VocĂȘ acha que estĂĄ curado, e quer acreditar nisso, atĂ© que a bomba vem, as decepçÔes, as discussĂ”es, o prĂłprio desapontamento, e Ă© aĂ que vocĂȘ percebe que nĂŁo dĂĄ pra fugir da realidade.
VocĂȘ diz: "Eu nĂŁo quero tentar me matar de novo", mas quando se depara, estĂĄ pensando como teria sido melhor se tivesse dado certo daquela vez.
VocĂȘ tenta fugir desses pensamentos, vocĂȘ tem medo deles, porque sabe que se vocĂȘ se entregar a eles, vocĂȘ surta, e nĂŁo Ă© o que vocĂȘ quer.
VocĂȘ toma remĂ©dios atrĂĄs de remĂ©dios, tenta ser a pessoa mais otimista do mundo, mas quando acontece uma simples coisa, vocĂȘ desanima de vez, e tudo aquilo que vocĂȘ era, ou pelo menos tentava ser, desaparece, parece que os efeitos dos remĂ©dios param de funcionar por aquele momento, e o seu mundo desaba.
Enquanto sua vida estĂĄ parada, vocĂȘ acredita que estĂĄ bem, mas se vocĂȘ prestar mais atenção nos detalhes, vai perceber que nada Ă© como parece. VocĂȘ quer beber, mas isso Ă© normal. VocĂȘ quer fumar, mas isso Ă© normal. VocĂȘ quer sair por aĂ sem rumo, mas isso Ă© normal. SĂł que antes de vocĂȘ ter todos esses problemas, nenhuma dessas vontades te apareciam, e se vocĂȘ realmente estivesse bem, nĂŁo estaria preocupado em estar sĂłbrio. SerĂĄ que estĂĄ tudo bem mesmo?
VocĂȘ tenta ser forte, e consegue por um tempo, mas seu corpo nĂŁo aguenta tantas pancadas, e chega uma hora que vocĂȘ desaba, vocĂȘ precisa por tudo que guardou para fora, e sĂŁo tantas coisas que vocĂȘ nem se reconhece naquele momento, vocĂȘ nĂŁo consegue acreditar que essa pessoa que estĂĄ surtando, que estĂĄ desabando seja vocĂȘ. Mas depois passa, e tudo volta ao normal, atĂ© vocĂȘ se cansar de novo. E serĂĄ um ciclo sem fim, vĂcios atrĂĄs de vĂcios, remĂ©dios atrĂĄs de remĂ©dios, surtos atrĂĄs de surtos, e uma enorme vontade de acreditar que vocĂȘ estĂĄ bem.