001: last goodbye.
notxboutxngels:
O ar palpavelmente pesado deixava Juho se sentindo mal. Ele sentia como se estivesse abandonando seu melhor amigo. Foi aos dezesseis anos que ele descobriu que gostava de Minsoo mais do que amigo. Foi aos dezesseis anos e um dia que ele decidiu que Minsoo seria seu soulmate, não importava se os contadores dos dois estivesse zerado e não se movesse quando se conheceram. Sua esperança era chegar aos vinte e ver que nenhum ainda tinha se movido. Porque aí ele poderia dizer a Minsoo o que ele significava na vida de Juho. O mais novo poderia mostrar o que Minsoo significava. Quando encarava o mais velho, tudo que Juho queria fazer era segurar seu rosto nas mãos e mostrar tudo que sentia. Claro que não podia fazer aquilo. Primeiro porque tinha medo que Minsoo o visse apenas como amigo. Eram afetivos sim, mas porque cresceram juntos, praticamente um na cada do outro. A mãe de cada um se conhecera na escola e assim a história se repetia. E em segundo lugar, Juho não queria privar Minsoo caso seu soulmate aparecesse. Era algo que costumavam sonhar quando crianças, em que Minsoo sempre dizia que o dia em que seu contador começasse a contar, seria o dia mais feliz de sua vida. Então Juho não queria tirar aquilo dele. Se ele não era o soulmate de Minsoo, bom… ele teria que aprender a ver seu amigo feliz quando ele por fim encontrasse a pessoa destinada para ele.
Mas mesmo assim, nada daquilo impedia aqueles sentimentos que ele tinha, sentimentos esses que o assustavam e o faziam suspirar quando sentiu os dedos do mais velho em sua bochecha, mas logo sentiu a pele sendo puxada e ele desviou os olhos para Minsoo, com uma sobrancelha erguida em curiosidade. ❝Pôquer? Sério? Você só quer me ver perder, não é? Só porque não consigo fazer o flush.❞ Juho levantou, sentando na cama com os pés para fora, quase tocando o chão gelado com os pés descalços. Pra falar a verdade, ele não queria sair dali. Ele nunca queria ir embora, só que sabia que as coisas não podiam ser do jeito que ele queria sempre. O mais novo mordeu o lábio inferior, concentrando o olhar nos dedos que brincavam nervosos. ❝Você vai me visitar? Nas férias eu digo… Ou eu posso vir para cá. Eu só… você iria?❞ Ainda não olhava para Minsoo porque não queria ser rejeitado, ele não conseguiria mascarar sua tristeza de Minsoo negasse. Então esperou até que o outro se pronunciasse. Ele reconhecera a distração que o outro tentara lançar, isso mostrava que, se até Minsoo estava disposto a tentar amenizar as coisas, Juho deveria fazer o mesmo, certo? Ele fez uma careta ao lembrar do primeiro dia que o outro tentou lhe ensinar, mas a única coisa que Juho gostava de fazer com as cartas eram castelos que Minsoo olhava com desprezo. Mas era uma arte, Juho dizia. O sorriso que ele tentava esconder foi exposto assim que o mais novo ergueu o rosto, levantando da cama para se espreguiçar. Soltou um suspiro e andou pelo quarto, na esperança de tentar parar de ficar triste. ❝Certo, se eu ganhar, você vai pagar meu almoço na escola essa semana.❞ Ainda tinha tempo já que a mudança seria apenas no mês seguinte.
Não conseguiu evitar a risada que saíra soprada de seus lábios. Juho era completamente adorável. “Ei, quer dizer que você pensa tão baixo do seu hyung, hm?”, tentou fazer uma careta para o mais novo, mas falhou miseravelmente. Eram momentos como aquele que MinSoo sentiria falta. Falta até demais. “Não é minha culpa se você simplesmente não confia no coração das cartas”, deu de ombros, a referência fazendo com que o moreno risse mais um pouco, a franja caindo graciosamente em seus olhos. “Além do mais, não é tão difícil fazer um flush!”, assentiu, os olhos brilhando, esperançoso de que o mais alto aceitasse a oferta. Mais o que ouviu depois não era exatamente o esperado. Franziu o cenho, como se aquilo soasse simplesmente inacreditável. “Hey”, começou ambas as mãos indo de encontro com as bochechas de Lee, trazendo seu rosto para cima. “Que pergunta boba é essa, huh?”, indagou, sério. “Você pensa que vai se livrar de mim tão fácil assim, Lee JuHo?”, disse, um bico formando-se em seus lábios, “Eu vou juntar dinheiro e você vai ter que me hospedar!”, riu, antes de completar. “E é claro que você pode vir pra cá, que coisa mais boba de se pensar”, bufou, soltando o rosto do amigo.“Além disso, nós temos Skype e eu vou te obrigar a conversar comigo todo dia, viu?”, terminou, erguendo a mão e estendendo o mindinho entre os dois. “É uma promessa, nee?”, garantiu, sua expressão um tanto quanto serena para um momento tão importante. Sorriu quando o mais novo aceitou a proposta, levantando rapidamente da cama e correndo pelo quarto. Uma das meias quase escapou de seu pé, mas ele logo tratou de colocá-la de volta no lugar. Riu com a aposta, um sorriso maroto preenchendo seus lábios enquanto abria aporta do guarda-roupa e procurava o seu baralho favorito e as fichas de pôquer. Achou-os no fundo do armário, escondido dos pais, e retirou os objetos com cuidado. “Nee. Mas você sabe que vai perder, não sabe, Juhonnie?”, mostrou-lhe a língua, sentando-se, com as pernas cruzadas, no tapete que ficava no centro do quarto. Dividiu as fichas igualmente entre os dois e logo pôs-se a embaralhar as cartas. “Eu até dobraria a aposta, de tão confiante, mas…”, deixou a frase morrer, um sorriso triste em seu rosto. Balançou os rosto, se livrando daqueles pensamentos ruins. Não era ele quem importava agora, era Juho. A felicidade de Juho. Não a dele. Entregou duas cartas para o amigo e logo tratou de estampar o sorriso mais brilhante que possuía: “Que vença o melhor, Juhonnie~”, riu-se, escondendo o rosto nas mãos.
















