verdade que tu tem ciume de toda e qualquer mulher que fala com a tomika no café?
Não é assim também não.
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@scargiulia
verdade que tu tem ciume de toda e qualquer mulher que fala com a tomika no café?
Não é assim também não.
tomika: hoje acordei com uma saudade de vc passei a manhã toda lembrando do seu cheiro
Quando for assim é só vir aqui, linda.
Eu tô em casa, aliás.
amg vdd q vc já comeu algo q tem alergia por causa de um strap?
Recentemente e foi uma experiência interessante.
gosta de comida japonesa ou só de mulher?
Gosto da comida também.
cara fala a vdd o que vc achou da apresentação da banda da stella? e a música q cantaram que fizeram pensando em vc hein que q vc achou?
Foi incrível, ela, o Zeki e a banda inteira são realmente muito bons, ainda bem que colocaram essa menina numa aula de baixo.
Ela é terrível, vai me render semanas da Tomika cantarolando essa música para mim só para me encher, mas tudo bem, o que não passo pela minha afilhada, né? E, vou admitir, a música é boa.
verdade que o gio chorou no seu colo na época do acidente do hayden?
Ainda sinto um gosto amargo na boca toda vez que penso nesse acidente, sabia? Foi horrível. Meu sono é pesado, mas eu sempre soube quando o Gio não estava bem e tenho certeza de que foi isso que me acordou naquela noite. Quando eu e a Tomika chegamos na casa deles só encontramos o Amos e quando soube de tudo só quis correr para o lado do meu irmão. Eu nunca vou saber o que é ser pai ou mãe de alguém, mas nos últimos anos vi o Gio se tornar o pilar que sustentava muita coisa, no acidente do Hayden não foi diferente. Mas quando eu cheguei lá vi na hora o quanto ele estava sofrendo e precisava de mim e ele chorou sim, sem ninguém mais ver.
no fim vc não precisou nem parar o mundo nem o sentimento ne diva
Quem diria? Eu mesma não, acho que tive muita sorte.
se a stella te pedisse dinheiro emprestado vc emprestaria? sinceridade absoluta! vc gosta do menino engraçadinho e tagarela que anda sempre com ela? vc já escutou a banda dela? seria meio engraçado ne se ela escrevesse uma música inspirada em vc e em como vc era franga com a tomika
Pior que sim e já emprestei várias vezes só peço para ela nunca me contar com o que está gastando porque tem coisas que é melhor nem saber. O Zeki?! Ele é muito engraçado, eu adoro a cara que ele faz quando diz algo que deveria ser segredo. E claro que já escutei a banda deles, eles são muito bons, acho que vão fazer muito sucesso. Isso é exatamente o tipo de coisa que a Stella faria e eu ia fazer o quê, né? Odiar cada segundo, fazer a Tomika me prometer que não ia falar nada sobre e depois falar para a Stella que amei, mas ia abraçar ela apertado do jeito que ela odeia.
diva tipo assim sei q fazem muitos anos e vc já deve ter perdoado até pq bobagem ne mas como foi pra vc quando a lawan finalmente ficou com a drew?
Eu achei que não ia durar muito, para ser sincera, que ia ser mais um dos lances passageiros da Lawan, mas fico feliz por ela que não foi assim. Elas dão muito certo.
giu o que vc acha sobre ser tia? laços familiares importam mais na prova de ponto? vc é mais tia do que a tomi?
Eu adoro ser tia apesar de dois dos meus sobrinhos não terem me escolhido para ser madrinha deles, algo que um dia irei superar. Mas ter crianças que você ama muito e não são suas é um sonho. Vamos lá, estou bem vendo que você tá querendo me arrumar problema com a minha mulher, mas vê: faz sentido eu falar que a Tomi é mais tia da Olivia do que eu, não acha? A Gia é amiga dela e sempre foi. Agora com os loirinhos apesar de a Kath ser a mãe deles, eu sou irmã GÊMEA do pai deles, então meio que eu ganho aqui.
de 0 a 10 na escala gag quao gagged vc ficou quando o gio te contou que seria pai pela primeira vez?
10 de 10, achei uma loucura sem fim.
vc n acha meio loucura o seu irmão ter tido TRÊS filhos? sendo dois deles um hayden e uma stella?
Acho! Eu vivo falando isso para a Tomika, principalmente quando ela questiona se a gente deveria mesmo fazer tal coisa ou comprar aquilo outro. Olhe ao redor, meu amor, a gente pode tudo. Nós vamos envelhecer sem um cabelo branco e o Gio já tá cheio, é porque ele é loiro ai não aparece tanto...
o que vc acha da namorada da stella? é namorada mesmo? vc já conheceu ela? vc acha normal a stella ter impedido vocês de conhecerem ela por tanto tempo? vc acha normal a stella invadir sempre sua casa pra comer bolo?
Pelo que eu entendi não é namorada ainda? Mas nunca dá para saber de nada com certeza sobre a vida da Stella. Conheci, com muito esforço, e ela é uma querida!
Para ela? Tudo isso é bem normal sim. Para ser sincera, acho que se ela pudesse esconder a Hui de todos nós e dizer que ela é uma órfã perdida sem família, ela preferiria.
na sinceridade total giulinda de todos os sobrinhos e sobrinhas que você tem qual seu favorito(a)?
Olha, eu sei que é antiético, mas eu acho que pior seria não dizer a Stella sendo que ela tem a chave da minha casa, sabe?
i want to run my fingers through your hair and tell you i’ve never done this before with someone like you | giutomi
@tomikandrews
“By the way, you can not criticize anything about this hot chocolate, ok? I don’t own a coffee shop like someone might,” Giulia se antecipava, segurando duas canecas de chocolate quente em suas mãos. “É como minha mãe fazia pra gente e eu vou sim jogar neve na sua cama enquanto você dorme se não gostar.” Avisou mais uma vez, sua voz firme mas falhando em esconder o fundo divertido em seu timbre. Admitiria que não foi sua melhor ideia fazer aquela bebida para a dona de todas as coisas gostosas que já tinha provado, porém estava com frio e queria fazer algo para Tomika enquanto todos ainda esquiavam e elas tinham um pouco de paz.
Rindo, Tomika revirou os olhos. “Eu ainda nem experimentei o chocolate e não só você acha que não vou gostar como acha que vou criticar?” Perguntou com diversão, esticando sua mão para poder segurar a caneca azul. “Você sabe que se jogar neve na minha cama eu vou simplesmente ir dormir com você, não sabe?” Talvez precisasse criticar a bebida quente só para ter uma desculpa válida para dormir ao lado da loira - era uma opção interessante. “Mas sério, obrigada por isso, meu bem.” Procurou os olhos de Giulia, dando uma piscada pra ela e se afastando um pouco para que ela pudesse sentar ao seu lado.
“O que você quer que eu diga? Você é cheia de gracinhas,” disse em uma acusação. “É um sacrifício que eu estou disposta a fazer.” Levantou seus ombros como se fosse realmente muito árduo o ato de dividir uma cama com Tomika, como se não estivesse sentindo falta de fazer exatamente isso. Giulia sentou-se ao lado da morena, sorrindo para ela e balançando sua cabeça para dizer que não era nada demais. E isso era uma mentira, não era? Porque Giu não era tão cuidadosa com ninguém que não seu irmão e definitivamente nunca havia sido com ninguém que estivesse envolvida de alguma forma. Geralmente, não poderia se importar menos e com Tomika… se importava demais. Baixou os olhos para a caneca em suas mãos, tomando um gole lento. “Então? Bom?”
"Faz parte do meu charme," deu de ombros, assoprando um pouco seu chocolate quente, pois sempre que tomava cedo demais acabava por queimar sua língua. "É? Pois saiba você que gosto de abraçar enquanto durmo, então esteja logo avisada." Será que não poderia ela mesmo inventar qualquer desculpa esfarrapada para ir dormir com Giulia? A loira saberia na hora sua mentira, mas estava disposta a passar por isso por algumas horas de sono ao lado dela. Com cuidado, tomou um bom gole do chocolate quente, fazendo um som de aprovação no fundo de sua garganta. "De verdade? É um nove sólido. Você já pode inclusive trabalhar lá no café comigo... ou será que é mais correto chamar sua mãe? A receita é dela no fim do dia."
“Eu já dormi com você uma vez, lembra?” Numa noite um tanto confusa e inesperada, logo depois de terem dividido uma banheira. A lembrança era tão quente quanto a caneca em duas mãos. “Minha avó então, ela que é a grande mente por trás.” Sorriu carinhosamente, depois assoprou o chocolate quente. “Ela é uma mulher muito fina, sabe? Minha avó. Nem sempre ela teve dinheiro, mas sempre fez questão de só comer ou beber o que achava muito bom.” Gostava muito dela, lembrava bem de como desejava ter a postura da mais velha quando era criança. “Ela é a maior fã de chás da história também.” Erva cidreira, boldo, canela… ela tinha todo um arsenal. “Toda vez que a gente vai lá ela oferece uma xícara de chá pra mim e pro Gio, desde que a gente era pequeno.” Tomou um gole demorado, quase conseguindo escutar o ‘querem chá?’ de sua avó. “A gente nunca aceitou, claro.” Riu um pouco, finalmente voltando a olhar para Tomika. Giu gostava muito de contar histórias, era um dos motivos que tinha a atraído até o jornalismo, a arte de contar algo a alguém. E ali, olhando para a morena, tinha uma espécie de epifania e poderia jurar que quase conseguia tocar um pedaço de sua história com seus dedos.
“Como eu poderia esquecer?” Devolveu tranquila, tomando mais um gole de seu chocolate quente e sentindo mais um sorriso se formar em seu rosto. Escutou com carinho enquanto Giulia falava da avó, um morno envolvendo seu corpo que com certeza não provinha somente da bebida quente que consumia. Conseguia imaginar uma Giulia pequena, com os pés sem alcançar o chão numa cadeira de madeira, ouvindo a avó falar sobre a vida e tomando um chá; a careta que Giulia fazia ao negar o chá Tomika também conseguia ver bem. “Sua avó parece ser encantadora,” disse com um sorriso, passando suavemente os dedos de sua mão livre nos fios loiros de Giulia. “Deve ser de família,” piscou. “E eu entendo porque nunca aceitou chá quando era criança, mas qual sua desculpa pra não aceitar nos dias de hoje?”
“Ela é o máximo,” concordou, seu rosto se inclinando em direção à mão de Tomika em seus fios. “Hábito, eu acho.” Sua mente divagava, ponderando sobre a pergunta da outra. “É tão fácil só repetir uma coisa que você sempre disse.” Giulia apertava a caneca em suas mãos como se precisasse daquela dose extra de calor para controlar a energia que sentia crescer dentro de si. “Sabe,” começou devagar tentando tirar algo que parecia estar preso em sua garganta, “eu já namorei dois caras e acho que nunca gostei de nenhum deles.” Continuava olhando para a bebida em suas mãos, se lembrando de outras diversas coisas que fazia por hábito - ou ainda, por medo. “Acho que eu nunca gostei de nenhum homem assim.”
Tomika somente murmurou em concordância, seus dedos ainda deixando um carinho singelo entre os cabelos de Giulia. Ela era boa em falar demais, todo mundo lhe dizia isso. Mas seu verdadeira talento, pensava, era saber quando escutar. Tomou um gole de seu chocolate quente, enquanto observava Giulia com atenção e cuidado. Depois de um tempo, deixou a caneca sobre a mesa, se aproximando da loira de forma tranquila. “Hábito, eu acho,” repetiu o que ela disse, um sorriso suave em seu rosto. Sem precisar pensar muito, apoiou uma de suas mãos no joelho esquerdo de Giulia, nem que fosse pra ela saber que Tomika estava ali; Tomika entendia. “Talvez você só precise aceitar o chá da sua avó numa próxima vez que ela te oferecer. Ou talvez, se você achar que é o correto, você pode negar novamente, tenho certeza que ela não vai se importar. Você só precisa saber que é uma escolha sua.”
Desde o primeiro dia, estar ao lado de Tomika era um tanto estranho. Seus sentidos se bagunçaram imediatamente, seu mundo pareceu expandir e todas suas certezas se transformaram em grandes dúvidas. No entanto, maior do que tudo isso, estar ao lado dela era estranhamente bom. Confortável, engraçado, tranquilo. Claro que tinha pensado nela ao lembrar do chá que sua avó fazia, do chocolate quente que bebia, tudo isso a deixava morna por dentro. “Acho que vou aceitar mesmo, algo me diz que vou gostar.” Sorriu para ela, seus olhos escondendo a verdade em suas palavras e achava que Tomika entendia. Será que ela sabia o quão importante para Giulia era ter o apoio dela? A mão em seu joelho, seu tom reconfortante, ela ali, simples assim. Giu esticou-se para também deixar sua caneca sobre a mesa de centro, tentando não afastar a mão da morena com seu movimento. “Obrigada,” uma de suas mãos encontrou a da outra, levantando-a até os nós dos dedos de Tomika encontrarem seus lábios e então depositar um beijo em sua pele. “Você sabia?” Sua outra mão agora prendia alguns fios morenos atrás da orelha da outra, se demorando sobre os fios.
O sorriso que Tomika abriu ao escutar as palavras de Giulia só era equivalente a sensação morna que tomava cada espaço de seu corpo. Era como um vulcão, mas no lugar de explodir e jogar lava e fumaça pra todo lado, sentia que aos poucos ia se derretendo, se moldando a terra como a leva fazia ao escorrer lentamente de sua origem. Era irônico, porém significativo, que no meio de toda aquela neve o que lhe esquentava era o sorriso de Giu, suas palavras doces, seus toques suaves. O chocolate quente ajudava, claro, mas não era o principal. Deixou um carinho sobre a perna da loira, o beijo em sua mão lhe causando vontade de gritar e rir ao mesmo tempo. “Sim,” respondeu suave, sua mão livre tomando a mão de Giulia que antes estava em seu rosto. “Não necessariamente que eu gostava de mulheres, mas que com certeza não gostava de homens.” Riu baixo, brincando com os dedos da loira enquanto deitava a cabeça contra o estofado do sofá. “Algumas coisas a gente sabe, outras a gente descobre no meio do caminho.” Algumas a gente entende no meio de dezembro, com a neve caindo do lado de fora e um mundo inteiro compartilhado entre duas pessoas.
Pequenas coisas podiam se tornar coisas imensas; como um trabalho da faculdade, uma conversa despretensiosa acabar mudando todo o curso de sua vida. Efeito borboleta. Giulia gostava muito do filme, mas nunca achou que viveria algo assim. No final, o que precisava acontecer sempre acontecia. Se você ama o que você ama ou vive em incessante revolta contra isso, o que você ama é o seu destino. Lembrava-se bem de ter lido isso em algum lugar quando nenhuma daquelas palavras faziam sentido para ela. E Giulia não estava dizendo que amava Tomika, não iria tão longe assim ainda, mas encontrá-la parecia seu destino. “You’re pretty obvious too.” Brincou, rindo enquanto seus dedos ainda se perdiam nos fios ao redor do rosto dela. “Eu quis dizer se você sabia que eu não sabia.” Fugiu do olhar de Tomi, a vulnerabilidade sempre lhe causava vergonha. “Você é, na verdade, a primeira mulher com quem eu tive qualquer coisa.” Giu pensou em levar aquela verdade consigo para sempre, mas era difícil não querer contar todos os seus segredos a Tomika quando você olhava para ela.
Tomika apertou os olhos na direção de Giulia, uma expressão engraçada em seu rosto. "What's that supposed to mean, huh?" Existia sempre um ar de implicância entre elas, como se a linha da sobrancelha levantada de uma estivesse diretamente ligada ao fio do riso da outra. Não conseguia imaginar fazendo aquilo com mais ninguém e o pensamento, embora imenso, não assustou Tomika. Ela abriu a porta pra ele e o deixou entrar, se acomodar no sofá e até ofereceu um chá. Ninguém é o que sente e sentimento algum no mundo era particular, mas Tomika lidava com as coisas de peito aberto, uma serenidade que nem sempre lhe era amiga, mas até ali não tinha reclamação alguma. Olhou para Giulia, de repente muita coisa fazendo sentindo em sua cabeça. O jeito que ela fugia e voltava, dizendo que estava tudo uma bagunça e não poderiam ter nada. Tomika não era de julgar e não tinha se adentrado muito sobre o assunto, mas deixou um beijo suave na mão da loira como se dissesse que estava tudo bem. "É o charme dos Andrews," brincou, tentando deixar as coisas mais leves. "Devo ter deixado as coisas bem confusas pra você, imagino. Desculpe por isso, meu bem."
“You know exactly what I mean.” Riu com a expressão de Tomika, a indignação dela sempre provocava um riso frouxo em si. Particularmente era muito fã de toda reação que provocava nela como se cada pequena interação entre as duas fosse um presente. Poderia fazer isso por toda sua vida, irritá-la, brincar com seus fios, morder para depois assoprar… tornar cada pequena coisa algo exclusivamente delas. Giulia tinha descoberto que era muito boa em fugir, mas não em fingir afinal esconder-se era bem mais fácil que mentir e a loira estava fatalmente ligada a verdade. Por isso sempre acabava admitindo o que a assustava, principalmente quando quem escutava era alguém de olhos tão bonitos e penetrantes. “You’re insufferable.” Revirou seus olhos, puxando sua mão de volta para si. “Um pouco,” era verdade, “mas acho que o problema era mais eu do que você de qualquer forma.” Assentiu devagar mais para si mesma, tinha dado tantas voltas até chegar ali e apesar de ter tentado culpar Tomika pela dificuldade em entender o que passava em sua mente agora sabia que era ela mesma a responsável por toda confusão. “Eu não tenho problema nenhum mais, se quiser saber.” Voltou a olhar para a imensidão castanha que sempre a engolia e entendia tantas outras coisas agora. “Com você talvez um pouco,” implicou porque sempre implicaria com ela, “mas não com isso aqui.” Deixou que seus dedos se enrolassem nos de Tomika mais uma vez. Não fugiria mais, era o que Giulia estava tentando dizer, ainda tinha muitos medos mas estava disposta a enfrentá-los.
Talvez Tomika soubesse mesmo, ela era boa em saber de muitas coisas. As coisas que ela mais gostava, no entanto, era justamente as que ainda não sabia, que ainda iria aprender. E Tomika gostava muito de descobrir novas coisas. Como tons diferentes de dourado, castanho. O som novo de uma risada, de uma súplica. Como a sensação de uma pela morna sob seu toque, de olhar para alguém e sentir uma vontade inexplicável de estar perto. Giulia era muitas coisas, um mundo que Tomika não conhecia, mas que gostaria muito de descobrir, de mergulhar.
Assim que Giulia tirou a mão da sua, Tomika sentiu falta do toque dela. Não falou nada porém, somente observando a loira, sentindo que tudo era extremamente grande e ao mesmo tempo insignificante se comparado aquele singelo momento que elas dividiam em um sofá. Agora que Giulia tinha colocado tudo pra fora, era muito fácil de entender tudo e Tomika se sentiu até um pouco mal de tornar tudo tão difícil para a loira. “Eu já acho que você tem vários outros problemas,” replicou naturalmente, um sorriso já presente em seu rosto. E se Tomika fosse mesmo um problema, coisa que ela pensava ser, queria então poder ser o problema de Giulia — soava bem, não? Apertou a mão da loira, aliviada de ter aquele toque pra si novamente. Voltou sua mão livre para o rosto dela, um carinho deixado na pele bronzeada. “De todas as ondas que você já surfou nessa vida duvido que essa tenha sido a maior delas. Mas estou orgulhosa de você de toda forma.”
O ano novo nem havia chegado de fato e Giulia já se sentia uma pessoa totalmente nova. Tinha enlouquecido, era verdade, ainda não entendia como um buraco não havia surgido no chão de seu quarto depois de andar tanto em círculos lá. Mas ela estava bem agora, finalmente estava bem. E era verdade também que sua loucura tinha tudo a ver com a morena a sua frente, mas seu reencontro consigo mesma também tinha. Sentia que a cada bolo, toque, palavra compartilhados com Tomika era um passo em direção a quem deveria ser, a quem sempre tinha sido. Giulia queria se descobrir além daquele ponto, queria descobrir sobre Tomika e as vezes queria descobrir ela. Não conseguia imaginar seus dias sem que ela estivesse lá.
“Acho que você é o maior dos meus, parando para pensar.” E murmurou um “ridícula” rindo baixo. Imagina não gostar da aventura? Não surfar uma onda porque sente muito medo dela? Imagina não conseguir chegar no ponto mais alto do seu medo e depois mergulhar feliz pela coragem? Tomika era sua onda e também a prancha que a guiava tranquila sobre toda e qualquer água. Giulia nunca tinha gostado de quando o mar estava calmo demais, não era divertido. Que bom que sempre se sentia em movimento quando estava com ela, que bom que s coisas tinham sido exatamente como foram. “A maior não, mas acho que a mais importante.” Seu tom era ameno, seus dedos deixando um carinho sobre os dela, seus olhos focados onde a pele delas se tocavam. Um dia conseguiria colocar em palavras melhores e mais bonitas tudo o que sentia. “Dorme comigo hoje, tenho certeza que suas amigas conseguem se ocupar.”
Às vezes um momento que parece tão simples, tão pequeno, consegue mudar o rumo de tudo. Tomika não saberia dizer, não ainda, mas aquela tarde fria, porém incontestavelmente morna, dividindo um sofá verde com Giulia parecia ser exatamente aquilo. E não era demais, ao mesmo tempo que era tudo, era engraçado assim. Dividir momentos com a loira tinha sido assim desde o começo, incansavelmente paradoxal, incrivelmente bom e não parecia que mudaria tão cedo - Tomika esperava que não.
"Assim você infla meu ego, sabia? Que honra." Colocou uma mão no peito, seu tom implicante como sempre presente. Mas parando pra pensar, não era realmente? Ah, ser chamada de ridícula pela garota que você gosta... que honra. Era bom esse sentimento que compartilhava com Giulia, de darem os passos juntas, sem precisar ter pressa e sabendo que a outra estaria bem ali segurando sua mão. Fazia muito tempo que Tomika não sentia nada sequer parecido e ela fez uma nota mental de agradecer Giulia qualquer dia. "Sweet talker," replicou tranquilo, um sorriso em seu rosto. "Em falar nisso, você ainda me deve umas aulas de surfe no verão, não pense que esqueci." Não que Tomika já tenha sequer chegado perto de uma prancha, mas era o pensamento que importava. Murmurou baixo, se ajeitando para se esticar no sofá e deitar sua cabeça no colo de Giulia. "Não é como se minhas amigas não estivessem super ocupadas com os queridos delas." Na verdade tinha quase certeza ter visto Gia se esgueirar de noite pra dentro do quarto que Icarus estava ficando, mas ela podia estar sonhando. "Mas claro, amor, não é como se você precisasse pedir. Eu tenho uma condição, porém! Você tem que me deixar dormir abraçada com você."
Giulia balançava sua cabeça, um sorriso incrédulo em seu rosto enquanto escutava o tom implicante de Tomika e pensava como ela, com aquele mesmo timbre, tinha virado sua vida de cabeça para baixo, a deixado maluca e com uma vontade incansável de saber tudo o que ela pensava. De recusar o chá de sua avó a aceitar que fluía toda vez que via o sorriso da mulher a sua frente, depois que todas as metáforas acabavam sobrava Giulia e Tomika num sofá verde, juntas, e isso bastava.
“Não pense você que eu não estou contando os dias para o verão chegar e te ver em cima de uma prancha.” Suas duas coisas preferidas juntas? Poderia até sonhar com essa exata cena todas as noites. “E você me deixando dormir só todos esses dias…” Reclamou com os dedos já perdidos entre os fios escuros de Tomika. “Nesse frio ainda.” Era um pecado realmente. “Hmmm, acho que posso fazer esse sacrifício.” Fingiu pensar por mais tempo do que o necessário, mas quando respondeu já estava próxima o bastante para deixar um selar sobre os lábios da outra. “Não vou te deixar sair de lá nunca mais, espero que entenda os riscos.”
"Está ansiosa pra me ver de bíquini, Giulia Scatorccio?" Levantou as sobrancelhas, um sorriso zombeteiro em seu rosto. Tomika gostava bastante de ir a praia, mas o fazia menos do que gostaria. Não tinha problema, no entanto, algo lhe dizia que passaria a frequentar bastante o oceano ao lado de Giulia. "Você nunca me chamou," disse displicente. "E era só invadir minha cama também. Eu te reconheceria mesmo dormindo." Parando pra pensar, talvez devesse mesmo ter ido até o quarto de Giulia. Apesar da manta quentinha de sua cama, tinha certeza que o calor do corpo da loira teria a aquecido muito melhor. Sorriu, encontrando o rosto de Giu com sua mão e a mantendo perto o suficiente para roubar outro beijo - gostava muito daquela proximidade. "Não se preocupe, já vou chegar no seu quarto de mala e tudo. Não tenho vontade nenhuma de sair de perto de você."
“Ou pra te ver caindo da prancha repetidamente, um dos dois.” Brincou, apertando seus olhos para a amorena a sua frente. É claro que Giulia não dispensaria a visão de Tomika em um biquíni, sabia bem que tal imagem provavelmente a visitaria quando estivesse dormindo. “E preciso chamar, Tomika? Achei que você fosse uma mulher de atitude.” Era engraçado pensar que qualquer atitude dela teria causado um surto psicótico em si se fossem semanas atrás. “You’re such a sweet talker,” revirou seus olhos, mas sorriu logo depois sentindo um morno em seu peito. Poderia passar todos os segundos de seus dias ouvindo as palavras de Tomika e nunca se cansaria. “Me parece uma boa combinação então. Eu não te deixo sair e você não vai embora.” Deixou um beijo sobre a bochecha da outra e finalmente já não se sentia presa a algo que não podia controlar, mas animada com a incerteza de conhecer alguém que a fascinava.
@scargiulia
Gio terminou de ajeitar suas coisas e foi pra sala, encontrando Giulia sentada no sofá sorrindo pro celular. Se não estivesse nervoso teria falado algo, mas nada disse. Ele foi pra cozinha e voltou e fez isso mais três vezes até se jogar no sofá ao lado de sua gêmea. Pegou seu pandeiro e batucou seus dedos algumas vezes até solta-lo na mesa de centro e respirar fundo. “Tenho uma parada pra te falar.” Arrancou o band-aid de uma vez, emendando logo em seguida: “Tu vai ser tia.”
Giulia ainda tentava descobrir como era possível sentir falta de alguém que tinha visto há pouco tempo ou como era difícil simplesmente não mandar mensagem ou não sorrir para a tela de seu telefone enquanto falava com Tomika. “An?” Tinha escutado o pandeiro de fundo, mas não tinha dado muita atenção. “Do que é que você tá falando?” Jogou seu celular no sofá, agora encarando Gio com uma expressão confusa.
Ah, ótimo. Gio ia ter que repetir. “Tu vai ser tia.” Disse mais uma vez, como se repetir a mesma frase fosse o suficiente para que sua irmã o entendesse. Não olhava pra ela ainda, sua atenção no pandeiro a sua frente. A verdade é que sua ficha não tinha caído completamente e só ali falando com Giulia é que começava a entender a grandiosidade da coisa. “A Kath tá grávida.” Passou a mão pelos fios loiros, finalmente encarando a irmã.
Giu achou estranho que Giorgian não olhava para ela e parecia meio pálido, ele estava ficando melhor em mentir pra ela. “Ah, sai fora, Gio.” Empurrou o ombro dele, até parece que ela ia cair na pegadinha mais velha de todos os tempos. “Até parece.” Era cada uma, sério. E ela tinha jogado seu celular longe pra isso?!
Giorgian fez uma careta, novamente passando seus dedos pelos fios loiros e afundando o rosto nas mãos. Tinha jogado seu boné longe há muito tempo. Na verdade, estava evitando usar pois tinha lido um post na internet sobre bebês não reconhecerem os pais ou qualquer besteira assim. E ele ia ser pai. Meu deus, ele ia ser pai. “Giulia,” resmungou, tirando o rosto das mãos e olhando pra ela. “Tô falando sério. Lembra que a Kath tava vomitando e os caraí e ai a Laura brincou que ela tava grávida? Eu comprei uns cinco testes pra ela e ela fez… todos deram positivo.”
Ela já estava pegando seu celular de novo para contar pra Tomika a nova gracinha de seu irmão gêmeo quando escutou ele respirar fundo, cansado. Então Giulia encarou Giorgian e procurou qualquer sinal de que aquilo fosse mesmo uma brincadeira e não achou. “Ela não tinha comido não sei o que estragado?” Kath tinha repetido isso pelo menos mil vezes durante a viagem e Giulia não tinha motivo nenhum pra pensar que Laura estivesse certa. “Você tá de sacanagem!” Exclamou, dessa vez mais apreensiva. Cinco testes?! E todos positivos?! “Giorgian!”
Gio riu, balançando a cabeça. “Não tinha nada estragado ali! E todo mundo concordou que só quem sabia cozinhar ia fazer comida, é só que ela é muito teimosa e jurou que era culpa do James, Sirius e Remus.” Kath era assim, era isso que era maluco e encantador nela na mesma medida. “Só que ela não melhorava e eu fiquei preocupado! E agora descobri que vou ser pai!” Se levantou do sofá num pulo, meio que como se só percebesse agora. “Já tem nome se for menino, mas eu tô torcendo por uma menina.”
Giulia piscou duas vezes, tentando juntar os pontos em sua cabeça. Kath estava passando mal porque estava grávida. Do irmão de Giulia. Que ia ser pai. E ela ia ser tia. Porque a namorada dele tá grávida. “Como assim já tem nome se for menino? Você tá ficando maluco, Giorgian?” Giu se levantou também, olhando ao redor para ter certeza de que não tinha entrado numa realidade paralela. “Vocês namoram a o quê? Três dias? Porra, Giorgian.” Meu deus, ele tinha ficado doido, tinha alguma coisa na água daquela cidade que deixava pessoas loiras doidas. “Você vai ser PAI? Vai ter uma criança? SUA?”
Gio riu mais uma vez, passando as mãos pelos cabelos e andando em círculos em volta da mesa de centro — ele com certeza estava ficando maluco. “Você quer que eu faça o quê, meu deus? É minha namorada! E ela tá grávida! E ela quer ter o bebê e eu acho que eu quero também!” Por isso estava ficando maluco mesmo, mas qual era o problema em ser pai? “Seis dias na verdade…” corrigiu limpando a garganta, olhando pela janela e de repente desejando que fosse verão — quem sabe assim poderia ir surfar e espairecer um pouco a cabeça. “Sim e sim.” Se jogou de novo no sofá, se afundando em seu casaco.
Giulia reconhecia bem até demais aquela cena e se não estivesse tão nervosa talvez teria rido, eram mesmo irmãos gêmeos no final das contas. “Sei lá!” Melhor era que não tivesse feito um filho, mas agora realmente o que ele podia fazer? “Nossa, seis dias é tããão melhor.” Seis dias. E um filho. Jesus. “Giorgian…” murmurou mais uma vez, encarando a figura inquieta de seu irmão. Aquilo devia ser difícil, pensou, ser pai naquela idade num relacionamento que mal tinha começado. “Como… como você tá se sentindo?” Sentou do lado dele, respirando fundo para se acalmar. Talvez só precisasse estar do lado dele agora. Mas que era loucura, era.
Era uma excelente pergunta, mesmo, porque Gio não fazia a menor ideia do que estava sentido. Era um amontado de coisas. Encostou a cabeça no sofá, olhando pra quem melhor lhe conhecia nesse mundo inteiro. “Pô te falar… não sei,” e riu, cruzando os braços. “Não sei, tô assustado pra cacete. Mas ela tava tão nervosa que eu tive que manter a calma pra ajudar, tá ligado? Ela chorava e depois ria e depois queria me bater, o que é normal, mas sei lá. Mas não sei, eu tô… feliz também, animado. Fico imaginando eu carregando um bebê loirinho por aí e pô… sei não, mas quando penso em criar um bacurim com ela… sei lá, doideira.” E abriu um sorriso feliz, sincero. “I love her, you know.”
“Você fez bem em manter a calma com ela, mas sabe que pode falar comigo, né? É normal tá assustado, porra, eu tô assustada e nem vou colocar meu nome em certidão de nascimento nenhuma.” Olhou com carinho para Gio, apesar de tantas preocupações rondarem sua mente ao mesmo tempo. “You love her?” Levantou suas sobrancelhas, não conseguindo evitar o sorriso que apareceu em seu rosto. “Nice. That’s a good place for a child to be from.” Assentiu com cuidado, pelo menos seu irmão iria viver aquilo com amor. Já era um começo. “Não é querendo mijar nesse momento bonito, mas você sabe que a mãe vai te matar, né? Quer combinar como você quer contar pra eles?”
“Vai achando, minha querida! Você vai ser madrinha de todas as minhas crias e vou ter um filme inteiro de futebol só pra você cuidar pra mim de vez em quando.” Implicou, se sentindo mais leve só de poder dividir aquilo com Giulia. “Don’t act so surprised,” falou com um sorriso, empurrando o ombro contra o dela. “E não pense que eu não vi esse seu sorrisinho pro celular. Eu sei com você tava falando, Giulieta!” Ao ouvir sobre sua mão Gio murchou, se afundando ainda mais no sofá. “Porra, me fudi! Bem que o pai podia firmar essa pra nós. Vou chegar e falar assim: parabéns vocês vão ser avós! Vai ser sucesso.”
“O resto quando tiver trinta, beleza?” Repreendeu, já rindo da mudança rápida de expressão do outro. “A gente tá falando de você agora, nem vem.” Empurrou ele de volta, mas só de pensar em Tomika estava sorrindo de novo. “Terrível. Eu vou começar essa conversa, beleza? A gente vai contar que você tá namorando, falar todas as qualidades que você conseguir pensar da Kath, não vai dizer que ela é doida, mas pode falar que ela é loira, acho que eles vão gostar, e aí depois que eles já estiverem felizes por você a gente conta.”
Gio esticou a mão na direção de Giulia, algo que eles sempre faziam. “Não posso prometer nada, mas vou tentar,” disse rindo. “Que papinho! Você acha que eu não vi você agarrada nela a viagem toda? Maior grude pô!” Ficava feliz só de ver a irmã mais leve e com o sorriso típico no rosto. “Mas fico felizao por você, irmã, ainda mais depois de tudo.” Concordou, já listando tudo que poderia falar sobre a namorada — só teria que deixar de fora a parte do pai dela ser do FBI ou coisa assim. “Beleza, consigo fazer isso. Mas assim falar que ela é doida é parte do charme dela! Mamãe vai ter que aceitar, não tem jeito, vai ser uma avó bonitona! E já consigo ver nosso coroa carregando uma criança nos braços, coisa linda.”
“Vou te comprar duas caixas de camisinha.” Segurou a mão dele, logo a apertando mais do que o necessário. “O que tem? Não posso viver?” Deu de ombros como se aquilo não fosse nada demais, sendo que era o completo oposto. “É, eu também.” Assentiu, pelo menos sua loucura havia terminado. Por hora ao menos. “Você sabe que eu gosto da Kath, mas eles não vão querer saber que a mãe do seu filho é doida!” Esse menino tinha cada ideia. “Ai, fico tão feliz que agora eu voltei a ser a pessoa mais sã dessa família, obrigada por ser um jumento.” Sorriu, deixando alguns tapinhas sobre a cabeça de Giorgian. “Qual que é o nome que vocês já escolheram?”
Apertou a mão de Giulia de volta, logo ficando ofendido. “A gente usou camisinha!” Rebateu exasperado, de repente se lembrando daquele fato e voltando a sentir a indignação. “Oxi e eu falei isso? Não falei! Só achei bonitinho pô, você fica toda baitola.” Riu se lembrando de algumas cenas que tinha presenciado. “É, tá, você tem um bom ponto. Mas o papai vai ficar de boa, o problema mesmo é a mamãe… ainda vou ter que ouvir piada do tio Gabriel depois,” resmungou, já sentindo cansaço. “Ou! Me respeita! Você foi pra um retiro espiritual, Giulia! E deus sabe mais o que você fez…” sorriu de novo, se lembrando da conversa com Kath. “Hayden! Se for menino, mas se for menina a gente ainda não sabe.”
“Deve ter usado sim.” Debochou, balançando sua cabeça. Já até começava a achar a situação quase engraçada. “Fico nada.” Tentou negar, mas sua bochecha até doía do esforço de estar sempre sorrindo ao lado da morena. Era tudo muito diferente e tudo muito bom. “Nossa, o tio Gabriel vai encher seu saco por meses.” Riu, já conseguindo imaginar seu tio aproveitando todas as oportunidades possíveis para brincar com Giorgian. “E você vai ser pai e ainda tá na faculdade, bonitão. Além do mais, já voltei a ser normal e a mãe e o pai acham que eu só fui fazer uma viagem.” Seu surto esquizofrênico tinha passado batido, mas uma criança não conseguiria fazer o mesmo. “Hayden é nome de criança que dá trabalho, mas não dá nada não porque vai ser uma menina.”
Gio decidiu ignorar a resposta da irmã pelo bem de sua saúde mental - já estava praticando para quando fosse pai. "Fica não pô, imagina. Tu só tava ai igual besta rindo pro teu celular só faltava balançar os pés." Bagunçou os cabelos de Giulia num gesto implicante, porém de carinho. Estava realmente feliz por ela, especialmente depois de tudo. "Vou fingir que não é comigo," deu de ombros, se lembrando de algo. "Tu tá lascada também. Deixa só tia Marianne saber dessa teu romance quente com outra mulher. Aliás, tu vai contar pros coroa?" Já imaginava a mãe comprando uma bandeira para dar pra Giulia. "E você acha que alguma criança saída da Kath não vai dar trabalho? Tô treinando já."
“Eu não fiz nada disso.” Sabendo muito bem que tinha feito. “E você nem sabe se eu tava falando com a Tomika,” respondeu, arrumando os fios que Giorgian havia bagunçado. “Ai, ela vai até gritar de tanta emoção, já tô vendo tudo.” Escondeu o rosto em suas mãos por um segundo, Giulia já achava que tinha tornado tudo aquilo muito maior do que precisava ser. “Não sei ainda. Tipo, tenho que contar, né? Mas acho que queria enrolar mais um pouco.” Deu de ombros. Ficava feliz de finalmente entender mais sobre quem era e ainda mais por tudo que estava vivendo com Tomika, mas sentia que não saberia lidar com a reação de mais ninguém. “Posso contar quando você falar que vai ter um filho aí eles se dividem no que comentar primeiro.” Nem isso ajudaria Gio, suspeitava. “E saída de você também, lembro de tudo que você aprontava quando criança.” Riu, ainda achando tudo muito insano.
@scargiulia
Gio terminou de ajeitar suas coisas e foi pra sala, encontrando Giulia sentada no sofá sorrindo pro celular. Se não estivesse nervoso teria falado algo, mas nada disse. Ele foi pra cozinha e voltou e fez isso mais três vezes até se jogar no sofá ao lado de sua gêmea. Pegou seu pandeiro e batucou seus dedos algumas vezes até solta-lo na mesa de centro e respirar fundo. “Tenho uma parada pra te falar.” Arrancou o band-aid de uma vez, emendando logo em seguida: “Tu vai ser tia.”
Giulia ainda tentava descobrir como era possível sentir falta de alguém que tinha visto há pouco tempo ou como era difícil simplesmente não mandar mensagem ou não sorrir para a tela de seu telefone enquanto falava com Tomika. “An?” Tinha escutado o pandeiro de fundo, mas não tinha dado muita atenção. “Do que é que você tá falando?” Jogou seu celular no sofá, agora encarando Gio com uma expressão confusa.
Ah, ótimo. Gio ia ter que repetir. “Tu vai ser tia.” Disse mais uma vez, como se repetir a mesma frase fosse o suficiente para que sua irmã o entendesse. Não olhava pra ela ainda, sua atenção no pandeiro a sua frente. A verdade é que sua ficha não tinha caído completamente e só ali falando com Giulia é que começava a entender a grandiosidade da coisa. “A Kath tá grávida.” Passou a mão pelos fios loiros, finalmente encarando a irmã.
Giu achou estranho que Giorgian não olhava para ela e parecia meio pálido, ele estava ficando melhor em mentir pra ela. “Ah, sai fora, Gio.” Empurrou o ombro dele, até parece que ela ia cair na pegadinha mais velha de todos os tempos. “Até parece.” Era cada uma, sério. E ela tinha jogado seu celular longe pra isso?!
Giorgian fez uma careta, novamente passando seus dedos pelos fios loiros e afundando o rosto nas mãos. Tinha jogado seu boné longe há muito tempo. Na verdade, estava evitando usar pois tinha lido um post na internet sobre bebês não reconhecerem os pais ou qualquer besteira assim. E ele ia ser pai. Meu deus, ele ia ser pai. “Giulia,” resmungou, tirando o rosto das mãos e olhando pra ela. “Tô falando sério. Lembra que a Kath tava vomitando e os caraí e ai a Laura brincou que ela tava grávida? Eu comprei uns cinco testes pra ela e ela fez… todos deram positivo.”
Ela já estava pegando seu celular de novo para contar pra Tomika a nova gracinha de seu irmão gêmeo quando escutou ele respirar fundo, cansado. Então Giulia encarou Giorgian e procurou qualquer sinal de que aquilo fosse mesmo uma brincadeira e não achou. “Ela não tinha comido não sei o que estragado?” Kath tinha repetido isso pelo menos mil vezes durante a viagem e Giulia não tinha motivo nenhum pra pensar que Laura estivesse certa. “Você tá de sacanagem!” Exclamou, dessa vez mais apreensiva. Cinco testes?! E todos positivos?! “Giorgian!”
Gio riu, balançando a cabeça. “Não tinha nada estragado ali! E todo mundo concordou que só quem sabia cozinhar ia fazer comida, é só que ela é muito teimosa e jurou que era culpa do James, Sirius e Remus.” Kath era assim, era isso que era maluco e encantador nela na mesma medida. “Só que ela não melhorava e eu fiquei preocupado! E agora descobri que vou ser pai!” Se levantou do sofá num pulo, meio que como se só percebesse agora. “Já tem nome se for menino, mas eu tô torcendo por uma menina.”
Giulia piscou duas vezes, tentando juntar os pontos em sua cabeça. Kath estava passando mal porque estava grávida. Do irmão de Giulia. Que ia ser pai. E ela ia ser tia. Porque a namorada dele tá grávida. “Como assim já tem nome se for menino? Você tá ficando maluco, Giorgian?” Giu se levantou também, olhando ao redor para ter certeza de que não tinha entrado numa realidade paralela. “Vocês namoram a o quê? Três dias? Porra, Giorgian.” Meu deus, ele tinha ficado doido, tinha alguma coisa na água daquela cidade que deixava pessoas loiras doidas. “Você vai ser PAI? Vai ter uma criança? SUA?”
Gio riu mais uma vez, passando as mãos pelos cabelos e andando em círculos em volta da mesa de centro — ele com certeza estava ficando maluco. “Você quer que eu faça o quê, meu deus? É minha namorada! E ela tá grávida! E ela quer ter o bebê e eu acho que eu quero também!” Por isso estava ficando maluco mesmo, mas qual era o problema em ser pai? “Seis dias na verdade…” corrigiu limpando a garganta, olhando pela janela e de repente desejando que fosse verão — quem sabe assim poderia ir surfar e espairecer um pouco a cabeça. “Sim e sim.” Se jogou de novo no sofá, se afundando em seu casaco.
Giulia reconhecia bem até demais aquela cena e se não estivesse tão nervosa talvez teria rido, eram mesmo irmãos gêmeos no final das contas. “Sei lá!” Melhor era que não tivesse feito um filho, mas agora realmente o que ele podia fazer? “Nossa, seis dias é tããão melhor.” Seis dias. E um filho. Jesus. “Giorgian…” murmurou mais uma vez, encarando a figura inquieta de seu irmão. Aquilo devia ser difícil, pensou, ser pai naquela idade num relacionamento que mal tinha começado. “Como… como você tá se sentindo?” Sentou do lado dele, respirando fundo para se acalmar. Talvez só precisasse estar do lado dele agora. Mas que era loucura, era.
Era uma excelente pergunta, mesmo, porque Gio não fazia a menor ideia do que estava sentido. Era um amontado de coisas. Encostou a cabeça no sofá, olhando pra quem melhor lhe conhecia nesse mundo inteiro. “Pô te falar… não sei,” e riu, cruzando os braços. “Não sei, tô assustado pra cacete. Mas ela tava tão nervosa que eu tive que manter a calma pra ajudar, tá ligado? Ela chorava e depois ria e depois queria me bater, o que é normal, mas sei lá. Mas não sei, eu tô… feliz também, animado. Fico imaginando eu carregando um bebê loirinho por aí e pô… sei não, mas quando penso em criar um bacurim com ela… sei lá, doideira.” E abriu um sorriso feliz, sincero. “I love her, you know.”
“Você fez bem em manter a calma com ela, mas sabe que pode falar comigo, né? É normal tá assustado, porra, eu tô assustada e nem vou colocar meu nome em certidão de nascimento nenhuma.” Olhou com carinho para Gio, apesar de tantas preocupações rondarem sua mente ao mesmo tempo. “You love her?” Levantou suas sobrancelhas, não conseguindo evitar o sorriso que apareceu em seu rosto. “Nice. That’s a good place for a child to be from.” Assentiu com cuidado, pelo menos seu irmão iria viver aquilo com amor. Já era um começo. “Não é querendo mijar nesse momento bonito, mas você sabe que a mãe vai te matar, né? Quer combinar como você quer contar pra eles?”
“Vai achando, minha querida! Você vai ser madrinha de todas as minhas crias e vou ter um filme inteiro de futebol só pra você cuidar pra mim de vez em quando.” Implicou, se sentindo mais leve só de poder dividir aquilo com Giulia. “Don’t act so surprised,” falou com um sorriso, empurrando o ombro contra o dela. “E não pense que eu não vi esse seu sorrisinho pro celular. Eu sei com você tava falando, Giulieta!” Ao ouvir sobre sua mão Gio murchou, se afundando ainda mais no sofá. “Porra, me fudi! Bem que o pai podia firmar essa pra nós. Vou chegar e falar assim: parabéns vocês vão ser avós! Vai ser sucesso.”
“O resto quando tiver trinta, beleza?” Repreendeu, já rindo da mudança rápida de expressão do outro. “A gente tá falando de você agora, nem vem.” Empurrou ele de volta, mas só de pensar em Tomika estava sorrindo de novo. “Terrível. Eu vou começar essa conversa, beleza? A gente vai contar que você tá namorando, falar todas as qualidades que você conseguir pensar da Kath, não vai dizer que ela é doida, mas pode falar que ela é loira, acho que eles vão gostar, e aí depois que eles já estiverem felizes por você a gente conta.”
Gio esticou a mão na direção de Giulia, algo que eles sempre faziam. “Não posso prometer nada, mas vou tentar,” disse rindo. “Que papinho! Você acha que eu não vi você agarrada nela a viagem toda? Maior grude pô!” Ficava feliz só de ver a irmã mais leve e com o sorriso típico no rosto. “Mas fico felizao por você, irmã, ainda mais depois de tudo.” Concordou, já listando tudo que poderia falar sobre a namorada — só teria que deixar de fora a parte do pai dela ser do FBI ou coisa assim. “Beleza, consigo fazer isso. Mas assim falar que ela é doida é parte do charme dela! Mamãe vai ter que aceitar, não tem jeito, vai ser uma avó bonitona! E já consigo ver nosso coroa carregando uma criança nos braços, coisa linda.”
“Vou te comprar duas caixas de camisinha.” Segurou a mão dele, logo a apertando mais do que o necessário. “O que tem? Não posso viver?” Deu de ombros como se aquilo não fosse nada demais, sendo que era o completo oposto. “É, eu também.” Assentiu, pelo menos sua loucura havia terminado. Por hora ao menos. “Você sabe que eu gosto da Kath, mas eles não vão querer saber que a mãe do seu filho é doida!” Esse menino tinha cada ideia. “Ai, fico tão feliz que agora eu voltei a ser a pessoa mais sã dessa família, obrigada por ser um jumento.” Sorriu, deixando alguns tapinhas sobre a cabeça de Giorgian. “Qual que é o nome que vocês já escolheram?”
Apertou a mão de Giulia de volta, logo ficando ofendido. “A gente usou camisinha!” Rebateu exasperado, de repente se lembrando daquele fato e voltando a sentir a indignação. “Oxi e eu falei isso? Não falei! Só achei bonitinho pô, você fica toda baitola.” Riu se lembrando de algumas cenas que tinha presenciado. “É, tá, você tem um bom ponto. Mas o papai vai ficar de boa, o problema mesmo é a mamãe… ainda vou ter que ouvir piada do tio Gabriel depois,” resmungou, já sentindo cansaço. “Ou! Me respeita! Você foi pra um retiro espiritual, Giulia! E deus sabe mais o que você fez…” sorriu de novo, se lembrando da conversa com Kath. “Hayden! Se for menino, mas se for menina a gente ainda não sabe.”
“Deve ter usado sim.” Debochou, balançando sua cabeça. Já até começava a achar a situação quase engraçada. “Fico nada.” Tentou negar, mas sua bochecha até doía do esforço de estar sempre sorrindo ao lado da morena. Era tudo muito diferente e tudo muito bom. “Nossa, o tio Gabriel vai encher seu saco por meses.” Riu, já conseguindo imaginar seu tio aproveitando todas as oportunidades possíveis para brincar com Giorgian. “E você vai ser pai e ainda tá na faculdade, bonitão. Além do mais, já voltei a ser normal e a mãe e o pai acham que eu só fui fazer uma viagem.” Seu surto esquizofrênico tinha passado batido, mas uma criança não conseguiria fazer o mesmo. “Hayden é nome de criança que dá trabalho, mas não dá nada não porque vai ser uma menina.”