Te amei como se eu nunca tivesse me amado antes.
Como quem tira a própria pele pra cobrir o outro do frio.
Como quem mergulha de olhos fechados, sabendo que vai afundar, mas vai mesmo assim, só pra sentir o gosto da tua boca no fundo.
Amar você me custou.
A calma.
A razão.
A paz que eu fingia ter.
Mas nunca reclamei.
Porque cada toque teu era tempestade, e eu sempre preferi me afogar do que viver seco.
Você não entende o que foi me entregar.
Não só o corpo, isso foi fácil.
Você me teve nos gestos, nos silêncios, no jeito que eu olhava pra você como quem vê o próprio coração pulsando do lado de fora do peito.
Fui teu antes mesmo de você me querer.
E mesmo quando me doía, mesmo quando eu sangrava por dentro e sorria por fora, eu escolhi ficar.
Porque amar de verdade não é leve, é denso, é carne, é sacrifício.
Te dei tudo.
Até o que eu não sabia que tinha.
E quando você se foi, levou pedaços de mim que eu nunca mais recuperei.
Mas ainda assim... eu te escolheria de novo.
Te amaria mais uma vez, mesmo sabendo o fim.
Te abriria os braços e o peito, outra vez, só pra sentir tua respiração misturada à minha por mais um segundo.
Te amei como quem queima.
Como quem ama sabendo que vai perder.
Mas ainda assim, ama.
E agora, sozinho, entre lençóis frios e memórias quentes, eu entendo:
ser amado de verdade não é só receber beijos e promessas.
É ter coragem de se despir por inteiro, mesmo sabendo que pode acabar sozinho, nu, e vazio.
Eu me dei.
E isso ninguém me tira.
Porque amar como eu amei você...
É pra quem tem coragem de arder, e não de apenas ser feliz.