Not as friendly as Shrek | Enzo, Clarissa, Jake, Rose, Jade, James, Daisy, Cleo, Jane, Matthew, Holly, Alice, Tony, Sarah, Natalia, Dexter e Jack
Sarah só pensava em uma coisa naquele momento: ogros fedem. I know, era um completo absurdo pensar aquilo quando havia um ogro ali preparado para comer cinquenta adolescentes perdidos em uma dimensão diferente. Segurou seu garfo de prata com tanta força que as juntas de seus dedos se esbranquiçaram. A garota estava paralisada de medo. Medo. Ultimamente conhecia muito essa palavra. Olhou ao redor e todo mundo fazia alguma coisa, desde gritar a se esconder. Queria fazer alguma coisa. Precisava fazer alguma coisa. Seus olhos se encontraram com o de Rose por milésimos de segundos que foram essenciais para que a morena criasse coragem para agir.
Ainda com o garfo na mão tentou procurar uma maneira de poder ajudar. No que eu sou boa? No que eu sou boa? Cerrou o punho e quis ter levado o hoverboard para o baile, talvez com ele ela pudesse se aproximar e dar uma garfada no olho do tremendo. Seria uma cena engraçada. Foco, SARAH!’
Mordeu o lábio inferior e pegou um dos banquinhos de alumínio ou qualquer metal que fosse aquilo, as cadeiras de madeira já estavam praticamente no fim e com certeza jogar caixas de som nele daria trabalho, mas não importava. Soltou um grunhido e tentou amassar o banquinho ou até mesmo improvisar uma lança o batendo no chão mas foi tudo perda de tempo. O segurou com uma mão e com a outra empunhou o garfo e correu para pegar o ogro de surpresa. ”A rainha e o garfo” daria uma ótima história.
A garota se chocaria com o monstro se não fosse a música (que por sinal era reggae e quem ouvia reggae antigo numa boarte?) o atraindo para o lado errado e uma Jane voadora no caminho. Sarah não entendeu muito bem mas quando se deu conta, ela estava no chão sentindo o peso da garota e aquilo era fogo? Como tinham colocado fogo no ogro? Mas não importava, não naquele momento até porque tinha alguém em cima dela. Suas costas doíam com o choque da queda e a respiração tinha ficado cada vez mais difícil. Com não muita facilidade conseguiu dar um tapinha em alguma parte da garota e conseguiu dizer. "Confortável, sweetheart?"
O dia tinha começado bem. Arthur tinha dado um tempo das irritações e pegadinhas e houve paz na casa dos Merlyn. Então Natalia pensou que pelo menos dessa vez o dia pudesse passar de forma boa.
Mas então aquele ogro estúpido apareceu bem antes do jantar.
Quando chegaram gritando sobre o monstro lá fora, por um segundo, a ruiva não acreditou no que estava ouvindo. Ogro? Ah, fala sério! Vai procurar um em Duloc ou Tão Tão Distante que é mais fácil. Mas então quando percebeu que aquilo era tudo verdade, sua mente clareou. A vida toda seu pai a treinou para isso. Ok, talvez não para isso, mas para problemas. Mas agora também estava imaginando se ele alguma vez temeu que algo do gênero acontecesse com eles. Provavelmente sim, pensou. John era meio paranóico com essas coisas, e Natalia nunca tinha entendido o porquê. Até agora.
A garota tratou de correr para a cozinha e arranjar uma arma. Pegou a maior faca que encontrou com a mão esquerda e uma frigideira como escudo com a mão direita. Preferia manejar as armas com sua mão dominante. E, ok, ela não sabia usar um facão como arma direito, considerando o fato de que só tinha lutado com espadas de madeira antes daquilo, mas um facão na mão é melhor do que dois voando.
Natalia voltou para a boate propriamente dita, e no curto espaço de tempo em que havia saído, o caos tinha se instalado no local. Pessoas voando, tochas queimando, luzes piscando, pessoas correndo, ogro pegando fogo e aquela música tocando era Eye of the Tiger? Ela simplesmente amava essa música, apesar de que o cara que cantava com a mulher tinha uma voz estranhamente parecida com a de seu pai, se ele estivesse bêbado. A garota balançou a cabeça. Não era hora de pensar na música. Era a hora de acabar com aquele ogro.
Um dos joelhos do monstro já estava danificado, pelo que Natalia percebera. Então ela teria de tratar do outro.
Mas ela não poderia chegar muito perto por causa do fogo. Jogar o facão seria a única opção. Ela era péssima naquilo. Se concentrou no ponto que deveria acertar e atirou a lâmina.
Que chegou algo como cinco centímetros para o lado errado.
Pelo menos eu acertei a perna, pensou. O ogro cambaleou, mas permaneceu de pé. Não via a hora daquela coisa cair e ela se vingar de seu jantar perdido.











