Mais uma risada baixa fora acrescentada a lista de todas as outras que ela já havia exteriorizado naquela noite, mas quando o som fora cortado, o sorriso permaneceu no rosto da menina. Viu-se largando os sapatos para dentro do cômodo atrás de si e encostando a lateral do corpo no batente de sua porta, buscando ali algum apoio que não era realmente necessário, porque ela própria já devia estar dentro do quarto. Ainda assim, parecia haver algo a mais para ver em Rony, algo que merecia sua observação. Não sabia dizer se era o sorriso estupidamente cativante que ele tinha costurado no canto de seus lábios ou se era o modo como seus passos eram dados de forma preguiçosa para trás, como se ele também não quisesse que a noite fosse encerrada. Não parecia certo deixar que ela acabasse. Não quando ela era a primeira em tempos que não era finalizada com os dois saindo de cabeça quente e palavras engasgadas em suas gargantas. Queria pensar em alguma coisa que fizesse-o ficar mais, ter qualquer assunto na ponta da língua que fosse os envolver em uma conversa mais duradoura, mas nada lhe veio a mente. A madeira do chão velho da pensão rangiu embaixo dos pés de Cassandra quando ela aproximou-se de Belmore o mesmo tanto que ele havia se afastado, e em um ato tão preciso que fazia parecer que era concretizado sempre, ela levara os lábios até o rosto do mais velho para pressionar um beijo delicado ali. — Boa noite. — murmurou baixo, contra a pele dele. E só aquilo, porque ela não se afastou. Ao contrário, um dos pés ainda ousou dar um passo mais a frente, fazendo com que a proximidade entre o resto de seus corpos fosse tão grande que ela praticamente pudesse sentir o calor que emanava do dele. A despedida parecia ecoar pelo ambiente, como se chamasse Cassandra para entrar em seu quarto de uma vez. Ignorando o convite, a loira decidiu atender a outro chamado. Os lábios se separaram apenas alguns milímetros da pele de Belmore, só para que ela pudesse passá-los pelo perímetro que separava a lateral de seu rosto até seus lábios, e assim que estava frente a frente com ele, os olhos focaram o sorriso escondido no canto da boca alheia mais uma vez. O desejo que teve naquele momento não podia ser descrito como qualquer outra coisa que não fosse a vontade de roubá-lo dali, e atendendo aquele seu capricho, Cassie permitiu que a distância entre seus lábios fosse quebrada em um selar que veio de ímpeto e, ainda assim, fora concretizado com toda a delicadeza que ela podia colocar no ato.
A aproximação da loira era algo que ele definitivamente não esperava em nenhum momento da noite, mesmo que estivesse sendo tocado por ela exageradamente desde que havia a pego no bar, pouco tempo atrás. Mas definitivamente o beijo pressionado contra a sua pele foi algo que nem em um milhão de anos ele estaria imaginando ou a espera de, se o contato de pele com pele com Cassandra já era algo que ele imaginava que nunca aconteceria, quem dirá algo tão pessoal como um beijo que ela parecia o pressionar ali de livre e espontânea vontade. As pálpebras caíram com o contato doce dos lábios alheios, aproveitando a unicidade do momento porque se aquilo estava acontecendo ali era milagre demais para vir a se concretizar em qualquer outro momento, mesmo que eles terminassem a noite em toda aquela paz que desdenharam até ali, ele ainda acreditava que era tudo culpa do álcool. Pronto para se afastar, pronto para finalizar a noite agora --- o que mais ele queria depois de algo que nem se quer imaginava que iria acontecer? Aquela era sua deixa para ir embora e salvar um momento especial entre eles. Mas Ronald, quem sempre costumava apontar e rir da cara do destino, acabando por dar um jeito de sair de todas as enrascadas que era colocado independente de onde fosse; ele mesmo estava ali no papel de quem ficava no centro da vitrine, quem era tachado como a brincadeira da vez era apenas ele. Os lábios em contato com os seus, tão suaves e doces como qualquer coisa que nunca havia provado antes, foi o que fez com que todo o cenho se vincasse, ainda mais do que as outras vezes no decorrer da noite. E ele esperou por um, dois, três segundos para que ela se afastasse e percebesse o quão errada toda aquela situação parecia. Pelo menos no contexto que eles viviam, já que o sentimento era completamente outro. E como em um desenho animado, o moreno tinha em cada um dos ombros vozes que diziam coisas controversas; enquanto uma estava gritando para ele se afastar, para salvar um pouco de saúde que a relação dos dois ainda tinha, a outra lhe dizia para ir em frente e deixar que Cassie tomasse as decisões do momento. E inconsequente do jeito que era, foi isso mesmo que ele fez. O braço direito se envolvendo a cintura fininha quando a trouxe para perto de si, os lábios ainda não passavam de apenas um troque mais prolongado contra os seus semelhantes, mas o contato era novo e ao mesmo tempo bom demais para que ele deixasse ser desperdiçado com só alguns míseros segundos.