eu evitei deixar espaços abertos em meu dia para que sua lembrança não me tomasse. eu evitei. eu preenchi cada minuto disponível para que não tivesse tempo de rever sua imagem sorrindo. e por um dia, por descuido do destino, ou por saudade omitida, aconteceu. foram quinze minutos em aberto e meu corpo escancarado, eu me arrependi. teu sorriso dilacerou todo o remendo que fiz desde que se foi, de novo. eu tenho tentado, josé, eu tenho tentado. nunca houve antes um dia em que estivesse tanto tempo assim pra ti, e de quinze minutos viraram horas, já que tua presença se personificou, sentou ao meu lado e sussurrou que eu era quem você tinha criado. eu estive tentando, josé, mas você me puxa e me mostra que nada que eu tente vale a pena, eu tenho cansado, me mantenho de pé com olhos fixos em um futuro que nem sei se chegará. idealização demais nunca leva a nada, você me mostrou isso. eu te criei e você me destruiu, cada novo passo é abismo sem você e você sorri. você sorri. meu pecado foi sentir sua falta, sou castigado por isso e ainda sinto. o que te causa me ver assim, meu bem? o que sonda tua essência e te torna presente a ponto de vir me ver no chão? eu estive tentando, josé, mas hoje eu me rendi a ti. eu me rendi, me entreguei e você dilacerou meu coração, me obrigando a consturá-lo com as próprias mãos. e assim o fiz, ele ainda bombeia e você voltará.