Eu beberia uma taça de vinho, ou algo mais forte pode ser, até meus dedos formigarem um pouco e a risada fosse mais fácil de dar. Eu ouviria uma música, até isso acabar, a mesma música em looping até sentir que as palavras de um outro alguém conseguiram expressar o que eu não consigo, até sentir que essa trilha sonora colocou tudo de mim pra fora. Eu choraria um pouco, algumas lágrimas de peso e dor, até sentir que lavou de dentro pra fora, até sentir que o peso do vazio foi esvaziado. Eu dormiria um pouco, me perderia em um mundo de sonhos até saber que a realidade foi substituída, que eu fui substituída. Eu andaria um pouco, por um caminho lindo, até não sentir meus pés, até sentir que eu consigo voar. Eu ficaria inteira, se eu não fosse tão frágil, tão vulnerável, tão quebrada, eu ficaria inteira até sentir que não falta nenhum pedaço de mim. Eu não falaria tanto de mim, se não tivesse tentando chamar a atenção por ajuda, se não tivesse desesperadamente querendo que alguém me desse a solução, eu não falaria tanto de mim e até conseguiria ouvir verdadeiramente os outros. Eu não seria resumida pelos meus transtornos, se eu não falasse deles, se eu fingisse que tudo está bem, se eu não tivesse eles, eu não seria resumida pelos meus transtornos até - e enquanto - me despedaçar por eles. Eu iria sentir sem doer, eu não sentiria dor só pelo fato de sentir porque sentir não ia queimar ou dilacerar, eu iria sentir e gostar, eu não iria sentir muito por sentir muito por sentir muito por sentir muito, eu iria sentir sem doer até sentir que eu não sinto mais. Eu viveria, um dia de cada vez, sem me assustar com a ideia do futuro, sem me prender na ideia do passado, eu viveria e ia gostar disso, até o fim dos meus dias eu viveria e seria feliz. https://www.instagram.com/p/B2aai13pfM1/?igshid=9msn2dgbb5in