ausência
passei muito tempo achando que a presença dele em minha vida era algo irrelevante, como se fosse apenas mais um estranho, mais uma pessoa sem peso nas minhas vivências.
talvez estivesse negando a dor, negando a possibilidade da ausência dele ser algo que modificou minha vida e desabrochou sentimentos que só fui entender e ter ciência quando tive idade o suficiente pra enxergar de forma mais nítida.
indiferença
ódio
mágoa
dúvida
e mais dúvida
por que essa ausência tão constante?
por que eu?
sou o filho indesejado?
o que não supriu as expectativas?
por que não me amou e meu deu suporte nas minhas piores fases?
talvez não consiga essas respostas, porque para isso precisaria da minha disponibilidade e da sua disponibilidade para a construção de um mínimo "oi".
e tenho a sensação que o início de uma possível relação de pai e filho só seja realizada quando o tempo for curto demais para a reconstrução de uma ligação contamindada por ausências e mágoas.

















