse algum ultimato. Pensou por alguns instantes, ele iria voando e por cima do rio… Por ali não haviam mais insetos?
Olhando os arredores, sentou-se em um tronco de árvore tombado, terminando de tirar as meias. - Eu vou esperar por aqui, enquanto você olha pra lá.
- Ok. - Vendo que ela procurava se sentar, sabia que a encontraria no mesmo local. E por algum motivo, virou-se e foi um pouco mais apressado por ela começar a tirar as meias.
Se havia uma retenção no rio, em algum ponto encontraria uma queda de água, mas o rio parecia se espalhar mais e mais.
Olhando para os lados, procurando uma pista, acabou passando por uma nuvem de mosquitos, que percebeu tarde demais. Os dynamos se descontrolaram e ele caiu na água.
- M…malditos insetos!! - murmurou irritado e usou alguns dynamos pra ficar soltando faíscas ao redor, enquanto ele se erguia da água. Prosseguiu depois com mais cautela.
Add levou bastante tempo para percorrer o rio e encontrá-lo mais espesso. Talvez meia hora, ou até mais. Porém, ao cair na água, se prestar atenção o suficiente, perceberá que o rio está raso e com o fundo meio instável, cheio de detritos.
Muitas árvores de grande porte estão pelas bordas também, evidentemente instáveis. Se tiver conhecimento o suficiente de plantas, perceberá que as raízes das árvores não são próprias para aquele volume de água e corrente, que, aliás, está forte. Apesar de ser forte, encontrará dificuldade para andar dentro da água.
Mais para frente, os detritos se acumularam o suficiente para mudar o curso do rio. É perceptível que o rio não deveria estar daquele jeito.
- Esse rio não acaba nunca? - Vendo que ela procurava se sentar, sabia que a encontraria no mesmo local. E por algum m
Ele não tinha muito conhecimento sobre árvores, mas um rio que corre no meio de árvores não deveria ter tanta força. Suas suspeitas se concretizaram quando viu a quantidade de detrito que havia no lugar onde o rio deveria percorrer.
- Bingo. - Ele observou o local. Tudo se resolveria facilmente se ele usasse um Quake Buster pra abrir caminho, mas eletricidade e água poderia causar um efeito catastrófico. Talvez fosse melhor usar força bruta, mas não sozinho.
“Com o tempo que passei procurando, Elesis deve estar completamente entediada. Melhor eu voltar antes que ela seja drenada por aquela nuvem de mosquitos.”
Seguiu o caminho de volta, e com suas roupas ainda meio molhadas anunciou suas descobertas - É, o curso do rio está alterado, tem uma grande quantidade de detritos impedindo o rio de seguir o caminho correto, e aí acabou alagando tudo isso aqui.
Tédio. Tédio. Tédio. Um pouco mais de tédio. E mosquitos.
Elesis estava entediada, e sendo atacada por alguns vários mosquitos. Apesar de ser acostumada com essas coisas, elas não deixavam de ser irritantes, principalmente quando pensava que estava sem a Great-Claymore, no meio de uma mata, perto de um rio.
Eu posso ser atacada por um demônio, ou algum outro bicho.
Mordeu o lábio inferior. Não gostava de admitir, mas estava bem vulnerável sem o albino do lado dela. Internamente, torcia para ele aparecer logo, definitivamente não gostaria de ser uma presa fácil para algum demônio idiota – justamente ela, que era um ímã tão poderoso para o azar.
Felizmente a espera não foi grande o suficiente para que algo pior que o tédio ocorresse. Logo o albino estava ali… Molhado. Elesis franziu o cenho, observando-o por alguns instantes. - O que aconteceu com você? - Será que foi atacado por um demônio? Era meio difícil não encarar aquele marmanjo com o cabelo baixo e mirrado.
Add acabou olhando de novo pras próprias roupas, lamentando-se pelo ocorrido. - Ah, isso… Eu er… verifiquei a profundidade do rio em um dos pontos e… vi que estava raso. A água se espalhou por toda essa parte da floresta. - Tentou dar uma desculpa, e virando-se pro outro lado gesticulou enquanto falava.
“Ela provavelmente ficou muito entediada. Pensando bem, lembrei agora de algo que me disseram de “não deixar uma dama esperando…”… Será que eu devia ter levado ela comigo?… Não, ela não aceitaria ser carregada no colo.”
Aproximou-se e pisou no “chão”, descendo dos Dynamos com cuidado - Cahem… enfim. Vai ser complicado tirar todos os detritos, mas fazendo isso o rio deve voltar ao normal. Algo que podemos fazer é chamar mais pessoas do vilarejo pra ajudar. Os animais agindo estranhos deve ter relação com o rio.
- … Eh? - Era uma desculpa tão esfarrapada que parecia até invenção de criança. Até tentaria dar prosseguimento ao assunto sobre medir a profundidade do rio, mas o albino continuou a falar sobre outras coisas, como chamar mais pessoas para ajudar a tirar os detritos.
Levantou-se, segurando as meias e os sapatos enquanto dava uns passinhos para se afastar do tronco de árvore. - Nós entramos bastante para o meio da floresta… Se queremos chamar mais gente, precisamos ir agora. Vai demorar um pouco para mobilizar e vir… - Pelo tanto que nós entramos no meio da floresta, devemos chegar perto de Ruben lá pelo início da tarde…
“Ela não ficou convencida… agora estou com cara de idiota…”
- Concordo. Juntar as pessoas e trazê-las aqui é… trabalhoso. Ou seria melhor só nós dois mesmo? - Add pensava um pouco em qual das situações daria mais trabalho: abrirem o rio eles mesmos ou convencerem as pessoas de ajudarem.
- Pelo menos a volta será mais rápida se formos nos meus Dynamos. - Na vinda não era uma boa ideia porque Elesis estava analisando o terreno, mas já sabendo a direção para voltar…
Mas aí fica a situação. Ela aceitaria ser carregada por ele?
E ele ficou indeciso de como lidar com essa situação, e esperou uma resposta dela. Em uma situação normal, tomaria a decisão e levaria a Elesis de uma vez, mas uma coisa que ele aprendeu convivendo com a Elesis é… encostar nela sem prévio aviso era perigoso.
- Mas… Pra mobilizar pessoas e trazê-las para cá, vai ser demorado e problemático. - A ruiva retrucou, também não estava nem um pouco afim de subir a bordo daquelas coisinhas flutuantes do albino. - Nem todo mundo tem dessas coisinhas aí pra quebrar o galho. - Todo mundo não, ninguém.
Ela deu uma olhadela no rio, não era tão extenso assim… Era só retirarem detritos, certo? Acabou suspirando, voltando-se para o rapaz. - Vamos tentar retirar, nós dois. - Olhou para as coisinhas dele… E não ficou muito feliz quanto ao que diria em seguida. - E vamos nos seus… Dynamos.
“Como assim nem todo mundo? Meus dynamos são únicos!…”
Engoliu as reclamações e apenas assentiu quando ela aceitou ir nos Dynamos. Incomodou-se um pouco por ainda não estar seco…. “Umidade do ar…” deduziu.
- Ah. Certo… - Subiu em seus Dynamos novamente, com seus pés flutuando nos vãos formados pelo trio na perna esquerda e apenas dois na direita, que dificultava o equilíbrio mas dava para o gasto. - Vai ser necessário que eu te carregue, ou que você se sustente em mim de alguma forma.
Enquanto ele falava, ele continuava pensando nas diversas formas que Elesis poderia se segurar nele, e procurava a menos vergonhosa para ambos. Flutuava rente ao chão, pronto pra pegar ela no colo.
As coisas pareciam ficar cada vez mais infelizes. Se fosse ser carregada pelo albino, ele ficaria vulnerável também. O que fariam se algum demônio aparecesse por ali? Elesis grunhiu baixo, desgostosa. Odiava o fato de estar vulnerável, mas o que faria se aquela espada era simplesmente impossível de ser carregada para todos os lados?
Se eu ficar nos braços dele, vai atrapalhar a movimentação. Então, o melhor jeito é…
- Se abaixa. - Ela falou, o hábito de dar ordens gritando mais alto do que a própria notava. - Eu vou nas suas costas. - Desse jeito, ao menos ficaremos menos vulneráveis, ainda que não seja o ideal… droga. Pensou, mordendo o lábio inferior. - Não tem um meio melhor…? - Suspirou, não é como se tivessem opção melhor que essa.
Envolver mais pessoas pode ser perigoso. Não posso fazer algo assim.
- Sim, senhora. - Disse com um pouco de escárnio, mas aceitando a ordem o pedido da ruiva. Acabou lembrando-se que nunca carregou alguém desse jeito sobre os dynamos, com menos um então…
“Também não é como se ela pesasse como uma Nasod.”
Deixou que ela se ajustasse como quisesse, e com o rosto deveras avermelhado ergueu-se com os dynamos sob os pés pra sair do chão.
- O caminho é longo, como você deve ter percebido com minha demora… Eu devia ter te levado comigo na primeira viagem. - Falou ainda parado no ar, e começou a se mexer pouco tempo depois, inclinando-se pra frente pra sair da inércia.
- Não fiz certo em deixar você esperando ali, desarmada… falha grave. - acabou dizendo em voz baixa.
Teria acertado um peteleco, ou qualquer outra coisa do gênero, no albino, porém, estava pensativa em como fariam todo o trabalho pesado de desencalhar um rio. Não demoraria tanto tempo, mas, pela aparente correnteza… Seria difícil.
Pressionando as pernas contra as laterais do corpo dele, e apoiando as mãos nos ombros, era bem fácil ouvir o que falava. - Não fique lamentando o que já passou, não é como se nós tivéssemos poder de consertar o passado. - Deu de ombros e, então, franziu o cenho diante daquela fala baixa. - E eu não sou fraca! - Só um ímã de demônios, mas disso você não precisa saber. Nem Elsword. Nem ninguém.
O pensamento repentino acabou arrastando-a para uma dúvida meio triste: quanto tempo ficaria naquela paz, até que mais problemas aparecessem? - Consigo derrotar você de olhos vendados, e mãos nuas. - Com um sorrisinho ordinário, provocou o outro. Por enquanto, o voo estava razoavelmente tranquilo.
- Eu sei que não! Por isso que na hora acabei-… - Resolveu responder só depois que ela reclamou do que ele tinha falado em voz baixa. A provocação o atingiu, mas nem tanto - ….. pff … …keheheh… vou considerar isso uma piada.
“Não abuse da sorte, mocinha.”
A provocação pelo menos tirou-o dos pensamentos que vieram com a primeira frase dela.
Descendo o rio, algumas curvas… Acabou localizando a nuvem de mosquitos, mas a parada repentina causou-lhe um leve desequilíbrio, e ele segurou os punhos de Elesis pra que ela não caísse (e o levasse junto).
A ruiva ficou em silêncio, estranhamente quieta e pensativa - era como se o albino estivesse carregando só uma boneca bem grande, de tanto que ela estava inerte. Mal ligava mais para o fato de estar voando - ou melhor, estava tão imersa nos pensamentos que sequer notava mais isso.
- O-OE! Eu?! Piada?! Eu vou mostrar pra você o que é piada, seu…! AAAH! Solta os meus pulsos! - … E, esquecendo-se por completo da situação, a ruiva passou a se debater, apertando o tronco do albino, com as pernas, e tentando puxar, a todo custo, as mãos do agarre dele.
Com Elesis inerte, sem se balançar com cada curva que fazia, era bem fácil carregá-la. Até estranhou o fato dela não ter dito nada, e até cogitou que ela estivesse pensando em algo que ele teria dito ou feito. Infelizmente era verdade.
- OE!! EI! Fique quieta!!! GGNNHH….!! - sentia as coxas dela apertando seu tronco, e não era muito agradável. E com ela se puxando pra soltar as mãos, não teria como impedir… cairam os dois de costas na água.
Soltou-a quando caíram, e agitou-se pra ficar em pé naquela água com fundo cheio de galhos e folhas nem um pouco agradáveis de se pisar. Respirou forte quando emergiu - Ghaah!! Mulher louca… e eu me esforçando pra não cair na água de novo! - Controlou seus Dynamos pra servirem de apoio pra se segurar e procurou Elesis pra ajudá-la também.
Era mais apavorante ainda estar em curvas, e voando naquelas coisas. Como é que tinha topado aquilo? Necessidade, era a pura necessidade. Só era um pouquinho lerda ao ponto de se assustar com aquilo ao mesmo tempo que decidia retrucar a alfinetada do albino.
- Quieta?! Quieta?! EI! Tem muito mosquito aqui–!! - Quando caíram, como reação natural, a ruiva procurou agarrar a primeira coisa que a mão conseguiu. No caso, a gola do rapaz, que foi arrastado com ela pra dentro da água. Ele por cima, pro azar da espadachim. Não era algo que o impediria muito de se erguer, logo ela também estava se erguendo de dentro da água. Era bem irritante manter-se de pé na correnteza com aquelas roupas, mas não era lá muito impossível.
Aliás, as coisas melhoravam bastante ao ver o albino com cara de poodle molhado, com aquele cabelo todo mirrado e pra baixo. - … Pff– - Tentava não rir, comprimindo os lábios e virando o rosto para um lado qualquer. Também estava com um dos braços ao redor do próprio tronco, segurando a blusa para que ela não caísse com o peso.
Felizmente, ou infelizmente de um certo ângulo, não foi necessário procurar pela Elesis, já que ela se agarrou nele, ou melhor na gola. Mas a primeira coisa que acontece é ela rir da cara dele. - …. que é?? Não tem graça! - Usou a mão pra jogar a franja pra trás.
Add chegou a verificar se o prendedor de cabelo improvisado ainda estava com Elesis e quis terminar a situação logo. Com apenas a cabeça de ambos aparecendo sobre a água, ele nem sabia dos problemas que ela estava tendo com a roupa. - Vamos, abrace meu pescoço, estamos quase chegando.
Os outros Dynamos mergulharam na água e ficaram sob os pés de Add, ajudando-o a sair da água com Elesis.
Jogar o cabelo pra trás só colaborou para piorar a aparência do pobre albino. Agora, ele parecia mesmo é um galo invocado, com aquela crista molhada pra cima e as roupas tão mirradas. Até contrariaria ele, mas a correnteza não era algo muito legal de se enfrentar. Era bem fortinha.
- Ok ok, vou parar de rir! - Com um sorrisinho de canto, obedeceu as ordens do rapaz, pressionando o tronco contra o dele - não queria mesmo que as roupas descessem. Quando subiram, a brisa acabou se mostrando bem fria. A espadachim estremeceu, lá no fundo arrependendo-se por ter sido a responsável pela queda de ambos.
Lá dentro da água não parecia estar tão frio…
- Nós poderíamos continuar no rio, a correnteza vai dar lá.
- água gelada, vento gelado tudo gelado nem parece que mudou a estação
Add também sentiu frio, resmungando com uma voz baixa, de modo que por estar molhado há mais tempo sentia que iria adoecer, mas acabou sentindo quando Elesis o apertou um pouco quando sairam da água. Decidiu acatar silenciosamente a sugestão dela, descendo com os dynamos na mesma posição para ficarem estáveis na correnteza. Aproveitou pra escanear o fundo do rio à frente, em busca de algum tronco que pudesse machucar os pés deles.
- Não era muito longe mesmo.
Sentia o rosto aquecer, por estarem assim e ter achado o corpo dela um pouco mais macio do que antes, e estava aliviado por ela não poder enxergá-lo de frente estando daquele jeito.
E não muito tempo depois, chegaram em um local com muitas folhas e troncos acumulados.
- Aqui. Quando a gente olha naquela direção, dá pra ver que o rio devia escoar por ali, mas todo esse entulho está mudando o curso do rio. - disse, não muito preciso quanto ao que realmente acontecia, mas apontando na direção.
Ele resmungava tanto que parecia até um velho, ou melhor, pior que um velho. Quantos anos a cabeça dele tinha pra ser tão assim? 300? A ruiva preferiu ficar em silêncio, não estavam em um momento muito descontraído para começar a pegar mais ainda no pé dele. Estavam em uma missão.
Ao avançar pelo rio, foi possível ver aquele monte de detritos rolando água abaixo, até sentia alguns galhos cutucando-os vez ou outra. Prestando mais atenção… - Fique longe das árvores, elas podem cair. - Falou, as árvores balançavam bastante, além de serem grandes.
Soltou-se dele assim que achou oportuno, dava para sentir aquele tanto de galho no fundo também. - Isso é do inverno… Os galhos devem ter encalhado por aqui. O rio está tão raso…
Não tem muito o que fazer, além de trabalhar e retirar o suficiente para o rio voltar a escoar.
- Vamos lá. - Com a correnteza empurrando-a para junto dos galhos, não era muito difícil aproximar-se para retirá-los dali, no entanto… carregá-los contra e puxá-los de lá de dentro da água não era uma tarefa exatamente fácil, ainda mais com a overskirt longa, e mais pesada, que vez ou outra prendia em alguns galhos.
Resolveu alertá-la quando ela resolveu descer, e escutou o que ela dizia. Finalmente estavam cumprindo a dita missão, que começou com uma simples ida à Ruben.
Olhando de novo a situação, seria bem mais fácil explodir todo o caminho, mas a enxurrada que sairia dali poderia atingir algum vilarejo.
- Quebrar esses galhos não é uma opção? - sugeriu, depois de imitá-la puxando outros galhos do local. Usou um Dynamo pra se locomover contra a correnteza, e dispôs outro perto da Elesis pra que ela pudesse se apoiar caso necessário.
A ruiva deu uma bela olhada para o rumo de onde a água vinha. Não tinha muito jeito, aquela quantia de galhos continuaria vindo. Acabou fazendo um bico discreto, mesmo que tirassem ou quebrassem os galhos… Bem, cedo ou tarde eles voltariam a se acumular por ali. - Nós podemos quebrar, e tirar a maioria… E avisar para o povoado sobre a situação aqui.
Ou pode ser mais sensato nós retornarmos e eu mandar uma solicitação para os Cavaleiros Vermelhos…
Franziu o cenho levemente, sentindo certo tremelique nele. Como não teve essa ideia mais cedo? - Vamos retornar, eu tenho uma ideia melhor para lidar com isso aqui.
Avisar ao povoado era certamente algo que fariam cedo ou tarde. Os dois sozinhos não dariam conta de todos esses galhos se mais continuassem acumulando durante o processo, e as coisas podem retroceder durante a noite.
“Ainda acho que eu deveria explodir tudo…”
- Uma ideia melhor? … Humph, excelente. - Se estariam voltando, era provavelmente algo que envolveria outras pessoas, mas ele não estava mais a fim de voltar ao local depois disso. - Então vamos logo, não estou nem um pouco interessado em continuar aqui até tarde.
Pegou outro bolo de galhos e jogou-os para longe, mas logo se aproximou de Elesis para carregá-la de novo, se pondo de costas na frente dela.
Elesis odiava o fato de ter que subir nas costas do albino, no entanto... Era tão quentinho... Principalmente quando estavam na água fazia tanto tempo. Depois de ameaçar o pobre coitado do poodle molhado para que ele não contasse e deixasse ela descer antes que fosse possível alguém vê-la nas costas dele, ela subiu, novamente envolvendo o tronco dele com as pernas e segurando nos ombros dele com as mãos.
Ao chegarem ao povoado mais próximo, a ruiva tratou de avisar o chefe de lá sobre a situação, também prometeu escrever uma carta, com o selo dos Cavaleiros Vermelhos, alegando sobre a situação à entidades maiores. O povo e uma mãozinha dos Cavaleiros Vermelhos era uma boa solução, porém, pedir ajuda ao senhor de Elder também não era lá uma má ideia.