Quando mais novo, já estivera metido em várias confusões, principalmente a beira do primeiro ano, que fora expulso de Beauxbatons, uma das escolas mais conhecidas da França, pelo mundo bruxo. Na época não ligou muito, havia perdido a mãe recentemente, e também deixara de lado o garoto que era: quieto e compreensivo. Aquilo por fim não durou muito, assim que foi para Hogwarts, voltou com suas notas, mas é claro que não deixava de lado certas brincadeiras, que muitos dos professores não gostavam. Em seus primeiros anos, respondia para os professores, e conforme fora crescendo aprendeu que aquilo não o levaria a nenhum lugar, apenas a sala de detenção, ou uma ótima estadia limpando os troféus de Hogwarts, sem magia. Por essas e outras quando conheceu a Sloan, viu que ela poderia ser uma cópia sua, quando mais novo. Não muito, mas algumas coisas, e aquilo o impressionou. E ser instrutor dela não foi uma das tarefas mais fáceis do mundo, o trabalho que tinha a mais do que com os outros, era demais. Isso o cansava demais, mas conforme foi conhecendo a menina, seus conceitos sobre ela, iam mudando.
Tinha mudado tanto que não imaginava mais sua vida sem a morena do lado. Era estranho pensar daquela forma, até mesmo insano. Gostava da forma como eles se davam bem, depois de inúmeras brigas, gostava de estar na presença da garota, gostava do riso, da voz, ele definitivamente amava Gretel. Ela era como seu porto seguro, e estar com ela parecia que não precisava de mais nada. E agora, tinha mais um fator importante: um filho. Um fruto seu com a mulher que ele amava, que ele não suportava mais ficar longe. Amava aquela mulher, e saber que dentro dela, crescia alguém que era fruto do amor deles, deixava o ex-raveclaw estupidamente abobado.
Não imaginava que sua vida poderia mudar com três simples palavras, com um mesmo significado: eu estou grávida", ela contada. E por Merlin, tudo, tudo o que tinha enfrentado até ali, ficou para trás. Queria abraçar, beijá-la, tê-la só para ele pelo resto da vida. Não queria mais ter de pronunciar o sobrenome complicado dela, pois se possível, queria que era agora assumisse o seu. Ser a nova senhora Clarke, como há alguns meses ele vinha imaginando. E esperava que ela aceitasse, que ela respondesse sim, e se respondesse, era capaz dele querer unir os votos o mais rápido possível. Para que eles estavam esperando mesmo? Há meses eram um casal, há meses moravam juntos. Mereciam uma vida digna ao lado um do outro.
— Eu nunca seria insensível a esse ponto. Eu a amo demais para me casar com você, só pelo fato de estar esperando um filho meu, entendeu? Nunca mais pense isso de mim — sorriu passando a mão carinhosamente pelo rosto da amada, e beijando a ponta de seu nariz. — Não sabe como a felicidade me atinge neste momento, Gretel! É como se minha vida toda, eu estivesse esperando por você, para que tudo desse certo — ele entendia perfeitamente o alemão, mas não era muito bom para pronunciá-lo, por isso nunca ligava quando a mulher tinha esses pequenos surtos, e trocava a língua, embora sempre se corrigia, e falava a mesma coisa no inglês. Mas quando ouviu a segunda parte, quis interrompê-la, mas esperou até que ela acabasse de falar, para que pudesse intervir. — Não, Gretel, acho que você não entendeu. Eu quero me casar com você antes do bebê nascer, antes dele vir ao mundo. Não me importa se você vai achar isso ruim, mas faça isso por mim, pela minha mãe que já não está mais entre nós. Ela gostaria disso, eu sei que sim — respirou fundo antes de continuar — E eu não posso esperar mais nove meses para você se tornar a Senhora Clarke, por mim casaríamos até amanhã! —apertou o queixo da amada de leve, enquanto depositava um beijo em seus lábios. — E podemos sim mudar para o vinhedo, lá tem espaço suficiente para nós, e para o bebê. Sei o quanto ele vai amar crescer o campo — sorriu de canto, imaginando o quanto sua vida vinha mudando nos últimos meses.
Quando se imaginou tendo aquela conversa com Joseph, Gretal tinha imaginado tudo de uma forma perfeita em uma mente, sem nenhum tipo de problemas e nada de nervosismos. Mas, é claro, que na prática as coisas não saíram do modo que ela tinha planejado em sua mente. Para começar o seu nervosismo estava tão grande que começou a misturar a língua alemã com a inglesa, e o seu sotaque alemão estava mais aparente do que de costume. Também tinha imaginado dar aquela notícia de forma romântica e carinhosa, mas o que tinha conseguido fora um casual “Eu estou grávida e você é o pai”, como se alguém em sã consciência fosse capaz de dar uma notícia dessas de forma tão natural, como se ficasse grávida todos os dias. Aquilo não era um acontecimento comum, e ela estava apavorada.
Gretel nunca se imaginara sendo mãe, tendo um filho e uma família, mas aquilo estava acontecendo bem diante de seus olhos o que a deixava apavorada. Ela mal conseguia tomar conta de si mesma, machucava diariamente em seus treinos de Auror, seus dotes culinários não eram lá muito bons — exceto se tratando dos doces e outras típicas sobremesas alemãs, pois havia aprendido muito bem com seus familiares que mantinham até hoje a confeitara da família, para esse tipo de comida Gretel havia nascido com uma mão cheia, mas não podia criar seu bebê somente com doces, não mesmo, isso seria pedir para deixa-lo obeso e diabético. Definitivamente, ela não estava nem um pouco preparada para ser mãe e só de pensar que em alguns meses ela teria um bebê em seus braços esse tipo de pensamento a deixava completamente apavorada. Mas, pelo menos ela tinha Joseph ao seu lado, pois mesmo estando casados ou não ele não era babaca ao ponto de abandonar uma mulher esperando um filho dele. O Clarke poderia ter muitos defeitos, mas o abandono não era um deles, e Gretel sabia bem disso por ter precisado da ajuda dele quando estava precisando de um lugar para morar. Ele havia lhe ajudado em um momento em que outros não se interessaram em oferecer ajuda, e claro que também iria ajudar a cuidar de seu único filho, aquilo era uma obrigação, um dever que ele tinha que cumprir, afinal de contas Gretel não tinha feito nada sozinha.
— Eu não pensei nada de você, mas é um fato que em algumas situações a gravidez serve apenas para poder acelerar o casamento. Apenas tentei pensar de forma racional — ela amava o homem como nunca havia amado ninguém, e se casar com ele seria como realizar um sonho, porém ela não queria que ele tomasse aquela decisão apenas por uma gravidez não planejada. Ela poderia muito bem esperar mais um tempo até que ele se sentisse preparado, não é como se nada fosse mudar na dinâmica entre os dois, mas a única coisa que ela não queria era que ele fizesse algo que se sentisse obrigado, e como aquele não era o caso não havia motivos para negar o pedido. Eles se amavam, eles queriam continuar juntos e o casamento não seria nada mais do que uma mera formalidade. — Você quer que eu me case grávida, com vestido, véu e tudo mais? Por acaso você quer que eu fique parecendo uma baleia obesa? Pois é isso que eu vou parecer com um barrigão em um vestido branco apertado — de fato ela era uma pessoa teimosa, e estava prevendo que não iria ser fácil aceitar as condições do homem para o casamento, mas mesmo assim Gretel iria tentar fazer um esforço por ele, ainda mais após tocar no nome da falecida mãe.