Eu trabalho não por prazer pelo que faço mas por desprezo ao fazer nenhum. Porque tenho medo da pobreza, porque cresci com apoios sociais, da camara, do estado, fundações. Porque quando era pequena e pouco tinha com que me entreter a não ser livros, uma vizinha ameaçava os meus pais que se fizéssemos barulho depois das 20 ela chamaria a polícia e nos removeriam da tutela deles. Porque numa casa onde não há pão, todos reclamam e ninguém tem razão. Porque se não for eu a pagar pelos meus luxos, tenho sempre o sentimento que estes são inúteis, mesmo sendo tudo o que me traz felicidade. Porque quero poder dar à minha família aquilo que não me puderam dar mesmo quando tanto o queriam fazer. Eu trabalho por medo, não por amor.















