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@so-mais-um-cara-qualquer
às vezes eu lembro daquela nossa brincadeira boba — se aos trinta a gente ainda estivesse solteiro, um mandava mensagem pro outro. e você, naquela única vez, soltou um “trinta de quem?”, como se a diferença de dois anos entre nós fosse um abismo e não o detalhe mais insignificante do universo.
e olha só, a vida deu meia dúzia de voltas tortas, quebrou umas coisas, colou outras com fita isolante emocional, e agora é dezembro. e no mês que vem, janeiro, você faz trinta. trinta mesmo. aquela idade que a gente transformou em piada só pra não admitir que, no fundo, a gente queria se encontrar em algum lugar no meio do caminho.
eu não sei o que fazer com essa informação. não sei onde guardar esse tipo de lembrança que volta com cheiro de madrugada, com gosto de conversa que nunca terminou de verdade. porque a gente não terminou nada, né? a gente só foi parando. foi guardando o que sentia em potinhos de “depois”. e depois nunca chegou. a gente virou gente adulta demais, cansada demais, sentimental demais pra dizer qualquer coisa sem parecer drama.
mas hoje me bateu aqui um negócio. uma espécie de carinho com saudade, uma espécie de saudade com cuidado. não é sobre prometer nada. não é sobre ligar aos trinta, nem aos quarenta, nem aos nunca mais. é só essa vontade besta de te dizer que eu lembro. eu lembro da brincadeira, do timing, da maneira como você ria de mim com respeito, como se eu fosse uma espécie de melancolia ambulante que você gostava de deixar entrar.
e lembrar de você chegando aos trinta é isso:
um pequeno acidente no peito.
um tropeço do coração.
uma crônica que se escreve sozinha.
e eu, do meu canto, só desejo que a vida te trate bem. e que, de alguma forma, você saiba que aquela promessa boba segue guardada. não necessariamente pra ser cumprida. mas porque algumas pessoas a gente nunca esquece nem quando tenta muito.
já que você foi, escrevo. porque alguma coisa tinha que ficar.
Eu não gosto de gente disputada, eu prefiro os solitários.
O Sol e a Lua eram índios de tribos distintas, o Sol amava a Lua e a Lua amava o Sol. Mas esse amor era impossível, pois suas tribos eram rivais.
Quando os dois se encontravam nos pés da grande Jurema deixavam seu amor transbordar.
A Lua nunca se sentiu tão amada e protegida quanto nos braços do Sol e ele se sentia o homem mais forte, importante e amado do mundo com ela nos braços, sentia que podia vencer tudo e todos com seu amor.
O Sol determinado a cessar a batalha entre as tribos foi até a tribo da Lua tentar encontrar uma solução para poder se casar com sua amada.
Porém o Pai da Lua se sentiu traído por sua própria filha e enfurecido mandou matar o Sol.
A Lua sabendo dos planos do Pai tentou avisá-lo para que fugisse e se salvasse. Mesmo com a Lua implorando pra ele fugir, o Sol estava decidido a batalhar por sua amada. De que adiantaria fugir e viver sem sua amada?
A Lua sabia que ele era forte, mas tinha medo do que poderia vir a acontecer e não podia abandonar seu amado. Então decidiu segui-lo quando entrou na floresta.
Os índios de sua tribo começaram a atacar o Sol e ele, muito forte e determinado, vencia de todos com quem lutava. Mas sua tribo havia colocado um índio flecheiro atrás da grande Jurema como estratégia, ele mirou na direção do Sol uma flecha envenenada.
A Lua viu a tempo o que iria acontecer e se colocou na frente dele para que desistisse de atirar a flecha no Sol. Mas, já era tarde, pois ele havia atirado a flecha, que acertou o peito da Lua.
O Sol bradou ao ver o que aconteceu, gritou tão alto que a floresta estremeceu. Ele pegou sua amada nos braços e entrou em pranto enquanto ela dava seus últimos suspiros e dizia que o amava.
O Sol com sua amada nos braços foi até a grande Jurema, onde clamou pelo seu poder, oferecendo sua vida pela de sua amada, mas isso não era possível.
A Grande Jurema disse que não poderia reviver alguém dos mortos. Decepcionado e desmotivado a continuar o Sol tirou a flecha do peito da Lua e enfiou no seu, não poderia viver sem sua amada.
O Pai da Lua chegou até os pés da Grande Jurema, onde viu sua filha e seu amado mortos, ambos por um flecha envenenada por ele mesmo.
A Grande Jurema vendo tamanho sofrimento das tribos transformou ambos no Sol e a Lua que conhecemos hoje.
A Lua iluminaria todas as noites e guiaria os passos de quem andasse na escuridão e o Sol com sua infinita força irradiaria tudo a que tocasse, mas ambos não se encontrariam por longos períodos, como lembrança do egoísmo das tribos, quando o sol brilhasse a lua não apareceria e vice versa.
Para celebrar o amor dos dois a Grande Jurema criou o eclipse, onde ambos se encontrariam e todos os observariam e lembrariam que não existe amor no mundo impossível.
Te amar me fez gostar da vida.
Tem certos momentos que parecem que o amor é só pra algumas pessoas.