La Spezia, Ligúria, Itália, Junho 2026
Faixa de Mármore, Entre o Bloco e a Sombra
O bloco de betão pousa no chão com a arrogância de quem não pede desculpa
por ocupar espaço, e a sua sombra estende-se, comprida e diagonal,
como se quisesse cortar a praça ao meio só para provar que consegue.
A faixa de mármore atravessa o negro na diagonal exata,
veios cinzentos correndo por dentro da pedra branca
como rios que decidiram, há muito, nunca mais chegar a lado nenhum.
De um lado, o branco absoluto do pavimento continua a sua conversa
com o sol, indiferente ao drama geométrico que se desenrola
apenas alguns metros mais adiante, onde tudo se torna ângulo e contraste.
A sombra do bloco não é sombra qualquer — é um triângulo perfeito,
desenhado por uma luz que não perdoa curvas,
só ângulos retos, só decisões tomadas sem hesitação.
E a linha de mármore, teimosa, insiste em atravessar a escuridão inteira,
prova de que mesmo dentro da sombra mais rigorosa
ainda cabe uma veia clara, uma exceção à regra do preto absoluto.

















