vocĂȘ foi cruel demais
nos conhecemos igual o vento passa pelo meu rosto num dia quente de verĂŁo. refrescante mas rĂĄpido demais.
eu tinha a certeza que vocĂȘ seria o meu Ășltimo amor. como sempre tenho com todos que me apaixono, infelizmente. me entreguei com sede, estava querendo ser amada como uma rosa vĂva no meio de um deserto, sentir o amor Ășnico e raro vindo de vocĂȘ.
foram meses intensos, meses que ainda sĂŁo bem nĂtidos e vivos nos meus pensamentos. se eu fecho os olhos ainda consigo sentir sua mĂŁo segurando a minha com força, para me guiar no meio dos seus passos rĂĄpidos pelo Rio de Janeiro.
consigo ouvir sua risada, consigo ouvir seu 'eu te amo' com o sotaque que por tanto tempo foi o meu favorito, consigo ouvir sua respiração no meu pescoço, consigo sentir seu beijo que era como uma explosão no meu peito.
nosso relacionamento foi o mais perto que eu tive de sentir felicidade, plenitude e paz. apesar da distĂąncia e dos defeitos (mais meus do que seus). talvez por isso, digo o nome do tĂtulo desse texto, que vocĂȘ foi cruel demais.
quando me lembro das coisas boas, lembro mais dos dias ruins, sem querer, pra tentar amenizar a dor. lembro de quando por vĂĄrias vezes segurei o choro. de quando apĂłs uma semana de amor, vocĂȘ me deu a facada que, por fim, me matou.
suas palavras e-u n-ĂŁ-o t-e a-m-o m-a-i-s, soletradas. o Ășnico motivo que te fez me deixar, e o mais importante.
o mais difĂcil pra mim, Ă© que depois, tudo que vivemos e todas as vezes anteriores que vocĂȘ disse que me amava, se invalidaram e me fez acreditar que tudo foi uma mentira. que eu fui pra vocĂȘ uma espĂ©cie de band aid. um passatempo. poderia ser outra, mas eu estava ali mais fĂĄcil, disposta a tudo. como vocĂȘ provaria o contrĂĄrio? claro, nĂŁo vale a pena mais.
o sentido de escrever esse texto depois de um ano e cinco meses, eu jĂĄ escrevi e apaguei por diversas vezes, quando vocĂȘ me deixou sem resposta e eu te liguei por mais de cinquenta vezes em negação.
vocĂȘ simplesmente sumiu, como se nunca tivesse me conhecido.
como o vento, que passou pelo meu rosto no dia quente de verão, mas ao invés de me refrescar, me queimou.
















