7 das Mulheres IncrÃveis em Sorocaba
Escrito e fotografado por Marina Adamecz Guise
Colaborado por NaÃra Ibrahim, Jéssica Giancotti, Alice Vilas Boas, Ametista Vieira, Fernanda Cezarino, Denise Teófilo e Renata Ferraz.
Dizem que o mundo girou e com ele muitas coisas mudaram, recentemente uma enorme leva de ideias e opiniões transformou a cabeça de muitas mulheres, e de pouco em pouco – no que agora somos muitas – o conhecimento da liberdade foi passado de uma para a outra e quando demos conta, juntas éramos muito mais fortes.
Tiraram nossa união ainda na maternidade, nos separaram desde muito cedo com competições, e vivemos uma vida de conflitos internos querendo atingir a forma e o status daquelas que foram mais aceitas. Mas é evidente que lá no fundo, no âmago do nosso Ãntimo, sentimos que há algo de errado.
Fernanda Cezarino – tranqualize – Fernanda é proprietária do Casaqueto, um novo conceito de brechó em Sorocaba. Onde encontramos peças selecionadas a dedo e muito, mas muito amor envolvido. Há quem diga ser o mais estiloso de Sorocaba, não? Ter estilo, para Fer, é só um detalhe.
Chega a ser impensável que no auge de um momento tão importante, em que levantamos nossa voz para dizer com firmeza que não vamos mais tolerar essa opressão suja e essa imposição obituária, alguém em sã consciência se dê o luxo de nos colocar em mais um campo de batalha, onde as sugeridas inimigas são nossas irmãs.
Denise Teófilo – economic girl – Denise faz economia na UFSCAR e é uma das empreendedoras do projeto Adeola, onde leva aulas sobre a cultura e história africana nas escolas. Mas engana-se quem acha que ela economiza nos looks, que sempre são estampados e coloridos. As pernocas da moça são o destaque, sempre a mostra, porque ela simplesmente tem as pernas e quer mostra-las.
É inadmissÃvel que em pleno século XXI um homem se sinta capaz de construir uma plataforma dedicada aos interesses das mulheres. Que sabe um homem sobre a vivência de uma mulher para definir e ditar seus interesses? Que sabe ele sobre nossas mutilações e lágrimas pra alcançar a perfeição? Quem pensa que é, esse homem para dar a palavra final no que diz respeito à s mulheres? Â
Renata Ferraz – fale mais sobre isso – Renata é uma diva que dispensa o divã. Com todas as curvas no lugar, o lugar que ela quiser. Psicóloga e pole dancer, abusa das roupas painted in black.  Rê é engajada e não sofre com as más influências das rádios, seu amor é o rock’n’roll.
É absolutamente irresponsável que em meio a tanta luta e protestos para sermos aceitas como somos, um veÃculo de informação dedicado ao publico feminino se dê o direito de violar todo esse momento pra nos agredir com mais do mesmo: competição publica, onde o critério de avaliação é o visual. Afinal de contas, é isso que somos. O pretexto da originalidade e estilo também é tÃpico, e acho uma pena Coco estar a sete palmos, pois certamente seus workshops fariam sucesso nesse mar de ignorância fashion-midiática.
Vestir-se bem é relativo, gosto é caracterÃstica pessoal e estilo não é poder de compra. Se ao menos fossem enaltecidos os conhecimentos de moda dessas meninas, ou ressaltassem mais sobre suas ideias e menos sobre suas condições biológicas, talvez o critério fosse mais justo.
Ametista e Alice – livin’ the Sorocaba dream – Ametista e Alice sao mulheres trans que vieram pra Sorocaba em busca de uma vida melhor e respeito. Donas de um biótipo mega favorável, no look para o dia a dia abusam de estampas tropicais,  croppeds e jeans. Óculos dão aquele TCHAM no visu das lindas.
O sentimento geral é de que fomos subjugadas por estarem lá mulheres tão incrÃveis como todas nós, porém com abertura de representatividade dedicada apenas a um recorte muito exclusivo da sociedade feminina. Sinto aversão da nÃtida falta de interesse sobre a diversidade de corpos e estilos das mulheres, e vergonha dessa falta de embasamento tornada pública e nacional.
NaÃra Ibrahim – leonina convicta – NaÃra é publicitária e cuida junto com seus pais, de mais de 40 animais abandonados. Claramente preferindo animais a seres humanos, Nae aposta em looks all white, all black, all grey ou all qualquer cor que ela queira usar no dia. T-shirts e tênis comprados há 8 anos fazem parte de seu look diário. Com o bronzeado sempre em dia, o destaque fica para os cabelos volumosos, tipo juba mesmo, que ela revela o segredo: não pentear.
Esse modelo de pauta que sugere visibilidade positiva e empoderamento feminino, já é tão ultrapassado, que chega a ser cômico achar que a verdadeira mensagem não iria transparecer para aquelas que nunca são contempladas. Um tÃtulo positivo e despretensioso em primeiro momento causa a expectativa de uma surpresa agradável para a matéria, mas pra quem se sentiu rejeitada a vida toda, o conteúdo fica bem claro: Mais uma lista de vencedoras numa competição patriarcal. Mais uma competição que perdi sem ao menos ter sido informada sobre as inscrições.
Jéssica Giancotti – undercut, sidecut, long bob e chanel – Jéssica é proprietária do Hair Shop, salão mais amor dessa cidade, onde atua como hair designer übber e make up artist fashion stylist (traduzindo: cabeleireira e maquiadora). Jé é DJ, vegetariana, feminista e dona de um rosto e um corpo de princesa, além de uma doçura na pegada high-low. Cores NEUTRAS e estampas fofas fazem parte de seu look.
Desejo que essa repercussão negativa se transforme em desconstrução positiva, e que as próximas matérias sejam mais refletidas e pensadas, pois o poder de quem forma opinião deve ser levado a sério e de forma responsável como um todo.
Coloco-me a disposição caso exista interesse em uma boa trocada de ideia, porque enquanto houver machistas, eles não passarão.











