Eu fui obrigada a me afastar. Não porque deixei de sentir, mas porque sentir demais virou incômodo. Aprendi que amar, às vezes, significa caber menos, falar menos, desaparecer um pouco para não pesar. Não mandar mensagem, não ligar, não tentar. Ficar longe como quem segura a própria respiração para não ocupar espaço.
Existe um silêncio que não é paz, é contenção. E é nele que eu vivo agora. Me perguntando se faço falta ou se nunca fiz. Se minha ausência é notada ou apenas conveniente. Essa dúvida dói mais do que qualquer resposta, porque ela não fecha, não conclui, só ecoa.
Eu não segui em frente. Seguir em frente exige um acordo com o fim, e eu ainda estou tentando convencê-lo dentro de mim. Meus pensamentos não cessam; eles giram, voltam, insistem. Revisitam detalhes pequenos, palavras que ficaram no meio do caminho, gestos que não aconteceram. Não é saudade só do outro — é saudade de quem eu era quando acreditava.
Estou tentando colocar na cabeça o fim. Repetir até que vire verdade. Até que o corpo entenda o que a razão já sabe. Mas o coração não obedece a comandos simples. Ele demora. Ele resiste. Ele sente.
Ficar longe não me fez esquecer. Apenas me deixou sozinha com tudo aquilo que não coube. Com o amor que não teve destino, com o cuidado que virou distância, com a dor de existir em silêncio. E mesmo assim, sigo. Não por força, mas porque parar também dói. Então sigo devagar, carregando o que restou, aprendendo a viver onde o amor acabou, mas o sentimento ainda não.