Overcome. #HanMi
preciousunmi:
Era reconfortante estar na presença dos pais e dos irmãos, mas nada era mais gostoso do que poder andar de calcinha em casa sem ninguém pra reclamar. Era o único espaço onde Sunmi conseguia ser ela mesma livremente, vestida com o que quisesse, fedendo ou cheirando; independente do que fosse, gostava daquele silêncio que era, aos poucos, preenchido com a voz alta da florista na tentativa de cantar seu “neon sugar free” de lei. Raros momentos conseguia ter essa simplicidade quando a colega de apartamento estava presente, pois era demasiada tímida a fazê-lo. Após fritar os ovos e colocá-los em uma tigela, Sunmi se apressou para ligar a TV, e após ver o breve noticiário, lembrou-se das correspondências. Como era desleixada àquele ponto? Provavelmente o armário estaria entupido de contas para pagar, principalmente porque havia atrasado um mês da conta de água e estava tentando, ao máximo, economizar para que não ficasse mais na merda do que já estava; além de que puxaria Hana para a merda junto, mas não era como se ela se esforçasse mais do que a morena.
Vestiu-se rapidamente para descer até o estacionamento e abrir o armário do 502. A primeira coisa que viu antes de trancar o armário foi a conta de luz. Abriu imediatamente, visto que era a mais “importante” em termos econômicos, e só assim ela teria uma noção se precisaria fazer horário extra ou não. Doze reais a mais do que da última vez. “Ah, aquela danada!” Referiu-se à colega de apartamento e soltou um suspiro fumegando a raiva, pois sabia que ela não se preocupava tanto se estava gastando ou não energia ou água, já como Sunmi quem tomava as rédeas todos os meses até então. Balançou a cabeça em negativo e então foi olhando o restante da correspondência, até chegar em frente a porta do próprio apartamento e ponderar se tinha lido certo. Descalçou as chinelas e entrou no cômodo pouco espaçoso. “Carta de… demissão?” Logo tremeu, achando que poderia ser algo na floricultura e mal conseguiu respirar, indo se sentar no sofá. Nem mesmo leu para quem era, rasgando o papel imediatamente antes de ver o dinheiro do pagamento e a mensagem. A face corou de raiva e apertou o papel na mão, amassando-o. “Kim. Hana!” E após isso um gritinho seco, largando o papel no sofá mesmo, junto das outras correspondências, enquanto ia em busca de água para se acalmar.
Depois de algum tempo pensando o que faria, escutou o barulho de chaves na porta e o olhar nada saudável direcionou exatamente para a dita cuja; Sentada na única poltrona que conseguiu comprar por seu esforço, Sunmi batia o pé coberto pela meia fortemente no chão de madeira, continuamente, deixando claro que estava muito desgostosa com algo. ( @soaphana )
— Ah não... — Sim, estas foram as primeiras palavras de Hana ao pisar no prédio em que morava. A mala em suas mãos pesava mais do que quando saíra daquele local, praticamente um mês atrás. As pecinhas que formavam o número 502 reluziam em tinta recém retocada, combinando perfeitamente com o adesivo brilhante de uma cereja que ela mesma colocara na portinhola do correio pouco depois de se mudar para o edifício. Suas mãos, no entanto, pendiam inutilizadas ao lado do compartimento vazio.
O coração palpitou por alguns segundos, exatamente como o de uma criança ao perceber que seus pais descobririam uma travessura. Se não havia uma correspondência sequer ali significava que Sunmi havia retornado para o apartamento. Dotada de uma impaciência incomum, Hana releu diversas vezes a mensagem que recebera naquela amanhã. "Kim Hana, sua carta de demissão e toda a quantia que deveria receber afim de quitar nossas dívidas para com os seus serviços foram entregues, como correspondência, no endereço de sua atual moradia. Devido feriados, acreditamos que o correio poderia ser mais efetivo." Os caracteres do texto dançavam pela mente de Hana quase como se estes fizessem parte de um dialeto que não sabia ler; infelizmente não era o caso.
Fugira para a casa dos pais naquele fim de ano claramente afim de escapar daquele momento (e não para ver a decadência de sua antiga casa ou de sua família), para escapar das dívidas e, principalmente, disso. — Isso é tão injusto! — Esbravejou, finalmente, batendo com força a portinha da caixa de correio. As mãos correram então para os fios impecáveis, deslizando por eles e ao mesmo tempo bagunçando-os em um frenesi passageiro.
Os pés, por fim, bateram contra o piso gélido do local algumas vezes, exatamente como costumava fazer quando estava no colegial e seus pais não permitiam que fosse a alguma festa. E quando toda a cólera mimada se esvaiu dos pulmões de Hana em um grito seco, estridente, baixo demais para ser verdadeiramente considerado um grito... Ela parou. Ainda existem chances de Sunmi não ter aberto uma correspondência endereçada para alguém que não era ela mesma, acalmou-se, o suficiente para que um sorriso despontasse pelos lábios cheios e róseos. Além disso, Sunmi-sshi não sabe sobre as dívidas ou sobre o vestido que compara para a festa da RFA, certo? Enquanto as palavras entoavam cheias de uma ingenuidade grotesca, Hana finalmente pegou sua mala e seguiu para o andar em que moravam, não vendo necessidade alguma de bater à porta antes de adentrar o local.
Ali, Hana já estava completamente dentro de si novamente, a verdadeira personificação da falta de senso ou responsabilidade, radiante e sorridente; Certo, seu sorriso ficara um tanto ríspido por alguns segundos ao recordar-se de como sua atual moradia era diferente se comparada à casa em que morara por tantos anos, mas ainda assim, servia para o seu propósito. — SUNMI-AH! Happy new year! Eu estava com tanta saudade de você. Ommo, precisa ver os presentes que te comprei antes de viaj-... Aigoo, sua cara está horrível. Você precisa cuidar mais de si mesma e menos de flores.













