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Olhe para nós outra vez. Tens entendimento da causa? Estou faminta. Faminta dessa sua companhia inebriante. Olhe até onde chegamos. Era sempre você que ria do meu complexo de "não daremos certo" que no final, não passava de um "por favor, me pede pra ficar." E eu amava essa sua risada livre ao final dos versos. Boba, alta, livre, balançando os ombros como um garotinho que acabou de ganhar o presente de natal. Foram meses, semanas intermináveis e por fim, dias que me foram decisivos. No final das contas você tinha plena razão, como sempre. Eu acabei aqui, com aquele meu suéter de gatos preto que você tanto odiava e que era a minha diversão. Já te disse que ficas lindo com aquela cara de eu te avisei? Estou sozinha agora, nessas paredes que mais parecem grades. São 87 dias sem os seus irritantes barulhos com os dedos. São quase três meses sem discussões bobas sobre o que eu gosto e você odeia. É quase uma vida sem tudo o que eu era, e sem tudo o que desejo de volta, já que levou tudo consigo. Estar aqui, com aquele velho caderno de anotações, onde outro dia você descobrira que eu anotava lágrimas e que juramos queimar juntos, é como relembrar primaveras sem flores. Tudo se resumia aos erros, as brigas e as partes quebradas de um coração que hoje tento, a todo custo, costurar como fazia com aquele se casaco de estimação. Hoje, com essa agulha imaginária, eu sei - e você sabe, mesmo que lá no fundo - que seríamos capaz de tudo outra vez. Dessa vez, na hora certa, sem pressa. Você com a linha, e eu com a agulha, costurando nossos traços errados chamados de destino. Sim, eu me rendo. Aceitaria você com todos os buracos, com todos os pedaços quebrados. Perdoaria tudo, porque afinal sempre fui meio mole por esse seu sorriso. Eu te aceitaria na minha porta outra vez, porque eu te amei. Aliás, ainda amo.
All Too Well - sounds professionally recorded.
Não há nada que marque mais a nossa vida do que aniversários. Pensar que a vida está passando por você, é como ver uma ampulheta passar diante de seus olhos. Ei, ei... a vida é curta. E é verdade uma coisa que escutei a uns dias. Não deve-se medir a idade por modos convencionais. Não são anos que definem o quanto se é ou não bom, ou o quanto se aprendeu a cada dia. Você pode ter 4 ou 50 anos todos os dias. Pessoas são relativas e surpreendentes, assim como a vida é rápida e maravilhosa. Não pode-se perder tempo, já que nunca sabemos do amanhã. E isso é meio que um clichê emocional passado por muito tempo, mas que por fim, não deixa de ser verdade. O amanhã, é e sempre será um mistério, o que não quer dizer que não se possa sonhar com ele. O que não se pode é perder-se entre sonhos e esquecer do que realmente importa. Hoje, aqui e ficando mais velha fisicamente, eu só queria agradecer a todos os que fizeram parte desse ano tão cheio de maravilhosas descobertas. Agradecer as minhas meninas, que são as melhores irmãs de todas. Aos meus meninos, que sempre me fazem sorrir. Agradecer a todos os que achei que eram de verdade e não passavam de máscaras mal feitas de promessas infundadas. Agradecer a todos os segredos que me foram confiados. Agradecer a todas as mentiras que me foram contadas. O que posso dizer que aprendi hoje é que não importa o que aconteça, você sempre terá do que acreditar. E assim como a borboleta que pra mim sempre terá peso especial, seres humanos tem a capacidade de se transformar. Então, hoje e não amanhã, comece a mudar aquilo que lhe prende o sorriso. Ame sem escrúpulos, viva sem medidas. Preserve os bons e velhos amigos. Abra o coração para novos. E acima de tudo, não prenda-se a anos. Eles servem apenas para enfeitar calendários. Prenda-se a canções e lições. Seja feliz acima de tudo, para que quando estiver velho o suficiente mentalmente, possa se sentir como se ainda fosse uma criança. É como bem dizem: No reino das crianças, ninguém nunca morre. Seja eterno.
Aprendi muito mais em 16, do que meus pais em 50. Fazer o que, a gente as vezes meio adultesse sem querer.
Eu tenho andado mais confortável ultimamente. Confortável comigo mesma, com os meus sentimentos. Tenho pensado menos em você. Tenho vivido mais por mim. Parei mais de me importar, criei prioridades. Parei de criar tantas expectativas, não acredito tão fácil. Ainda tô amando, amando até de mais. Amando mais esses pequenos detalhes que se perdiam em mim quando tudo o que eu queria era você. Fechava a mente e abria os olhos. Não via nada. Era tão tola. Aprendi por fim, que mente fechada e olhos abertos não veem nada. Eu tô mais preocupada em abrir o meu coração, jogar a chave fora e deixar tudo entrar. Deixar entrar sentimento, aprendizado. Porque sem histórias, ninguém vive de verdade. A felicidade que eu achei que tinha, não tinha. Porque felicidade não é só construída de momentos bons e contos de fadas, ela está em momentos de superação, de lágrimas e de coisas que te fizeram crescer. E cá entre nós, eu aprendi muito com tudo o que me fez chorar. Me fez mais forte e hoje eu agradeço. Não tenho rancor em mim, cresci. A gente só sabe mesmo de verdade quando a felicidade está perto, quando sente paz de espírito. Aquelas paz que te faz flutuar, que lhe permite sorrir de nada. E aqui estou, sorrindo de tudo. Mas sorrindo de verdade, com os olhos, com a boca e com o coração. Abrindo a mente e fechando os olhos, deixando esses sons, essas cores e esses momentos me invadirem como um turbilhão de pequenos lampejos de luz, que se instalam em mim, formando lembranças. Pequenas luzes que me fazem mais inteira, que preenchem as lacunas. São de pequenos atos e momentos que ando construindo minha felicidade, estou mais completa, mais feliz.
Não que eu te esqueci, mas meu bem é verdade aquilo que eu te dizia: quem muito se ausenta um dia deixa de fazer falta.
Então é isso. Recomeçar é a palavra da vez. Juntar os pedacinhos, preencher as lacunas. Porque eu quero mais é ser feliz. Comigo, com amigos e em um lugar qualquer. Acordei hoje com o pé direito, com um sorriso no rosto e consertando o coração. Cruzando os dedos pra tudo da certo, pedindo a Deus pra ser sorrir mais hoje do que ontem. Porque só Deus sabe quantas lágrimas já derramei nesses dias escuros, e de quantas vezes precisei sorrir. Aprendi muito com as palavras e com as entrelinhas das pessoas que passaram na minha vida. Mas quer saber uma verdade? Com tudo o que eu vi e senti, aprendi que não é preciso muito para ser feliz e que a felicidade na realidade não passa de aprender a deixar as coisas ruins de lado, que só é preciso abrir a mente para ver as coisas fluírem. Mas sei lá, hoje eu só quero mais um dia de paz mesmo. Sem muitos momentos chocantes nem nada do tipo, eu só quero escolher a estrada certa dessa vez. E não parar quando a saudade pedir carona.
Era o tipo de coisa que te rasga por dentro. Abraços que não tinham emoção, romances que não findavam. Foi nesse circulo vicioso de falhas emoções e pessoas vazias que eu o encontrei ouvindo rock e tocando violão. Encontrei naquele par de olhos escuros tudo o que à anos mentia que existia dentro de mim. E Deus, como eu queria vê-lo sorrindo sempre. Naquele ultimo dia em que ficamos juntos, era como se metade do meu coração tivesse ficado com ele, e a outra metade o tivesse seguido, com a esperança de que ele voltaria. Depois daquele ultimo encontro, as coisas andam pesadas e frias. É como se as vezes, ele fosse um mundo inteiro e as vezes, apenas uma lembrança. Já foram tantas idas e vindas que ultimamente eu tenho me guardado mais dentro de mim mesma. Esconder a si mesmo dentro do escuro de seus sentimentos é um ato de sacrifício, que as vezes pode ser irreversível. Mas pensando pelo lado positivo, sempre terei do que lembrar. Principalmente da voz dele. Eu daria todas as minhas horas para ouvir aquela voz todos os dias. Era uma das coisas que sempre me chamou atenção nele. O modo como ele cantava e usava a alma para se expressar. E aquilo fazia minhas mãos gelarem, fazia meu estomago ficar vazio. O tipo de coisa que se imaginaria a aquela personagem principal de algum filme de romance, o que evidentemente não se adapta nada a minha realidade. Mas foi por ai que descobri que amor, não tem hora, pessoa ou local para acontecer. Para ser bem sincera, nunca acreditei que aquilo aconteceria comigo, sempre achei que não nasci para essas coisas, mas cá entre nós, depois de vê-lo ali, com um sorriso mais lindo que o outro, com aquele abraço quente, minhas ideias já não valiam de muita coisa. Ele me deixou com muita saudade sabe? E as vezes, tudo de que eu precisaria era ter aquele idiota aqui pertinho. Sem ele as coisas ficaram meio tortas e o relógio parece demorar. Sabe, aprendi a gostar de dormir depois do ultimo verão. Dormir significou ter momentos que não se realizarão, mas que me fazem acordar no dia seguinte com pelo menos um sorriso no rosto e era o que sempre me satisfazia. O que eu posso dizer por fim, é que ele me transformou de todas as formas que eu poderia mudar. E o agradeço por isso, mesmo que em silencio, o agradeço por me tirar de todo esse torpor. E o nome dele estará sempre envolvido em minhas letras e versos, toda vez em que a palavra amor estiver escrita. Que Deus o cuide por mim, e que ele se cuide por nós, porque eu estarei sempre aqui, na porta esperando que ele volte. E contando os dias para estar no seu abraço dele de novo, só pra sair dessa inércia.
Estava quente. Geralmente era esse o clima no prédio onde nós estudávamos. Sempre tão quente e lotado. Era algo que realmente me incomodava nessa época do ano, já que nossos invernos já não eram como os de antigamente. Só havia seca por ali, mas mesmo assim ainda podia-se ver amor, daqueles que são arrebatadores mesmo. E lá estava eu parada na escadaria perto do corredor, que nem estava tão lotado quanto de costume, só algumas pessoas tagarelando como se não houvesse mais nada a se fazer. E lá estavam eles na minha frente, o maior exemplo de casal de filme. Eu gostava de observá-los, sempre fui muito boa no que diz respeito a apenas olhar. E ficar quieta. Ela estava tão apaixonada… Ele tinha aquele brilho nos olhos tão diferente. Era vergonhoso ficar olhando, mas naquele momento, eu não conseguia evitar. Sempre fui bem masoquista, gostava de sentir a nostalgia que me batia naquelas horas. – Eu ando precisando de uma alegria… Ele falou olhando para a garota a sua frente, com um sorriso daquele de novela, e ela permaneceu em silêncio, não se tinha muito a dizer naquele momento. Eu podia ver e sentir as suas bochechas rosando violentamente. Acalma-se menina, respira e segue o jogo. Mas ai, ele virou-se para mim, e depois para ela, deu mais um daqueles sorrisos e jogou a ultima carta: – Amanhã quero você, falando pra mim, só pra gravar a sua voz e colocar como o meu despertador. Só pra te ouvir, todas as manhãs. Depois dessa, não consegui mais olhar. Depois daquela jogada suja, sai correndo dali, envergonhada por mim, pela garota e pelos poucos alunos que ali estavam. Mas fiquei imaginando o que a garota sentia naquele momento. Mas fiquei pra mim, e continue pelos corredores, pra ver se aquela saudade passava e se ia junto com as nossas lembranças de invernos passados, que pra mim foram bem mais lucrativos que este. Segui por ali, pedindo a Deus chuva, pra lavar a alma, pra acabar com essa minha seca no coração.
Não que eu fosse amarga nem nada do tipo, mas pra mim doce de mais é mel. E eu nunca gostei de mel.
Mais uma manhã ensolarada. Os dias estavam mais quentes ultimamente. Este inverno não seria dos melhores, todos estavam esperando por isso. De onde venho, as pessoas dizem que se um ano tem muita chuva o próximo será de seca. No meu caso, eu sempre achei que isso só acontece com a gente mesmo. Que depois de amor forte de mais pra caber dentro do peito, o próximo será apenas garoa de fim de tarde. Mas, depois de tudo o que aconteceu durante esses últimos meses, minhas observações sobre corações mudaram um pouco. Em meio a tudo, ainda havia uma esperança. A maioria dos casais eram sempre bem dramáticos em novos fins e novos começos, mas esse parecia mais real que os outros. Não que os outros fossem ruins, ou que não fossem apaixonados o suficiente, só que esse parecia mais uma história real. Afinal, eles não eram tão perfeitos. Nem tão pouco pareciam com aquelas casais de filmes. Eram naturalmente um casal. Ele, aquele menino de sorriso de anjo e ela, aquela menina de coração valente, pareciam mais feitos um pro outro igualzinho a tampa daquela panela velha, que mesmo depois de tudo, não deixa de encaixar. Era visível a quem visse. E eu, na minha condição de observar tudo, pude ver cada detalhe que se encaixava. O primeiro sorriso, o primeiro beijo… A primeira declaração que foi vergonhosa, mas que virou algo rotineiro. Pude ver o medo estampado nos olhos dela sempre que falavam sobre separação. E se tinha uma coisa que eles faziam bem era falar sobre amor, e era uma das coisas que mais gostei de ouvir… — Eu queria poder te abraçar sempre. Te agarrar ali mesmo, na frente da escola inteira e dizer que não existe ninguém no mundo pode te tirar de mim. Ele disse uma vez em uma conversa banal, enquanto via os olhos castanhos dela brilharem. Ele sabia o ponto fraco dela, sabia que mesmo que a fizesse chorar vez ou outra, era dele que ela queria o amor. E eles sempre voltavam a ficar bem de novo.Mas sabe, eu nunca me incomodei em ver esse amor todo, apesar de sempre está sozinha. Esses amores que acontecem a minha vista me fazem escrever, me fazem lembrar. Por isso ainda não desisti de observa-los. Mesmo que aquelas borboletas voltassem, que a saudade batesse e me fizesse lembrar daquele que foi meu, eu não queria parar de ver o que eles tinham. Era o mais perto que eu poderia chegar do que ele havia sido. E naquela tarde, continue lá sentada na primeira fileira, rezando pra que eles dessem certo, rezando pra que mesmo sem chuva, o jardim continuasse a florir.”
Mas ela tinha razão quando dizia que ele quase foi o seu verdadeiro amor.