Mais uma manhã ensolarada. Os dias estavam mais quentes ultimamente. Este inverno não seria dos melhores, todos estavam esperando por isso. De onde venho, as pessoas dizem que se um ano tem muita chuva o próximo será de seca. No meu caso, eu sempre achei que isso só acontece com a gente mesmo. Que depois de amor forte de mais pra caber dentro do peito, o próximo será apenas garoa de fim de tarde. Mas, depois de tudo o que aconteceu durante esses últimos meses, minhas observações sobre corações mudaram um pouco. Em meio a tudo, ainda havia uma esperança. A maioria dos casais eram sempre bem dramáticos em novos fins e novos começos, mas esse parecia mais real que os outros. Não que os outros fossem ruins, ou que não fossem apaixonados o suficiente, só que esse parecia mais uma história real. Afinal, eles não eram tão perfeitos. Nem tão pouco pareciam com aquelas casais de filmes. Eram naturalmente um casal. Ele, aquele menino de sorriso de anjo e ela, aquela menina de coração valente, pareciam mais feitos um pro outro igualzinho a tampa daquela panela velha, que mesmo depois de tudo, não deixa de encaixar. Era visível a quem visse. E eu, na minha condição de observar tudo, pude ver cada detalhe que se encaixava. O primeiro sorriso, o primeiro beijo… A primeira declaração que foi vergonhosa, mas que virou algo rotineiro. Pude ver o medo estampado nos olhos dela sempre que falavam sobre separação. E se tinha uma coisa que eles faziam bem era falar sobre amor, e era uma das coisas que mais gostei de ouvir…
— Eu queria poder te abraçar sempre. Te agarrar ali mesmo, na frente da escola inteira e dizer que não existe ninguém no mundo pode te tirar de mim. Ele disse uma vez em uma conversa banal, enquanto via os olhos castanhos dela brilharem. Ele sabia o ponto fraco dela, sabia que mesmo que a fizesse chorar vez ou outra, era dele que ela queria o amor. E eles sempre voltavam a ficar bem de novo.Mas sabe, eu nunca me incomodei em ver esse amor todo, apesar de sempre está sozinha. Esses amores que acontecem a minha vista me fazem escrever, me fazem lembrar. Por isso ainda não desisti de observa-los. Mesmo que aquelas borboletas voltassem, que a saudade batesse e me fizesse lembrar daquele que foi meu, eu não queria parar de ver o que eles tinham. Era o mais perto que eu poderia chegar do que ele havia sido. E naquela tarde, continue lá sentada na primeira fileira, rezando pra que eles dessem certo, rezando pra que mesmo sem chuva, o jardim continuasse a florir.”