20 e pouquinho…
Anos atrás, imaginei os meus 20 e poucos de uma forma bem diferente. Acreditei que teria respostas claras para os questionamentos que carregava naquela época. Entre eles, o maior de todos: quem sou eu? Quem você vai me tornar? Como será o processo até chegar lá?
Agora, vivendo esses 20 e pouquinho, aprendi que a vida não tem a coerência que eu tanto tentava alcançar. Na verdade, querer ser coerente é, de certa forma, ser incoerente com a própria essência da vida. A vida é movimento. Pense na Terra: ela faz dois movimentos ao mesmo tempo e, ainda assim, segue seu fluxo. Por que, então, eu deveria me prender a uma ideia de rigidez de coerência, se isso só me fazia sentir estagnada, travada no oposto do que a vida é – puro movimento?
Aceitar essa perspectiva mudou minha relação comigo mesma. Passei a acolher minhas vontades, mesmo que elas nem sempre façam sentido juntas. Gosto de ler, mas também amo pintar. Sou apaixonado por pesquisa, mas sinto viva trabalhando em eventos. E você sabe o mais incrível? Parei de ter medo de experimentar algo que, anos ou até semanas atrás, eu teria julgado como "não é pra mim". Um exemplo disso? Música eletrônica. Nunca pensei que fosse gostar, mas aqui estou, escrevendo ao som dela e achando incrível.
Essa "incoerência" me ajudou a perceber a imensidão de quem eu sou. E, numa oficina de roteiro, ouvi algo que ficou gravado: 'Somos tão imensos que nem cabemos em nós mesmos.' Faz tanto sentido, não é? Entender essa vastidão me ajudou a perder o medo de tentar. Quando aceitamos que a vida também é vasta, cheia de possibilidades e caminhos inesperados, ficamos livres para explorar.
Tudo pode acontecer. Você pode se formar, largar tudo, fazer um mochilão ou seguir uma nova paixão. As opções são infinitas, e isso é o que torna tudo mais interessante.










