Pepelahuerta
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@sevenyearswar
Pepelahuerta
Hollywood movie sets built their jails pretty similar. They always had a window in back because the script called for a crony to slip them a pistol or tie..
Learn how to actually create and control tone, juggle tones, and how to avoid going hormtonal or tone deaf.
We get a lot of asks that boil down to the same question: How do I handle the tone of my work? Sometimes, it’s about character portrayal. Sometimes, it’s about diction and syntax. Sometimes, you write to us and say you hate everything you write but you can’t stop writing or you bore yourselves to sleep … maybe learning how to control and vary tone is what you’re really getting at.
Here’s a great guide to help you learn how to wrangle the Tone Monster in your work. It’s a long read, and the writer even admits she still struggles with tone in her writing (as most authors do). But it’s totally worth your time.
– mod Aliya
Adeste Fideles
Ao contrário da pequena empresa familiar do gordo parrudo e dos adolescentes, a organização tinha nome, e este eu me lembro bem. Se chamava Razor Crew. Este nome ficou por onze anos, sendo depois gradualmente substituído por livre e espontânea vontade na boca de toda a população. Quinze anos depois, o grupo influenciava a cidade inteira, retinha uma fração considerável dos lucros do banco, tinha poder o suficiente para mandar espancar ou sequestrar a família do prefeito caso fosse necessário e contava com uns 200 membros, de assassinos de aluguel a pivetes de rua. Razor Crew não existia mais e Bodie inteira conhecia esta organização como a Kauffman Gang. Sim, meus senhores! Sim! É isso mesmo que vos digo! Aos oito anos me mandaram enxotar uns gângsters rivais de dentro de nosso território. Me agarraram, enfiaram um saco em minha cabeça e em instantes me vi dentro de uma sala. Uma sala legítima, devo acrescentar - Janelas permitiam a entrada da luz do dia, e de fora podia-se ver o telhado das casas simples da periferia de Bodie, o teto das carruagens e os chapéus das moças mais requintadas. A vibração do piso de madeira sob a cadeira em que me colocaram me trazia a noção de que era sobre um salão que nos localizávamos. À minha frente, em típica cena de filme de máfia italiana, um homem de cabeça e corpo igualmente ovais, bigode fino e alguns poucos fios na cabeça besuntados em gel me olhava tranquilo através da fumaça de seu charuto que provavelmente custava menos do que parecia. Eu nunca soube seu nome. Se apresentou como “the Boss”, o que eu achei ridículo na época e ainda acho, mas todos o chamavam assim. “Eleazar, the Boss quer você na sala dele.” “Hoje não vou beber; the Boss arranjou trabalho para mim”. E todos sabiam exatamente de quem se tratava. Havia uma aura de temor e respeito ao redor daquela palavra. The Boss, as pessoas ouviam, e imperceptivelmente ajeitavam os ombros, erguiam o queixo (mas não muito, para não passar noção de prepotência), lançavam pequenas olhadelas para os lados. O que the Boss queria? O que the Boss pensava? Era importante. Muitas vezes era questão de vida ou morte para o ouvinte. Enfim, the Boss me colocou na gangue dele. Não foi uma escolha; uma hora eu estava no meu grupinho de rua ralé, em outra hora estava em uma organização bem-estruturada e crescente, com garras no sequestro-relâmpago e nos mais diversos roubos e constituída por uns vinte indivíduos and counting. The Boss decidiu que me queria, a vontade foi feita. Na semana seguinte acharam o corpo dos adolescentes e do gordão dentro do poço onde pegavam água para dar aos cavalos. Na Razor Crew, eu comecei como garoto de recados. Que se fodessem minhas habilidades; the Boss queria ver se eu conseguia captar um comando e executá-lo bem. Depois quis que eu batesse carteiras. Aí apontou um dos seus braços direitos para me ensinar a abrir fechaduras. Pouco depois comecei a invadir domicílios. Eu arrombava cofres no raiar de meus 13 anos. Com 15, fiquei bêbado no bar embaixo do escritório do Boss e espanquei um dos clientes até a morte em uma briga. Me mandaram para a prisão sem querer saber da minha idade, mas ao menos quando voltei fui promovido a líder de interrogatórios e outras intimidações da sorte. Vale mencionar que a este ponto, minha mãe já tinha desistido da minha criação completamente e eu quase não a via mais. Sequer pisava em minha casa, que após nossa separação não-oficial só faltava uma daquelas placas de neon rosa com garotas sexy deitadas em um copo gigante de Martini, ou sei lá. Razor Crew havia se tornado minha vida inteira. Eu passei a dormir na casa de um dos capangas de the Boss. Certa noite, o parceiro de crime deste cara foi pego em flagrante pelo prefeito enquanto tentava estuprar a filha em sua própria casa. Foi morto com uma bala certeira na testa. Quando o parceiro chegou em casa, ele decidiu descontar sua frustração invadindo alguns espaços do meu corpo que eu não estava exatamente de acordo, mas eu ainda era um pivete, com músculos de pivete que foram facilmente rendidos e aquela voz ainda imatura e desafinada facilmente silenciada por uma mão ou um pano enrolado. Eu não me lembro bem como foi. Eu dormi na rua por uns dias depois daquilo até que um dia invadi a casa de minha mãe, achei algum dinheiro aqui e ali e juntei com meus rendimentos para comprar minha própria casa. Talk about meritocracy. Eu tinha 19, quase 20, e já havia recebido carta branca para matar quem achasse que merecesse. Além disso, os assassinatos por contrato eram quase que exclusivamente minha alçada. Eu havia achado minha vocação. Nada mais fazia minha adrenalina subir como a decisão sobre a vida e morte de um indivíduo em minhas mãos. Nada fazia meu sangue borbulhar como a visão do terror no olhar de meu alvo, as súplicas mudas em seus olhos lacrimejantes enquanto eles abaixam a cabeça em submissão ao destino que eu lhes incumbi. Era lindo, era. Eu nasci para isso. Eu estava satisfeito. Era meu lugar. Então a intocável figura de the Boss foi acometida por um câncer de pulmão (nada surpreendente, quando me lembro daqueles cigarros das piores marcas, algo inexplicável considerando a enorme quantia que ele ganhava com todas as atividades da Crew). O câncer atacou seu corpo como the Boss atacou Bodie - rapida e impiedosamente. The Boss foi coberto por sete palmos de terra em questão de meses. A esta altura, Razor Crew era a administração não-oficial de Bodie. A prefeitura reinava, mas não governava. Ela estava lá, sorria e acenava, mas éramos nós quem puxávamos as cordas que faziam seu braço levantar e sua mão se mexer. O filho de the Boss era um moleque pé-rapado de 25 anos que me odiava, provavelmente porque seu pai gostava mais de mim do que dele. E com razão, eu creio - the Boss filho não sabia de porra nenhuma sobre crime, administração ou relações pessoais, não ousava correr riscos, era mais maleável que argila nas mãos de um artesão. Bastou menos de uma semana no poder para percebermos que podíamos fazer aquela marionete dançar para qualquer música que tocássemos. Sem um pingo de carisma, a lealdade dos discípulos de the Boss ao seu filho desapareceu como água pelo ralo. Suas ordens a respeito do que ser feito, quando e onde eram totalmente ignoradas, e novamente com razão, porque o moleque podia substituir a boca por uma privada que dava a mesma merda. Razor Crew passou a não se comunicar, as falhas de entendimento surgiram, membros puxavam o filho de uma posição para a outra, sugerindo ações das mais contraditórias que eram sempre acatadas. Gangues que por anos viveram às sombras da Crew viram a oportunidade de atacar e conquistar nossas regiões, nossos mercados. Nós não intimidávamos mais. Cada vez menos contratos chegavam à minha mão, os olhares de medo se tornaram olhares de escárnio. Razor Crew, minha casa, minha vida, se tornara uma piada, e ninguém estava dando a mínima. A mínima. Então eu matei o filho.