O cinismo dos relógios
Os relógios se alinham em baques certeiros, no quarto escuro ou atado ao seu pulso, lá estão eles a caçoar de todos os teus planos. Pessoas chorando implorando mais tempo, nunca há piedade quando o assunto é exatas. A pele esticada, o sol na sacada, a dança febril de dois corpos unidos, tudo se foi, e não há braço que alcance. Só nos resta ser instante e recordar as rotinas atropeladas por outra corporação. Os relógios devoram as antiguidades, as lembranças passadas, as pessoas infladas. a carne nunca resiste ao tempo, só a poesia é imutável, só a poesia… Roney R.













