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Pretty Little Liars 5x13 “How the A Stole Christmas” - New still (c)
[ff] everything is gonna be alright || kelsbury
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Estava se sentindo exausto, mas não como se seu corpo não aguentasse mais nada, apenas estava cansado pelo dia agitado que havia tido junto de Helena, não que estivesse reclamando, pelo contrário estava agradecendo. Alguns dias antes ele tinha ganhado de um de seus estudantes dois ingressos para o jogo do Puddlemere United que havia sido naquela noite e agora que eles tinham chegado em casa, Enzo conseguia sentir todos os seus músculos protestando para cada movimento que ele fazia.
— Você está muito quieta esta noite, achei que fosse a ansiedade pelo jogo, mas parece estar vivendo em um monólogo. Algo aconteceu? — questionou para a noiva. Helena não era assim, costumava ser comunicativa e nem mesmo o jogo tinha a feito falar. Enzo a conhecia desde pequena e era ela quem falava em quase todas as situações, ele sempre fora um bom ouvinte, precisava ser na verdade devido sua deficiência. Por isso precisava entender o que tinha acontecido com ela, aquilo não era uma atitude normal dela.
Seus olhos encaravam o vazio, e em sua mente repetia várias e várias vezes tudo que o médico havia falado. O médico não havia falado muito, pois ainda era cedo demais para isso. Tinha que fazer muitos e muitos exames, e ele provavelmente estaria errado. Naquela manhã, Helena havia antes de ir para revista em uma consulta ao médico trouxa. Era um costume desde quando era pequena por causa de seus pais, e ela sempre fazia seus exames rotineiros, porém, agora era diferente. O médico havia pedido muitos e muitos, e havia alertado do risco. No outro mês, Helena havia feito algum teste para ver sobre sua fertilidade.
Mesmo ainda não estando casados, ela e Enzo, nunca esconderam o desejo de ter uma grande família. Não se importavam se fosse antes ou depois do casamento e estavam tentando. Afinal, o mundo estava um caos. Não dava para ficar um dia no mundo bruxo sem ouvir sobre os problemas da guerra e todas as suas consequências. Ela como trabalhava na revista tentava produzir entretenimento, mas eles ainda eram muito censurados do que podiam fazer. Mesmo depois do jogo, e Helena estava tentando ao máximo para que Enzo não percebesse que havia algo era obvio que ela não conseguiria esconder algo daquele tamanho. Por mais que tivessem gritado pelo time que tanto amavam, mas o discurso do médico e toda sua manhã ficava repetindo em sua mente. “Errr, estou bem. De verdade, acho que só estou cansada depois do jogo.” Comentou para ele tentando forçar um sorriso.
”I was sort of in denial about doing country for awhile but I sort of grew up and realized who I was, what I wanted to say. I think country music is the best music in the world and I’m glad to be doing a country album. I hope people will love it as much as I loved making it.“ - Lucy Hale
keltz-e :
Por mim pode ser, meu amigo disse que tem um restaurante próximo a ponte, não é tão longe, chegamos lá em cinco minutos. Por Deus, Helena, quantas vezes vou ter que te dizer que eu não estou nem ai para elas? Você é a única que realmente importa para mim, achei que isso já estivesse claro. E só estou atarefado assim por conta do estágio e da faculdade juntos, mas logo vai melhorar, sério. Porque eles sabiam que isso séria bom para mim, para nós.
Elas são bonitas. Você é bonito. Elas passam mais tempo com você. Eu sei que eles fizeram isso na boa intenção, mas é tão injusto. Agora que temos um ao outro o trabalho nos afasta. Ainda mais quando tudo isso está acontecendo...Eu tinha também uma outra proposta, mas como está tão atarefado talvez nem queira ir. Eu ganhei ingressos pro jogo do Puddlemore....Mas se está tão ocupado aposto que consigo achar alguém para ir comigo.
keltz-e :
Por mim tanto faz, de verdade, Lena, contando que almocemos juntos. Eu só quero passar um tempo com você, antes das coisas ficarem complicadas e o final do semestre me consumir por completo.
Se você não sabe e eu não sei acho melhor irmos no primeiro que acharmos. Antes que me troque por uma dessas estudantes assanhadas. “Professor Keltz isso, Professor Keltz aquilo” Queria saber por que meus pais o incentivaram com isso.
Qualquer lugar eu topo. Estou morrendo de fome. Só acho que deveríamos tentar nos arredores do seu trabalho...acho que vai ser mais seguro para nós.
[Flashback] And you know my heart by heart || Kelsbury || Blind Date
keltz-e :
Realmente Enzo odiava chegar atrasado, ainda mais em um encontro e por mais que ele não estivesse a fim de participar daquele em si, ele jamais daria o bolo na garota que provavelmente estaria o esperando. Foi nesses pensamentos que chegou no local e entregou as rosas. Mas não foi uma surpresa para ele quando ouvir a voz e a risada de Helena Salesbury, sua melhor amiga. Enzo sabia que tinha reconhecido o cheiro de um perfume que ele conhecia, apenas não tinha certeza daquilo, afinal Lena também estaria ali para um encontro. Só não acreditou que ela fosse a sua acompanhante.
Entretanto odiou-se, a gryffindor querendo ou não, parecia muito animada com aquilo tudo e Keltz sabia perfeitamente daquilo, afinal conhecia muito bem sua amiga por anos para saber quando ela queria algo ou não. Ficou extremamente chateado ao ver que eles eram tão parecidos ao ponto da garota nem mesmo conseguir um encontro com alguém diferente, tinha que ser justamente com ele. Eles tinham que ter gostos tão parecidos? Mas agora que estavam ali, não iria decepcionar a morena. Keltz sabia que de certa forma devia algo a ela, por perder um encontro, é claro. Então daria uma forma de não deixar que aquilo fosse apenas um encontro entre amigos, mas sim de total desconhecidos.
— Desculpe mesmo pela demora, não sei se você sabe, mas eu tenho um gato e digamos que ele não ajudou muito — tentou não rir ao incorporar o papel que espontaneamente vinha em sua mente. Tentava ao máximo não errar algo e sempre dizer alguma coisa diferente, afinal deveria ter ele mesmo preenchido o formulário. Se tivesse preenchido poderia ter mudado um pouco e deixado com que Helena tivesse um encontro com alguém que não fosse ele, mas de certa forma não ficou chateado por aquilo, conhecia a garota desde sempre e saberia muito bem lidar com aquilo naquele dia.
— Oh, as fichas realmente não mentem, fico feliz de você ser a escolhida. Oh, que rude eu sou, nem me apresentei. Me chamo Lorenzo Keltz, mas por ser tão encantadora como parece ser, eu deixo você me chamar de Enzo. Afinal estamos num encontro e nos conhecendo, não é mesmo? — lançou um sorriso e apoiou-se na mesa para encontrar a cadeira e senta-se, pelo que parecia, de frente a menina. Ele esperava realmente que a Salesbury entrasse na brincadeira, para de certa forma aquilo não ficasse realmente tedioso. Ele querendo ou não estava gostando muito do que estava fazendo, por mais que estivesse apenas atuando, Enzo queria que de fato Helena tivesse um encontro, como qualquer outra das garotas ali. — Bem, eu não a conheço, então sinta-se livre para dizer seu nome. Você provavelmente deve estar me confundindo com alguém, mas eu posso dizer que está completamente errado, eu devo ser muito mais bonito que ele. — sorriu abertamente enquanto pegava a bengala e a aguardava em seu bolso, talvez aquele encontro não fosse tão ruim como ele esperava que fosse, de certa forma ele poderia muito bem se divertir ali.
Mesmo não sendo nada como a garota esperava que aquele dia seria, até que no final a surpresa havia sido divertida. Antes ficar a tarde inteira em um bom encontro com um amigo do que com um completo idiota em que a aluna da Gryffindor passaria o tempo inteiro desejando estar em outro lugar. Quem ela estava querendo enganar? Não for afeita para ser uma personagem de romance que sempre desejou. Helena tinha de se contentar em ser a escritora, não a protagonista. Por mais que em seus sonhos ela sempre sonhassem em participar de uma grande epopeia. Que seu príncipe encantado a carregaria nos braços, e ambos seguiriam em cima de algum unicórnio. Era sonhar demais.
Não demonstraria um pingo de descontentamento, então tentou limpar todos os pensamentos negativos, e se focar no melhor amigo que estava bastante animado com aquela história. Aquele era sem dúvidas o poder de Enzo. Fazer todas as situações ruins se tornarem agradáveis. Se aquilo era um jogo, então a garota jogaria conforme ele estava propondo. Não poderia deixar de se sentir um pouco boba, não com alguém que a conhecia também, e sabia quando a garota estava fingindo ou reagindo de alguma forma diferente. Helena sempre foi alguém transparente. O que era péssimo, pois não adiantava ela tentar mentir ou fingir, todos conseguiam ver seus verdadeiros pensamentos sobre qualquer que fosse a situação. “Um gato? Espero que ele seja bonzinho. Eu tenho um amigo que tem um, e ele tem uma relação de amor e ódio comigo. Entre nós dois, eu tenho quase certeza que é ciúmes.” Brincou lembrando das vezes que o gato do amigo arranhara suas pernas, e das vezes aleatórias que pulava em seu colo em busca de atenção.
Internamente ela estava um pouco confusa sobre como agir, mas estava fazendo o máximo possível para parecer real. Esticou sua mão com um sorriso divertido. “Prazer em conhece-lo, Lorenzo. Alguém já disse que esse nome é de gente velha? Bom, eu sou Helena, também de gente velha, mas todo mundo me chama de Lena. É mais moderno.” Lembrou-se de quando se conheceram. Um pouco de nostalgia preencheu sua mente, mas a garota fez de tudo para manter-se na nova personagem. “Você está certo se eu conhecesse alguém com esse charme certamente não esqueceria, mas quanto a mais bonito ficarei te devendo uma resposta sincera.” Sentou-se confortável na cadeira enquanto via as pessoas ao seu redor ficando mais intimas. Um rubor tomou conto de suas bochechas, e a garota tremou um pouco debaixo da mesa. Respirou fundo, e voltou-se para o amigo. “Alguma ideia do que beberemos ou comeremos hoje? Eu sou aberta a tentar coisas novas.”
(flash, july 78) but my friends won't love me like you | Kelsbury
Mesmo tendo conseguido nota o suficiente, o que Helena considerava ser um “pequeno milagre” a garota não poderia se sentir mais estupida. Já fazia um tempo em que ela andava com aquela angustia em seu peito. Ela poderia tentar fingir que não sabia o que significava, mas até mesmo ela conseguia entender de onde tudo aquilo estava vindo. Desde que Enzo e ela haviam se beijado algo mudou entre os dois amigos. Ambos tentavam fingir que aquilo não havia acontecido, mas eles sempre foram muito próximos. Era estranho até mesmo entregar uma pena para o amigo e não lembrar de seus dedos entrelaçados. Da calmaria que havia sentido antes de toda a tempestade. Até mesmo não conseguia evitar morder seus lábios, e lembrar de tudo que havia acontecido. Estava ficando cada vez mais difícil entender todos aqueles sentimentos. O problema era que eles estavam em seus últimos meses em Hogwarts. Eles precisavam focar nos estudos, e Helena agradeceu por tudo aquilo. Foi uma boa desculpa para adiar todas as decisões que ela sabia que eventualmente acabaria tendo que fazer.
Agora todos os problemas haviam acabado, e quando Minerva lhe contou que ela tinha nota o suficiente tudo que passava na cabeça da Salesbury era sair correndo para pular nos braços do melhor amigo e comemorar que haviam conseguido passar. Porém, ela não podia. Toda aquela hesitação estava machucando ela, e simplesmente deixou para lá. Nos últimos dias ambos estavam muito estranhos. Aparentemente os dois estavam tentando evitar se encontrar, pois em todo lugar que Helena estava, Enzo parecia estar no completo oposto. Somente durante as aulas, e ambos corriam para fazer duplas com outras pessoas. Até mesmo seus amigos mais próximos haviam percebido isso. Tudo que a garota conseguia fazer era suspirar, e esconder seu rosto na mesa. Como haviam chegado naquela situação? Eles eram, e sempre seriam melhores amigos.
Demorou bastante tempo para ela começar a entender tudo que passava dentro dela. Foi preciso uma longa caminhada, e alguns dias passando a tarde toda nos jardins. Helena sempre quis experimentar algum tipo de romance. Ela sempre foi uma grande fã de histórias de amor. Por mais clichê que a história fosse. Enzo sempre foi sua ancora. Ele esteve ao lado dela durante todo tempo. Ela mesma havia contado sobre aquele desejo para o amigo. Ele conhecia todos os lados dela. Como alguém que a conhecia tão bem poderia ainda sentir algo por ela? E por que eles estavam agindo daquela forma? Se ela estava se sentindo daquela forma poderia imaginar que o melhor amigo também estava sofrendo. Aquilo era a última coisa que ela sequer desejava.
Hesitante Helena percebeu que seus dias estavam acabando. Eles tinham a formatura, e mais uma festa. Após isso cada um deveria seguir seu caminho. Ela não conseguia ver um caminho longe de Enzo, e agora ela estava fazendo isso. O afastando daquela maneira não era justo para nenhum dos dois. Só que o que sempre rodeava sua mente era se eles realmente dariam certo. Ou só acabariam machucando um ao outro, e depois nunca mais se olhariam. Ela ficou com aquela dúvida durante boa parte dos meses anteriores. E ver o garoto com outros amigos, e até mesmo quando percebeu que a pontada que sentia em seu peito ao vê-lo dando risada com Aysha que seus sentimentos poderiam não ser só amizade. Sem contar que eles já estavam se machucando fingindo não se importar tanto um com o outro.
Durante aquela formatura ela havia tomado uma importante decisão. Ela não queria ver sua vida longe de Enzo, e isso implicava que ela não deixaria o melhor amigo. Se eles já estavam se machucando estando tão longe qual seria o problema de simplesmente entrar com cabeça em tudo aquilo? Não havia ninguém que cuidava mais dela, e poderia amá-la mais. Agora sua missão mais importante era encontrar seu melhor amigo. Seus pais haviam ajudado bastante ela. Quando viu na formatura o modo como ela e Enzo estavam agindo estranho, a mesma pode perceber que era algo tão óbvio, mas ainda tão complicado para eles. A morena suspirou naquela último baile.
Seus cabelos estavam presos em um coque, e seu vestido era um pouco mais simples em um tom de vermelho. Seus braços estavam livres, e ela finalmente conseguia respirar em alivio. Era difícil encontrar qualquer pessoas com tantos balões e decoração. Assim como os vestidos compridos sempre faziam com que ela tomasse muito cuidado onde pisasse. Estava pensando que aquilo era um sinal para desistir quando notou um grupo conhecido de colegas. A mesma trouxe seu melhor sorriso para a conversa cumprimentando a todos, e Enzo então estava a seu lado. “Vocês me emprestam meu amigo aqui um pouco? Eu juro que trago ele de volta.” Eles pareciam até mais empolgados que ela, e Helena realmente gostaria de entender se todos sabiam dos sentimentos de ambos porque ninguém nunca havia contado para eles. Teria evitado muita dor de cabeça. “Desculpe te tirar daquele jeito, mas acho que temos que conversar. Ou melhor, eu preciso falar.” A garota suspirou, e então esperou algum tipo de reação vindo de Enzo. Se ela deveria continuar ou simplesmente ignorar tudo aquilo. Ele poderia muito bem já ter seguido em frente. Ela percebeu que segurava nas mangas do paletó do amigo evitando segurar nas mãos do mesmo, e então soltou e tentou aliviar o suor esfregando as mãos em seu vestido. Ela precisava da coragem de todos os alunos da sua casa naquela noite se queria continuar com tudo aquilo.
keltz-e :
Você vai ter tempo de falar com eles, só se acalma, o mundo não vai acabar agora, Lena. Eu sei que você é, mas vai dar tudo certo. Eu não sei? As vezes queremos guardar coisas para a gente por algum momento, ai depois contar. Eu, por exemplo, guardei um grande segredo por anos. Por Merlin, Helena, acalme-se, você nem sabe se isso vai mesmo te prejudicar e nem precisamos pensar nisso agora. Por que estragar o presente com medos que não são necessários? Se for para acontecer, vai acontecer, entendeu? Não precisa ficar se preocupando, só cuide de você por agora.
É só muita informação em pouco tempo. Você sabe que eu não sei lidar direito com tanta coisa. Eu só sei escrever e falar, talvez um pouco de Quadribol, mas é isso. Grande segredo? O fato que você era cego? Acabamos descobrindo sozinhos. Brincadeira. Está vendo? Eu nervosa começo a falar coisas sem sentido. O médico falou que tem a possibilidade de fazer mal. Nós deveríamos pensar em todas as hipóteses possíveis. Por que vivemos no presente. Temos sonhos, e vontades. Eu não quero deixar as consequências para o futuro, e perder você lá. Quero ter um futuro com você igual você estava sonhando. Você está certo de uma coisa. Preciso de tempo para digerir tudo isso. Você vai se importar se eu for dormir em casa hoje?
keltz-e :
Tudo bem, você não está mais sozinha, só respira. Não tem problema, de verdade, eu fico feliz que tenha me contado agora e não deixado isso só com você, pois passar por isso sozinha não é fácil. E eu sempre estarei aqui para você, Lena. O futuro é incerto, mas sempre que pensarmos nele, temos que pensar positivo, tudo um dia vai dar certo. Não fique, vai dar tudo certo e apenas tome os remédios, eles são importantes para manter você saudável e viva, então não se preocupe. Não tenha medo.
Só é muita coisa para processar. Não consegui nem falar com meus pais, e eles vão perceber que tem algo de errado. Sou uma péssima mentirosa. Sempre te conto tudo não sei nem porquê está surpreso. Não tem nada de mim que você não saiba. Esse é o problema. Eu consigo lidar com as minhas escolhas, mas elas vão afetar você. Isso não é o que você sempre quis. Eu sei disso, pois você sempre contou. Se eu tomar...nós...o que você sonhou. Eu não vou mentir. Ouvi você falando enquanto dormia. Eu sei o que você pretende e quer Lorenzo. Se não agora no futuro mesmo que você não fale seu inconsciente fala. Não sei se vou poder te dar mais isso.
keltz-e :
Não tem problema, Lena, todo mundo tem um momento que quer ficar sozinho com os próprio pensamentos, eu que não deveria ter insistindo. Foi erro meu, me desculpa. Mas se você tomar esses remédios vai ficar tudo bem, certo? Porque é isso o que importa, Lena, o agora, não o futuro.
Eu não gosto de ficar sozinha. Odeio ficar sozinha. Eu gosto de falar, e conversar. Saber o que esta acontecendo. Você estava fazendo sua parte do seu jeito. Não tinha como você adivinhar. Sinto muito por não ter falado. É só que você é sempre tão otimista sobre as coisas, e o futuro. Mais ou menos não tem nada nenhuma certeza ainda. Estou assustada, Enzo. Não sei o que fazer.
keltz-e :
Não, sério, tudo bem, não se preocupe com isso. Eu só estava preocupado com você… O que? Aconteceu algo lá?
Não deveria ter gritado foi só que...deixa para lá. Eu sempre dou uma checada anual para ver se...se bem ta tudo funcionando. Resumindo: aparentemente não está tudo bem, e eu vou ter que tomar alguns remédios pesados. E os efeitos desse remédio, mas esse “problema” que eu estou geram dificuldades se algum dia eu quiser engravidar.
Eu não quis gritar está bem? Eu só fui ao médico hoje. No mundo trouxa sempre vou para que meus pais não fiquem preocupados. Achei que seria bom por conta das coisas que andamos conversando, mas levei um banho de água fria.
[Flashback] Temos tanta coisa em comum. Você tem marca em mim e pra você não sou mais um. Assim é nosso amor, tão forte como a noite, perfeito como o dia || Kelsbury || July 78
keltz-e :
Alguns dias já tinham se passado alguns dias desde o baile de formatura, onde Enzo finalmente se viu formado na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts e que, a partir daquele momento, o ex-gryffindor, teria de tomar algum rumo na vida. Tinha pensando em algumas coisas, claro e mandado algumas cartas para algumas universidades bruxas, mas ainda tinha certo receio de tudo o que queria fazer. Será que não iriam implicar muito por ter um cego ali? Sabia que não deveria pensar muito nessas coisas, uma vez que tinha se adaptado muito bem em Hogwarts, mas ai é que estava, ele tinha se adaptado, se acomodado e tinham se passado sete anos. Em sete anos ele conhecia quase todos os cantos daquele castelo, sabia como andar, onde poderia passar ou não. Agora ele tinha medo do desconhecido, de como ele iria lidar com essas coisas novas que apareciam em sua frente. E não sabia se estava mesmo preparado para tudo aquilo, só tinha uma certeza: queria dar aulas. Não em Hogwarts, claro, mas em alguma universidade, por isso escolheu estudar História da Magia. Muitas vezes tinha achado aquela matéria fascinante, enquanto muito de seus colegas dormiam e faziam brincadeiras nas aulas do Sr. Binns, Enzo prestava atenção e absorvia tudo o que o fantasma falava. E por isso tinha escolhido estudar um pouco mais daquilo, seria muito bom e ele teria tempo para escolher muitas outras no futuro.
Outra coisa que Enzo sentiria falta era da constante presença de seus amigos, Tristan que tinha ido para a América ficar algumas semanas, Thomas tinha decidido ficar por ali, mas mesmo assim quase nunca se viam muito e Helena… Ah, Helena. Ele e Helena tinham se resolvido no dia do baile de formatura e bem, eles eram alguma coisa, não só amigos, eram mais que aquilo, mas nada muito bem definido. Enzo sempre tinha sido apaixonado pela melhor amiga, talvez não tivesse percebido desde o primeiro ano, uma vez que ela era apenas uma garotinha que o tentara levar para o expresso as pressas e não parava de falar, mas ao longo dos anos, o sentimento ficava mais profundo e quando Tristan e Helena começaram a sair, o leão dentro do peito de Enzo parecia rugir, para que assim contasse toda a verdade para ela, mas não queria estragar aquilo. Não era reciproco e quando um amor vem só de um lado, a melhor coisa a se fazer é esquecer. Mas por mais que tenha tentado, o Keltz não esqueceu. Não tinha como esquecer quando sua melhor amiga estava sempre ali do seu lado. E depois de suas esperanças quase terem ido por água abaixo, Enzo acabou tomando coragem e se declarou para a morena, no final do sétimo ano. Mas nada acabou saindo como planejado, a garota não sentia a mesma coisa que ele, estava muito claro.
Mas no baile de formatura, bem, tudo parecia ter mudado. Enzo não estava esperando por aquilo, já tinha entendi que a amiga não o queria e não ia mais insistir. Tinha ficado afastado por vários dias depois de ter se declarado e ver quer não era correspondido. Mas era aquela história, ser amigo de um cego, ok, mas namorar um? Helena nunca o veria daquela forma e tinha pensando nisso até o momento do baile quando ela o procurou. Ele ficou surpreso, é claro, tudo bem que ia procurá-la para parabenizar pela formatura, já que sempre tinha dito a ela que ela passaria de ano junto com eles, sem nenhuma recuperação ou algo do tipo e claro, tinha dado certo. Mas a surpresa maior para o ex-gryffindor foi que Helena Salesbury se declarou para ele e o coração de Enzo só faltava sair pela boca de tanta surpresa e felicidade. Contudo, naquele dia eles não tinham se falado muito, andavam de mãos dadas, dançavam juntos, mas não tinham resolvido o que eles eram. E por isso Enzo agora estava ali, naquela lanchonete no centro de Londres, aguardando pela amiga que parecia estar atrasada ou ele que estava muito adiantado. As mãos estavam suadas, o corpo parecia tremer e o frio na barriga era inevitável, era como se ele nunca tivesse saído com Helena em algum dia. A cada vez que a porta era aberta a expectativa do Keltz aumentava e a pequena caixinha de veludo parecia pesar em seu bolso.
Finalmente aquele ano havia acabado. Poderia ter sido uma grande montanha russa para a Salesbury. Durante boa parte do ano ela poderia jurar que nem mesmo estaria formada, e durante o resto do tempo imaginava se no fim do ano ela estaria sozinha. Ainda assim, as surpresas não pararam. Helena havia se formado, e o amor que ela tanto havia desejado acabou aparecendo bem debaixo de seu nariz. O problema era que mesmo que ela não fosse cega como Enzo, ela havia conseguido ser bastante cega durante todos aqueles anos. Helena sempre quis tanto que alguém a amasse que nem mesmo havia percebido que já possuía tudo que queria. O problema era que Helena era uma garota lenta, e mesmo começando a perceber as coisas ela não sabia lidar com tudo que tinha. Por mais que as provas tivessem acabado, e até mesmo Minerva confirmando que ela realmente havia se graduado a cabeça da garota estava em todos os lugares. Isso se confirmou quando a menina estava na formatura. Enzo havia beijado um pouco antes de se formarem e foi um verdadeiro choque para a garota no momento tanto que ela havia saído correndo após o beijo, e somente quando viu o quão machucado o melhor amigo estava ela percebeu que estava doendo tanto nela quanto nele.
Então o terror de finalmente saírem do castelo começou a passar por ela, e todo aquele tempo distante do melhor amigo só fez com que ela percebesse que não havia mundo em que ela conseguisse ficar longe de Enzo. Ele já era uma parte dela, e ela havia passado muito tempo negando aqueles sentimentos e se engando para deixar aquilo continuar, mas ainda assim era algo estranho. Entender que estava apaixonada por seu melhor amigo. Eles haviam passado por muita coisa juntos. Enzo sem dúvidas havia sido a pessoa que mais cuidou dela, e mais a ajudou. Havia muita coisa que ela não conseguiria explicar, mas não era mais somente aquela proteção que ela queria. Ela não conseguia mais ser amiga dele. Não após ter segurado as mãos do mesmos, e ter seus lábios colados. Eles haviam se beijado, e a garota não conseguia deixar de pensar em quando fariam de novo. Então as coisas começaram a fazer sentido para ela. Todos os surtos de ciúmes. A necessidade em segurar as mãos do garoto. A falta em que seu corpo sentia de abraçar o melhor amigo. Mesmo que alguém tivesse explicado antes para ela a mesma só havia sido capaz de realmente entender tudo naquela festa.
Eles estavam um pouco afastados. Ainda tentavam entender tudo aquilo, mas Helena sabia que Enzo não a recusaria. Naquela lanchonete, Helena estava bastante nervosa. Ela não sabia como agir direito. Sentia-se um pouco culpada em não ter percebido os sentimentos do amigo antes, e agora ela queria mostrar o quanto ela também se importava com ele. Que não era algo de via única. Ela estava atrasada, e isso já não ajudava muito. Ela simplesmente não sabia o que fazer ainda era algo muito novo, e estranho. Enzo como sempre chegara primeiro que ela, e Helena correu para o lado dele. Respirando rapidamente por ter corrido para encontra-lo. “Desculpa, desculpa, eu...não tenho desculpas. Só acabei me atrasando.” Ela nem mesmo sabia o que dizer. Eles estavam ali para descobrir o que iam fazer, mas ainda assim ela procurou as mãos dele. “Mas eu estou aqui agora, e não vou a lugar nenhum.” Acabou confirmando, e respirando fundo. Ter as mãos de Enzo segurando as delas era uma sensação tão boa e comum para ela que a mesma não podia imaginar uma vida em que ela não segurasse a mão dele todos os dias. Aquela era sensação que ela sempre buscava quando precisava de conforto, e ali estavam eles tentando decidir as coisas. “Here we are. O que fazermos agora?”
keltz-e :
Não é bem assim, Helena. Eu não ignoro tudo o que você fala, na verdade eu escuto tudo o que você fala. Eu sou o seu melhor amigo ou já se esqueceu disso?? Lágrimas que eu estou sempre aqui para consolar, aliás para que serve os melhores amigos, não é mesmo? A formatura não é nada impossível, por favor. Você vai ser boa no que escolher que quer ser boa. O que quer fazer afinal? Estava estudando com a Aysha, é? Ela vai entender que você ficou agradecida por isso, não se preocupe, Aysha é uma boa pessoa. Nos falamos as vezes, afinal o que aconteceu no festival não só me atingiu, como atingiu a ela também, não é mesmo?
Odeio quando você me chama de Helena. Você escuta eu chamando você de Lorenzo? São nomes de gente velha, sempre digo isso. Vamos voltar para nossos codinomes de Lena e Enzo, está bem? Sem contar, que sempre que me chama de Helena acho que está bravo comigo. Como posso me esquecer se você me lembra todos os dias? Sobre as lágrimas, acho que eu deveria parar um pouco. Suas roupas já devem estar encharcadas. Então, não sou boa em nenhuma dessas profissões normais. Nem decidi se eu quero me candidatar para um cargo em algum jornal ou tentar seguir como comentarista em divisões pequenas de quadribol. Sim, ela realmente é legal. Vocês estão saindo? De todas as garotas que você saiu essa parece ser a mais legal, talvez essa seja “a escolhida” por enquanto não encontrei nada dela para reclamar.
keltz-e :
Eu estou bem, o que tinha pra pensar e resolver acho que deixei tudo certo, sério. Você ficar aqui não atrapalha em nada. Eu já estou acostumado com isso, você sempre fala que vai reprovar, que não vai bem em uma prova e sempre passa. A formatura não vai ser diferente.
Ah, então seu cérebro tem um feitiço já para ignorar tudo que eu falo? Já está acostumado com a faladeira e nem se incomoda. Deve ser muito útil, depois me conta para eu levar para meus pais. Eu sempre vou mal nas provas, e tiro o necessário quase raspando para passar. Sempre depois de muitas lágrimas. Formatura é quase impossível. Como vou ser uma boa profissional? Falando nisso, eu acabei usando a ajuda da Aysha para o trabalho. Até esqueci de mencionar, obrigado. Você e ela continuaram se falando?