“Encontrado morto em seu apartamento suposto responsável pelas criaturas mágicas que atacaram acampamento de jovens durante o feriado dos Fundadores.” (Manchete do The Daily Prophet, 04 de abril de 1978)
Em retrospecto aquele acampamento havia sido uma péssima ideia. Reunir tanta gente em um mesmo lugar os tornou alvos fáceis, vulneráveis como porcos prontos para o abate. Mas como poderiam adivinhar que tamanho horror os aguardava em um lugar tão isolado, especialmente diante daquela breve promessa de paz? Pareceu uma eternidade até que o socorro finalmente chegou. Muitos já haviam desaparatado – para Hogwarts ou para suas casas – mas alguns tinham sido atingidos muito antes que tivessem a chance de reagir, e outros ainda se recusavam a deixar o local sem se certificarem de que seus amigos já estavam em segurança. O Departamento de Regulamentação e Controle de Criaturas Mágicas e o esquadrão de Hit-Wizards somaram esforços para dissipar a multidão e conter a manticora, que uma vez capturada fora colocada à mercê do Comitê de Execução de Criaturas Perigosas.
Os jovens sobreviventes que ficaram para trás foram levados às pressas para o St. Mungo’s a fim de evitar a infecção e a necrose da região acertada pelos ferrões da besta. Deveriam tomar a poção antipeçonhenta o quanto antes caso quisessem evitar que o veneno se espalhasse e causasse maiores estragos. Outros já recebiam cuidados nos leitos da Ala Hospitalar de Hogwarts. Mas esse fora apenas o início do processo de controle de danos iniciado pelo Ministério. O departamento de aurores ficou encarregado de investigar a procedência da criatura, que não havia chegado ali ao acaso. Estava claro que os ataques foram coordenados pelo mesmo grupo, seria ingenuidade falar em coincidências em um momento como aquele.
As pistas os levaram até um contrabandista de criaturas mágicas e não tardaram a rastrear seu paradeiro graças a um velho informante, mas todo o esforço parecia ter sido em vão: McTavish foi encontrado morto em sua residência, o corpo inerte entre gavetas reviradas e armários vazios. Era difícil dizer se ele estava planejando deixar o país quando foi surpreendido pelo autor do crime ou se quem quer que tivesse dado cabo dele estava tentando fazer parecer um latrocínio comum, mas era claro para os peritos que seu envolvimento com os ataques fora sua sentença de morte. E as investigações mais uma vez voltavam à estaca zero. O que, considerando a pressão popular e o pânico generalizado após os ataques era visto como um atestado de incompetência. O medo e a paranoia assolavam a comunidade bruxa britânica que temia estar à mercê de lunáticos fundamentalistas da mesma forma que a manticora fora deixada à mercê do Comitê de Execução de Criaturas Perigosas.
“Iniciado interrogatórios para investigação de assassinato durante o Banquete Anual de Slytherin.” (Manchete do The Daily Prophet, 30 de março de 1978)
O choque tomou conta de todos os simples convidados do Banquete Anual de Salazar Slytherin que era realizado na Mansão Mulciber. Inicialmente veio a escuridão resistente ao Lumus e ao feitiço Incendio, depois o clarão verde esmeralda e então, quando a luz tomou todo o ambiente novamente o corpo de Rosamund Tremayne jazia sobre uma mesa no centro do salão de festas. Acontece que por mais que todas as aparências levassem a acreditar que aquele fora o ataque que a festividade recebera – assim como Hogsmeade e o acampamento – a morte de Rosamund era apenas um álibi para os que estavam ali. Era parte de um plano maior, apenas uma peça no quebra-cabeça ardilosamente planejado pela mais alta cúpula purista da high society bruxa.
A senhora Tremayne, Wilkes por nascimento e, assim, pureblood, era a melhor maneira de tirar qualquer foco do Banquete. Mas não era só isso, Rosamund não representava apenas um álibi. Ela também abria mais espaço para os tentáculos daquela organização se apoderar ainda mais do Ministério da Magia Inglês. Tremayne ocupava um cargo de confiança no alto escalão do Ministro, sua história de sucesso no Ministério a levara a ser Senior Undersecretary to the Minister for Magic. Tira-la do caminho era abrir uma vaga para alguém de dentro, ou melhor, abrir espaço para que Armand Malfoy ocupasse o segundo cargo mais importante dentro do Ministério, assim vigiando Harold Minchum de perto e podendo também tirá-lo do caminho caso fosse preciso.
O local fora evacuado sem que ninguém sequer precisasse pedir, quando a perícia e alguns poucos arores chegaram apenas Aleister e Morrighan Mulciber permaneciam lá, ao lado de um inconsolável Prometheus Tremayne e Ferdinand Wilkes que, por mais que tivesse suas brigas com a filha por ter escolhido um halfblood de uma família duvidosa para casar-se, não conseguia ainda compreender o que havia acontecido ali naquela noite.
Não existem dúvidas quanto à causa da morte de Rosamund Tremayne, todos os convidados presenciaram o clarão verde esmeralda da maldição imperdoável Avada Kedavra. O objeto de estudo da investigação instaurada pelo Departamento de Aurores era quem havia disparado a maldição em Rosamund. Boa parte dos convidados já foram intimados a depor sobre a fatídica noite, mas nenhum dos depoimentos trouxeram alguma pista para os aurores, não existe sequer um suspeito. Ou ao menos é o que o Daily Prophet notícia diariamente.
“Cenário de Guerra, o momento mais obscuro da história de Hogsmeade.” (Manchete do The Daily Prophet, 02 de abril de 1978)
Cenário de Guerra, era a manchete que estampava a capa do Profeta Diário. A foto? O vilarejo de Hogsmeade, que outrora respirava ares de uma das localidades mais pacatas e pitorescas do mundo bruxo. A destruição ultrapassava os diversos estabelecimentos reduzidos a escombros e poeiras, não era a perda material a quem muitos faziam vigília naquela tarde. O ardor sufocava no peito, aprisionado e buscando seu caminho de volta a superfície e que ia consumindo a sanidade pouco a pouco, não de forma gratuita, jamais. Era o prenúncio do luto e da revolta. E era explosivo. Hogsmeade estava sitiada, aurores e hit-wizards tomavam as ruas da cidade à procura de respostas e suspeitos. Cada pequena ruela passaria por uma minuciosa revista, feitiços eram sussurrados entre os becos na tentativa de achar algo invisível ao olho nu. O ataque fora bem arquitetado, pegara todos de surpresa e agora a confiança da população nas autoridades estava abalada. Os ânimos alterados e com razão. Se nem ao menos aqueles que deveriam garantir a proteção sabiam com que lidavam, que chances teriam os cidadãos? Ou melhor, que chance teriam se continuassem no escuro? O clamor por resposta juntava-se aos lamentos do luto, incendiando um levante contra o Ministério. Queremos respostas! Era o uníssono coro que ecoava por todo o vilarejo, alias, ultrapassando as barreiras invisíveis de Hogsmeade e chegando até mesmo na sede do Ministério da Magia.
O caos estava instalado, não somente pelos destroços causados pelo ataque, como também pela presença incessante e inconveniente da impressa por todos os lados, atormentando não somente os oficiais em seu trabalho, como também as vítimas e seus familiares. Como forma de atendimento imediato, St. Mungus destacou uma força tarefa de médicos para o vilarejo, atendendo os casos mais graves e que não poderiam correr o risco de um transporte imediato, como também para a assistência dos demais residentes de Hogsmeade. O terror vivido não seria facilmente esquecido, crianças e adultos estavam em choque. As feridas eram mais que físicas, o medo trabalha de formas obscuras, correndo uma pessoa por dentro, essas cicatrizes não seriam facilmente curadas, nem mesmo com as poções mais avançadas dos curandeiros do St.Mungus.
O Ministério da Magia estava em polvorosa, os aurores eram figuras presente em Hogsmeade , repassando dia após dia os acontecimentos, na tentativa de pegar nem que fosse uma pequena informação perdida. Eles estavam fazendo o seu melhor, eles eram os melhores. Anos de treinamento árduo para esse momento, eles sabiam disso, todos sabiam. E ainda que a ideia fosse a de apaziguar os ânimos, tranquilizar a população e que pouco a pouco a vida voltasse à rotina. Algo havia mudado, as vidas perdidas marcaram e mancharam aqueles dias e o que se seguiria tinha o prenuncio de ser escrito com seus sangues. O tempo de mudança chegara, cenários de guerra não era só mais uma frase perdida nos livros de História da Magia, agora eram reais.
As coisas tardam, mas não falham. Enfim estamos finalizando o nosso Plot Twist depois de quase três anos. Sabemos que para muitos tudo já estava acabado e só estavam na espera de um novo capítulo, mas achamos que isso poderia funcionar como closure, para guiar vocês de uma maneira melhor nos acontecimentos pós-PT.
Os turnos do plot twist podem continuar acontecendo, entretanto achamos que não cabe mais começar novos plots baseados nos acontecimentos deles. Temos mais plots por vir, aguardem.
Pedimos para que continuem utilizando as tags que já eram utilizadas: flashback/parte um/parte dois para indicar que a plot está acontecendo no passado; erapt para qualquer turno do pt, independente de qual; eraacamps para os turnos do Acampamento dos Marotos; erafestival para os do vilarejo de Hogsmeade; erabanquete para os plots situados no Banquete Anual para Salazar Slytherin.
















