[QG, em Ruben]
Após o descarrego das compras e alguns agasalhos no quarto, foi para a cozinha levando o pequenino nas mãos na horizontal rente ao peito.
- Não quer tomar um banho quente enquanto eu preparo alguma coisa? Posso… Preparar uma banheira pra você. - A princípio não tinha nenhuma ideia, no entanto… A enfermaria e o banheiro eram sempre cheios de coisas úteis. Cedo ou tarde encontraria algo de proveito.
Fazia um tempo que Ain não via movimento no QG, então quando finalmente ouviu sons na cozinha andou rápido para ver quem estava lá na esperança de encontrar Elsword.
Infelizmente ele não estava lá… Porém não deixou de lado a educação, já que tinha espiado na porta do cômodo tão contente e com tanta vontade.
– Ah, senhorita maga!… Boa tarde. – Ele tinha jurado ter ouvido ela falando com alguém mas ele não via mais ninguém ali… – Estava… Falando com alguém?
De qualquer maneira, o sacerdote colocou as mãos para trás como uma criança e se encostou no batente da porta também olhando ao redor. Não descartava a possibilidade da comunicação com espíritos, mas se tivesse um ali certamente o sentiria.
Depois de um bom tempo sendo carregado pela Aisha-dono, eu desejava esticar as minhas pernas ou… Fazer algo por mim. Um banho era bem-vindo. Quando fui respondê-la… O sacerdote apareceu. Por puro impulso, levei minha mão até onde estaria a bainha da minha katana… Só para descobrir que ela não estava ali. Estalei a língua, desgostoso.
- Ah-! Uh…! - Como impulso ao susto e como se estivesse aprontando alguma, fechou parcialmente as mãos ao redor do corpinho do menor, deixando-o acolhido na “concha” feita, isso sem virar o corpo em direção do outro rapaz de aparição aleatória. Nem chegou a notar que o pequenino procurava pela arma… Havia deixado em seu quarto. - B-boa tarde, Ain. Estava… Estava falando sozinha, é. …
De qualquer forma, sentia como se o incidente fosse sua culpa, e tentava ocultá-lo. Caminhou com certa pressa até a pia e soltou o moreninho lá, empurrando-o de leve com os dedos para que fosse se esconder atrás da chaleira e da cafeteira. E virou-se com as mãos para trás, encostada no balcão.
- Estava… Lembrando de um livro que eu li, é! Pra ter certeza que… Eu marquei bem a página na cabeça. - Deu um soquinho bobo na lateral da cabeça enquanto mostrava a língua, fazendo-se de sonsa.
Ain não acreditou muito na desculpa mas não questionou mais, de qualquer forma. — Oh, mesmo? Estive reparando, o quartel está muito quieto por esses tempos. Tem visto Elsword? — Ele foi direto ao ponto.
O sacerdote reparou um pouco que a roxa tentava esconder alguma coisa e estava visivelmente nervosa, por mais que a desculpa fosse das boas. Tentou dar uma espiadinha movendo o corpo e ficando na ponta dos pés sem forçar muito o ato, pararia se a menina reagisse de jeito negativo.
— Vejo também que fez compras. Como esperado da sabedoria da senhorita maga. — Talvez Ain conseguisse fazer com que ela baixasse a guarda, e então descobriria o que ela escondia.
Aisha-dono me protegeu, e eu sou grato a ela por isso. Porém, mesmo protegido não pude evitar de ficar alerta. Ainda não sei do quê que o sacerdote é capaz. Ao ser solto na pia, focando-me em ser rápido, passei para trás dos potes… estranhos, espremendo-me contra a superfície deles. Aquele lugar não era um bom esconderijo.
Bastava que o sacerdote olhasse de outro ângulo, e ele poderia me ver.
Desloquei o olhar pelo local com algumas xícaras… Entre outros utensílios. Talvez adentrando um daqueles? Não. Era arriscado demais. Inspirei fundo, observando o lugar.












