﹝ MB — flashback ﹞
- ̗̀ Outra risada escapou de seus lábios, que se projetavam para frente em um pequeno bico encenado e foi difícil não revirar as íris azuladas diante da preocupação do mais velho, não por irritação, mas apenas por julgá-la exagerada. Os anos que passara nas ruas haviam lhe ensinado a avaliar os riscos de uma situação antes de agir e, bem, a única coisa que parecia uma ameaça ali eram aqueles sapatos altos que lhe deram. Talvez o ponche, caso alguém o batizasse, mas não era como se ela pretendesse experimentá-lo. “ — Eu nem comi tanto assim ”, Raven tentou argumentar, contudo, acabou por deixar o prato que segurava sobre a mesa, em um sinal de rendição. Seus olhos permaneceram fixos nos do pai conforme este continuava a fala e, por fim, se viu expirando o ar que retinha em seus pulmões pelo nariz e acenando. É, aqui realmente parecia uma problema bem possível. Todavia, não se prendeu naquela informação, e a face logo se iluminava em divertimento puro. “ — Pera, você tá morando em uma casa na árvore? Oh, a irônia! ”, os ombros finos chegavam a chacoalhar com as risadas dela, que apenas podia se lembrar da vez que ela própria, anos atrás, quisera fazer a mesma coisa e Ryder não permitiu. Ainda ria quando ele ajeitava seu acessório, mais lembranças voltando a sua mente, transformando o sorriso tímido em um outro revirar de olhos bem humorado, “ — Deus, ia ser a minha formatura toda de novo! Lembra que tinha acabado de ganhar um celular novinho e ainda sim acabou com toda a memória disponível naquele mesm…. ”, a frase foi cortada no mesmo instante que os demais convidados começaram a gritar. A morena não chegou a ver a entrada do vilão, todavia, não demorou para ver as chamas esverdeadas começarem a se espalhar pelo local. Por instinto, seus olhos se voltaram para a figura do pai, agora carregados de medo, preocupação e descrença.
Sabia que não ia demorar para que a filha falasse sobre a casa na árvore. Tudo aquilo já tinha história, quando ela tinha uns treze anos ficara quase um mês implorando para que Ryder fizesse uma casa na árvore. Ele demorou um pouco enrolando a menina, mas sabia que em alguns anos ela logo iria enjoar, virar adolescente e ficar o dia inteiro trancada no quarto com o celular e o computador... Era risco até de um dia aquela casa na árvore despencar. - Pois é, pode até ir me visitar para matar a vontade da casa da árvore. - ele disse provocando a filha por conta do tom que ela falara aquilo.
Quando o fogo começou, Ryder podia ver o desespero nos olhos da filha. Não pensou duas vezes antes de segurar o braço dela, começando a seguir para a saída com a filha - consegue tirar os saltos pra correr? Se não eu te pego no colo - ele disse sério, preocupado em deixar a filha em segurança como prioridade.